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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

As Civilizações mais antigas do mundo


AS CIVILIZAÇÕES
As primeiras civilizações se formaram a partir de quando o homem descobriu a agricultura e passou a ter uma vida mais sedentária, por volta de 4.000 a.C. Essas primeiras civilizações se formaram em torno ou em função de grandes rios: A Mesopotâmia estava ligada aos Rios Tigre e Eufrates, o Egito ao Nilo, a Índia ao Indo, a China ao Amarelo.
Foi no Oriente Médio que tiveram início as civilizações. Tempos depois foram se desenvolvendo no Oriente outras civilizações que, sem contar com o poder fertilizante dos grandes rios, ganharam características diversas. As pastoris, como a dos hebreus, ou as mercantis, como a dos fenícios. Cada um desses povos teve, além de uma rica história interna, longas e muitas vezes conflituosas relações com os demais.


Mesopotâmia: o berço da civilização

A estreita faixa de terra localiza-se entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, onde atualmente é o Iraque, foi chamada na Antiguidade, de Mesopotâmia, que significa “entre rios” (do grego, meso = no meio; potamos = rio). Essa região foi ocupada, entre 4.000 a.C. e 539 a.C, por uma série de povos, que se encontraram e se misturaram, empreenderam guerras e dominaram uns aos outros, formando o que denominamos povos mesopotâmicos. Sumérios, babilônios, hititas, assírios e caldeus são alguns desses povos.
Esta civilização é considerada uma das mais antigas da história.


A organização social

Sumérios, babilônios, hititas, assírios, caldeus. Entre os inúmeros povos que habitaram a Mesopotâmia existiam diferenças profundas. Os assírios, por exemplo, eram guerreiros. Os sumérios dedicavam-se mais à agricultura.
Apesar dessas diferenças, é possível estabelecer pontos comuns entre eles. No que se refere à organização social, à religião e à economia. Vamos agora conhecê-las:


A sociedade

As classes sociais - A sociedade estava dividida em classes: nobres, sacerdotes versados em ciências e respeitados, comerciantes, pequenos proprietários e escravos.
A organização social variou muito pelos séculos, mas de modo geral podemos falar:
  •  Dominantes: governantes, sacerdotes, militares e comerciantes.
  •  Dominados: camponeses, pequenos artesãos e escravos (normalmente presos de guerra).
  • Dominantes detinham o poder de quatro formas básicas de manifestação desse poder: riqueza, política, militar e saber. Posição mais elevada era do rei que detinha poderes políticos, religiosos e militares. Ele não era considerado um deus, mas sim representante dos deuses.
  • Os dominados consumiam diretamente o que produziam e eram obrigados a entregar excedentes para os dominantes

A religião

Os povos mesopotâmicos eram politeístas, isto é, adoravam diversas divindades, e acreditavam que elas eram capazes de fazer tanto o bem quanto o mal, não acreditavam em recompensas após a morte, acreditavam em crença em gênios, demônios, heróis, adivinhações e magia. Seus deuses eram numerosos com qualidades e defeitos, sentimentos e paixões, imortais, despóticos e sanguinários.
Cada divindade era uma força da natureza como o vento, a água, a terra, o sol, etc, e do dono da sua cidade. Marduk, deus de Babilônia, o cabeça de todos, tornou-se deus do Império, durante o reinado de Hamurabi. Foi substituído por Assur, durante o domínio dos assírios. Voltou ao posto com Nabucodonosor.
Acreditavam também em gênios bons que ajudavam os deuses a defender-se contra os demônios, contra as divindades perversas, contra as enfermidades, contra a morte. Os homens procuravam conhecer a vontade dos deuses manifestada em sonhos, eclipses, movimento dos astros. Essas observações feitas pelos sacerdotes deram origem à astrologia.


A vida cotidiana

Escravos e pessoas de condições mais humildes levavam o mesmo tipo de vida. A alimentação era muito simples: pão de cevada, um punhado de tâmaras e um pouco de cerveja leve. Isso era a base do cardápio diário. Às vezes comiam legumes, lentilha, feijão e pepino ou, ainda, algum peixe pescado nos rios ou canais. A carne era um alimento raro.
As terras baixas da Mesopotâmia abarcam a planície fértil, porém seus habitantes tiveram que enfrentar o perigo das invasões, as extremas temperaturas atmosféricas, os períodos de seca, as violentas tormentas e os ataques das feras. Sua arte reflete, ao mesmo tempo, sua adaptação e seu medo destas forças naturais, assim como suas conquistas militares. Estabeleceram núcleos urbanos nas planícies, cada um dominado por um templo, que foi o centro do comércio e da religião, até que foi desbancado em importância pelo palácio real. O solo da Mesopotâmia proporcionava o barro para o adobe, material de construção mais importante desta civilização.
Na habitação, a mesma simplicidade. Às vezes a casa era um simples cubo de tijolos crus, revestidos de barro. O telhado era plano e feito com troncos de palmeiras e argila comprimida. Esse tipo de telhado tinha a desvantagem de deixar passar a água nas chuvas mais torrenciais, mas em tempos normais era usado como terraço.
As casas não tinham janelas e à noite eram iluminadas por lampiões de óleo de gergelim. Os insetos eram abundantes nas moradias.
Os ricos se alimentavam melhor e moravam em casas mais confortáveis que os pobres. Mesmo assim, quando as epidemias se abatiam sobre as cidades, a mortalidade era a mesma em todas as camadas sociais.


Política e economia

A organização política da Mesopotâmia tinha um soberano divinizado, assessorado por burocratas- sacerdotes, que administravam a distribuição de terras, o sistema de irrigação e as obras hidráulicas. O sistema financeiro ficava a cargo de um templo, que funcionava como um verdadeiro banco, emprestando sementes, distribuído um documento semelhante ao cheque bancário moderno e cobrando juros sobre as sementes emprestadas.
Em linhas gerais pode-se dizer que a forma de produção predominante na Mesopotâmia baseou-se na propriedade coletiva das terras administrada pelos templos e palácios. Os indivíduos só usufruíam da terra enquanto membros dessas comunidades. Acredita-se que quase todos os meios de produção estavam sobre o controle do déspota, personificações do Estado, e dos templos. O templo era o centro que recebia toda a produção, distribuindo-a de acordo com as necessidades, alem de proprietário de boa parte das terras: é o que se denomina cidade-templo.
Administradas por uma corporação de sacerdotes, as terras, que teoricamente eram dos deuses, eram entregues aos camponeses. Cada família recebia um lote de terra e devia entregar ao templo uma parte da colheita como pagamento pelo uso útil da terra. Já as propriedades particulares eram cultivadas por assalariados ou arrendatários.
Entre os sumérios havia a escravidão, porém o número de escravos era relativamente pequeno.  


A agricultura

A agricultura era base da economia neste período. A economia da Baixa Mesopotâmia, em meados do terceiro milênio a.C. baseava-se na agricultura de irrigação. Cultivavam trigo, cevada, linho, gergelim (sésamo, de onde extraiam o azeite para alimentação e iluminação), arvores frutíferas, raízes e legumes. Os instrumentos de trabalho eram rudimentares, em geral de pedra, madeira e barro. O bronze foi introduzido na segunda metade do terceiro milênio a.C., porem, a verdadeira revolução ocorreu com a sua utilização, isto já no final do segundo milênio antes da Era Cristã. Usavam o arado semeador, a grade e carros de roda;


A criação de animais

A criação de carneiros, burros, bois, gansos e patos era bastante desenvolvida.


O comércio

Os comerciantes eram funcionários a serviço dos templos e do palácio. Apesar disso, podiam fazer negócios por conta própria. A situação geográfica e a pobreza de matérias primas favoreceram os empreendimentos mercantis. As caravanas de mercadores iam vender seus produtos e buscar o marfim da Índia, a madeira do Líbano, o cobre de Chipre e o estanho de Cáucaso. Exportavam tecidos de linho, lã e tapetes, além de pedras preciosas e perfumes.
As transações comerciais eram feitas na base de troca, criando um padrão de troca inicialmente representado pela cevada e depois pelos metais que circulavam sobre as mais diversas formas, sem jamais atingir, no entanto, a forma de moeda. A existência de um comércio muito intenso deu origem a uma organização econômica sólida, que realizava operações como empréstimos a juros, corretagem e sociedades em negócios. Usavam recibos, escrituras e cartas de crédito.
O comércio foi uma figura importante na sociedade mesopotâmica, e o fortalecimento do grupo mercantil provocou mudanças significativas, que acabaram por influenciar na desagregação da forma de produção templário-palaciana dominante na Mesopotâmia.


As ciências a astronomia

Entre os babilônicos, foi a principal ciência. Notáveis eram os conhecimentos dos sacerdotes no campo da astronomia, muito ligada e mesmo subordinada a astrologia. As torres dos templos serviam de observatórios astronômicos. Conheciam as diferenças entre os planetas e as estrelas e sabiam prever eclipses lunares e solares. Dividiram o ano em meses, os meses em semanas, as semanas em sete dias, os dias em doze horas, as horas em sessenta minutos e os minutos em sessenta segundos. Os elementos da astronomia elaborada pelos mesopotâmicos serviram de base à astronomia dos gregos, dos árabes e deram origem à astronomia dos europeus.


A matemática

Entre os caldeus, alcançou grande progresso. As necessidades do dia-a dia levaram a um certo desenvolvimento da matemática. Os mesopotâmicos usavam um sistema matemático sexagesimal (baseado no número 60). Eles conheciam os resultados das multiplicações e divisões, raízes quadradas e raiz cúbica e equações do segundo grau. Os matemáticos indicavam os passos a serem seguidos nessas operações, através da multiplicação dos exemplos. Jamais divulgaram as formulas dessas operações, o que tornaria as repetições dos exemplos desnecessárias. Também dividiram o círculo em 360 graus, elaboraram tábuas correspondentes às tábuas dos logaritmos atuais e inventaram medidas de comprimento, superfície e capacidade de peso;


A medicina

Os progressos da medicina foram grandes (catalogação das plantas medicinais, por exemplo). Assim como o direito e a matemática, a medicina estava ligada a adivinhação. Contudo, a medicina não era confundida com a simples magia. Os médicos da Mesopotâmia, cuja profissão era bastante considerada, não acreditavam que todos os males tinham origem sobrenatural, já que utilizavam medicamentos à base de plantas e faziam tratamentos cirúrgicos. Geralmente, o medico trabalhava junto com um exorcista, para expulsar os demônios, e recorria aos adivinhos, para diagnosticar os males.


As letras

A linguagem escrita é resultado da necessidade humana de garantir a comunicação e o desenvolvimento da técnica.


A escrita

A escrita cuneiforme, grande realização sumeriana, usada pelos sírios, hebreus e persas, surgiu ligada às necessidades de contabilização dos templos. Era uma escrita ideográfica, na qual o objeto representado expressava uma idéia. Os sumérios - e, mais tarde os babilônicos e os assírios, que falavam acadiano - fizeram uso extensivo da escrita cuneiforme. Mais tarde, os sacerdotes e escribas começaram a utilizar uma escrita convencional, que não tinha nenhuma relação com o objeto representado.
As convenções eram conhecidas por eles, os encarregados da linguagem culta, e procuravam representar os sons da fala humana, isto é, cada sinal representava um som. Surgia assim a escrita fonética, que pelo menos no segundo milênio a.C., já era utilizado nos registros de contabilidade, rituais mágicos e textos religiosos. Quem decifrou a escrita cuneiforme foi Henry C. Rawlinson. A chave dessa façanha ele obteve nas inscrições da Rocha de Behistun, na qual estava gravada uma gigantesca mensagem de 20 metros de comprimento por 7 de Altura.
A mensagem fora talhada na pedra pelo rei Dario, e Rawlinson identificou três tipos diferentes de escrita (antigo persa, elamita e acádio - também chamado de assírio ou babilônico). O alemão Georg Friederich Grotefend e o francês Jules Oppent também se destacaram nos estudos da escrita sumeriana.


A Literatura era pobre

Destacam-se apenas o Mito da Criação e a Epopéia de Guilgamesh - aventura de amor e coragem desse herói semi-deus, cujo objetivo era conhecer o segredo da imortalidade.


O Direito

O Código de Hamurabi, até pouco tempo o primeiro código de leis que se tinha notícia, não é original. É uma compilação de leis sumerianas mescladas com tradições semitas. Ele apresenta uma diversidade de procedimentos jurídicos e determinação de penas para uma vasta gama de crimes.
Contém 282 leis, abrangendo praticamente todos os aspectos da vida babilônica, passando pelo comércio, propriedade, herança, direitos da mulher, família, adultério, falsas acusações e escravidão. Suas principais características são: Pena ou Lei de Talião, isto é, "olho por olho, dente por dente" (o castigo do criminoso deveria ser exatamente proporcional ao crime por ele cometido), desigualdade perante a lei (as punições variavam de acordo com a posição social da vitima e do infrator), divisão da sociedade em classes (os homens livres, os escravos e um grupo intermediário pouco conhecido - os mushkhinum) e igualdade de filiação na distribuição da herança.
O Código de Hamurabi reflete a preocupação em disciplinar a vida econômica (controle dos preços, organização dos artesãos, etc.) e garantir o regime de propriedade privada da terra. Os textos jurídicos mesopotâmicos invocavam os deuses da justiça, os mesmos da adivinhação, que decretavam as leis e presidiam os julgamentos.



As artes

A mais desenvolvida das artes, porém não era tão notável quanto a egípcia. Caracterizou-se pelo exibicionismo e pelo luxo. Construíram templos e palácios, que eram considerados cópias dos existentes nos céus, de tijolos, por ser escassa a pedra na região. O zigurate, torre de vários andares, foi a construção característica das cidades-estados sumerianas. Nas construções, empregavam argila, ladrilhos e tijolos.


Escultura e a pintura

Tanto a escultura quanto a pintura eram fundamentalmente decorativas. A escultura era pobre, representada pelo baixo relevo. Destacava-se a estatuária assíria, gigantesca e original. Os relevos do palácio de Assurbanipal são obras de artistas excepcionais. A pintura mural existia em função da arquitetura.


A música e a dança

A música na Mesopotâmia, principalmente entre os babilônicos, estava ligada à religião.
Quando os fiéis estavam reunidos, cantavam hinos em louvor dos deuses, com acompanhamento de música. Esses hinos começavam muitas vezes, pelas expressões: " Glória, louvor tal deus; quero cantar os louvores de tal deus", seguindo a enumeração de suas qualidades, de socorro que dele pode esperar o fiel.
Nas cerimônias de penitência, os hinos eram de lamentação: "aí de nós", exclamavam eles, relembrando os sofrimentos de tal ou qual deus ou apiedando-se das desditas que desabam sobre a cidade. Instrumentos sem dúvida de sons surdos, acompanhavam essa recitação e no corpo desses salmos, vê-se o texto interromper-se e as onomatopéias "ua", "ui", "ua", sucederem-se em toda uma linha. A massa dos fiéis devia interromper a recitação e não retomá-la senão quando todos, em coro tivessem gemido bastante.
A procissão, finalmente, muitas vezes acompanhava as cerimônias religiosas e mesmo as cerimônias civis. Sobre um baixo-relevo assírio do British Museum que representa a tomada da cidade de Madaktu em Elam, a população sai da cidade e se apresenta diante do vencedor, precedida de música, enquanto as mulheres do cortejo batem palmas à oriental para compassar a marcha.
O canto também tinha ligações com a magia. Há cantos a favor ou contra um nascimento feliz, cantos de amor, de ódio, de guerra, cantos de caça, de evocação dos mortos, cantos para favorecer, entre os viajantes, o estado de transe.
A dança, que é o gesto, o ato reforçado, se apóia em magia sobre leis da semelhança. Ela é mímica, aplica-se a todas as coisas:- há danças para fazer chover, para guerra, de caça, de amor etc.
Danças rituais têm sido representadas em monumentos da Ásia Ocidental, Suméria. Em Thecheme-Ali, perto de Teerã; em Tepe-Sialk, perto de Kashan; em Tepe-Mussian, região de Susa, cacos arcaicos reproduzem filas de mulheres nuas, dando-se as mãos, cabelos ao vento, executando uma dança. Em cilindros-sinetes vêem-se danças no curso dos festins sagrados (tumbas reais de Ur).


O legado dos povos mesopotâmicos
Herdamos dos povos mesopotâmicos vários elementos de nossa cultura. Vejamos alguns:
  • o ano de 12 meses e a semana de 7 dias;
  • a divisão do dia em 24 horas;
  • a crença nos horóscopos e os doze signos do zodíaco;
  • a previsão dos eclipses.
  • o hábito de fazer o plantio de acordo com as fases da lua;
  • a circunferência de 360 graus;
o processo aritmético das operações matemáticas; multiplicação, divisão, soma e subtração além de raiz quadrada e cúbica.

Para conhecermos melhor essas civilizações descreveremos as características dos Sumérios, Acadianos, Assírios, Caldeus e os Amoritas.


CIVILIZAÇÃO SUMÉRIA

Os Sumérios foram o primeiro povo a habitar a região da Mesopotâmia, o atual Iraque, compreendida entre os rios Tigre e Eufrates. O motivo da sua chegada ainda é ignorado, mas provavelmente tenha sido a falta de comida e água, já que os Sumérios viviam como nômades vagando pelo Planalto do Irã e no alto dos Montes Zagros. 
Além da água e
 comida encontradas em abundância na região, outro fator que explica a sedentarização dos Sumérios era a segurança com que viviam na Mesopotâmia, pois aquela área é cercada por algumas cadeias montanhosas ao norte e à oeste, pelo Golfo Pérsico ao sudoeste, e pelo deserto da Síria ao sul e leste. Isso os dava uma grande proteção a ataques de outros povos que viviam nas proximidades dali. 

O povo responsável pelos primeiros templos e palácios monumentais, pela fundação das primeiras cidades-estado e provavelmente pela invenção da
 escrita (tudo no período de 3100 a 3000 a.C.) são os Sumérios. Os primeiros sinais escritos são pictográficos, de modo que podem ser lidos em qualquer idioma e não se pode inferir de que idioma eles vieram especificamente. Um pictograma paraflecha, por exemplo, quer dizer flecha em qualquer idioma. Alguns séculos mais tarde, entretanto, estes sinais foram usados para representar valores fonéticos sumérios e palavras sumérias. O pictograma para uma flecha passa a ser usado para representar 'ti', a palavra suméria para flecha, e também para o som fonético 'ti' em palavras não relacionadas com flecha. Portanto, em geral supõem-se que os sumérios foram também responsáveis pelos sinais pictográficos, possivelmente com grande influência dos elamitas. Se os sumérios não são aqueles que na realidade inventaram a escrita, então no mínimo eles são responsáveis por rapidamente adotar e expandir a invenção da escrita para servir às suas necessidades de contabilidade (as primeiras tabelas são predominantemente de natureza econômica). 

O nome Suméria é derivado do nome babilônico para Sul da Babilônia. Os sumérios chamavam seupaís de 'ken.gi(r)' - terra civilizada - seu idioma 'eme.gir' e a si mesmos chamavam de 'sag.gi 6.ga' - de cabeças escuras. O idioma sumério não é semítico, sendo uma linguagem aglutinante, como finlandês e japonês. Ou seja, este termo designa uma tipologia de idiomas que contrasta com linguagens de inflexão, como os idiomas indo-europeus.Numa linguagem aglutinante (ou aglutinativa), as palavras do idioma são compostas por elos que se combinam entre si, em geral em sequências bastante longas. Em idiomas de inflexão, o elemento básico (raiz) da palavra pode variar, daí ser chamado de inflexão.

 Sumério não tem relação conhecida com qualquer outro idioma. Parece haver uma relação remota com os idiomas dravídicos (como o falado pelos Tamis no Sul da Índia). Há evidências de que idiomas dravídicos eram falados no Norte da Índia, tendo sido deslocados pelos invasores indo-europeus ao redor de 1500 a.C.. O termo 'de cabeça escura' pode significar que os sumérios tenham sido um ramo daqueles que moram hoje no sul da Índia.

Podemos citar como invenções Sumérias/Elamitas os selos cilíndricos. Selos cilíndricos são pequenos cilindros de pedra (entre 2 e 6 cm) esculpidos com desenhos em entalhe. O cilindro era rolado sobre tábuas de argila, envelopes, cerâmicas e tijolos, para marcar ou identificá-los. Seu uso coincide com o início do uso de tábuas escritas de argila ao final do Quarto Milênio a.C. até o final do Primeiro Milênio a.C.. Tais selos eram usados como assinatura, confirmação de recebimento, ou para marcar blocos de construção.

Por volta de 3500 a.C., os sumérios saíram das montanhas da Ásia Central à procura de terras férteis e chegaram ao sul da Mesopotâmia.
Por ser uma região com poucas chuvas, desde muito cedo os sumérios tiveram de aprender a desviar e armazenar as águas do Tigre e do Eufrates, e com isso puderam cultivar uma grande quantidade e variedade de alimentos.
Com o tempo foram constituindo cidades. Cada cidade-Estado era governada por um patési, que, além de sumo sacerdote, era o chefe político e militar.
Segundo as pesquisas os sumérios foram os inventores da escrita. Eles escreviam em taboas feitas de argila, usando um estilete de extremidade triangular que deixava sinais em forma de cunha. Com isso, a escrita recebeu o nome de escrita cuneiforme.
As cidades sumérias sempre estavam em guerra entre si, pois eles queriam estender sua dominação. Isso facilitou a ação dos acádios, um povo de origem semita que invadiu a região e se fixou ao norte Suméria.


Religião Suméria

Crenças religiosas dos povos da antiga Suméria. Os sumérios acreditavam que o Universo era governado por um panteão formado por um grupo de seres vivos, de forma humana, porém imortais e possuidores de poderes sobre-humanos. Esses seres, segundo acreditavam, eram invisíveis aos olhos dos mortais e guiavam e controlavam o cosmo de acordo com um plano pré-estabelecido e leis rigorosamente elaboradas. 

Os sumérios tinham quatro divindades fundamentais, conhecidas como deuses criadores. Estes deuses eram: An, deus do céu; Ki, deusa da terra; Enlil, deus do ar e Enki, deus da água. Céu, terra, ar e água eram considerados os quatro componentes mais importantes do Universo. Os deuses concebiam o me, conjunto de regras e leis universais imutáveis que todos os seres eram obrigados a obedecer.
 Próximas em importância às deidades criadoras estavam as três divindades celestiais: Nanna, deus da Lua; Utu, deus Sol e Inanna, rainha dos céus. Inanna era também deusa do amor, da procriação e da guerra. Nanna era o pai de Utu e Inanna. Outro deus de grande importância era Ninurta, a divindade do violento e destrutivo vento sul. Um dos deuses mais queridos era o deus-pastor Dumuzi; originalmente era um governante mortal cujo casamento com Inanna assegurou a fertilidade da terra e a fecundidade procriadora.


Legado dos Sumérios


Os Sumérios foram uma das primeira civilizações de que se tem notícia, mas a sua importância histórica não pára aí. A eles são atribuídas duas grandes invenções: a da escrita e a da roda, ambas a cerca de 6000 anos atrás.
A sua escrita era de uso particularmente da elite, principalmente dos sacerdotes e escribas. Ela era gravada em tabletes de argila com uma pinça em forma de cunha, e por isso recebeu o nome de escrita cuneiforme. Já a roda, outra grande invenção sumeriana, permitiu a eles desenvolverem carros de combates, que eram puxados por cavalos. Ainda sobre sua arte militar, eles usavam lanças, ou dardos de combates, além de armaduras feitas com o bronze extraído das montanhas.
Mas seu legado não pára por aí. Eles ainda criaram diques e barragens que impediam enchentes e inundações nas cidades, e ainda escoavam a água través de canais para as lavouras afim de expandir mais suas cidades, que cresciam depressa.
 Sua arquitetura concentrava-se, principalmente, na construção de templos em forma de pirâmides chamados zigurates. Os zigurates geralmente era usados para reverenciar algum deus ou rei.


Literatura Suméria


Literatura escrita em sumério no antigo reino mesopotâmico de Sumer. É a literatura mais antiga da historia. Foram encontradas inscrições em escritura cuneiforme em dezenas de milhares de peças de barro cozido, em selos cilíndricos e tábuas de argila, bem como em diversos objetos que são inestimáveis como fontes históricas. Existem muitas obras literárias anteriores ao século XVIII a.C., como relatos mitológicos, épicos, hinos, lamentos, provérbios e ensaios.

Língua Suméria

Falada pelos povos do antigo reino sumério que viveu na Mesopotâmia. Seu vocabulário, sua gramática e sua sintaxe não parecem ter relação com nenhuma outra língua conhecida.
 É a língua escrita mais antiga das que se têm testemunhos gráficos. As primeiras inscrições procedem de 3000 a.C. e seu alfabeto é cuneiforme. A existência desta língua, e da cultura que ela revela, permaneceram esquecidas até o século XIX, quando seu alfabeto foi decifrado. O principal dialeto sumério foi o emergir ou "língua principesca", embora houvesse outros de menor difusão, empregados pelas mulheres e pelos eunucos.


Economia Suméria


Os sumérios cultivavam cevada, cebola, nabo e tâmaras; pescavam ao longo dos rios, e comercializavam alguns produtos, principalmente na costa mediterrânea, onde chegavam navegando ao longo dos rios Tigre e Eufrates, e no Golfo Pérsico, onde comercializavam com a Índia. Os principais produtos eram pano, comida, manufaturas e armas, feitas com o cobre e o bronze extraídos das montanhas.

Queda dos Sumérios

Declínio dos Sumérios e ascensão dos Acádios
A constante guerra entre as diversas cidades-estados sumerianas gerou graves crises econômicas e militares, que enfraqueceram-nas. Sabendo disso, os Acádios aproveitaram-se de suas modernas táticas de guerra, que incluíam o uso do arco e da flecha e de uma agilidade muito superior a de qualquer exército da época para dominarem a Baixa Mesopotâmia.


O IMPÉRIO (SARGÃO I, O IMPERADOR ACADIANO)

Após conquistar a Baixa Mesopotâmia, Sargão I, rei dos Acádios, tomou para si as regiões do Elam, do leste da Suméria e parte da costa mediterrânea. Sargão estabeleceu o primeiro império da história, que durou de 2371 até 2316 a.C. O imperador centralizou muito o poder na sua pessoa, o que o fez ser idolatrado como um deus. Com sua morte, o Império Acádio perdeu sua liderança e caiu sob os ataques dos Gutis, um povo vindo do alto dos Montes Zagros.

Legado Acádio

Os Acádios não deixaram nada de muito especial para ser estudado ou comentado pois eles não eram um povo que destruía a cultura dos povos dominados, muito pelo contrário, zelava por sua preservação chegando por vezes a adotá-la. Com isso, seu legado cultural e tudo mais que caracteriza um povo assemelha-se muito aos Sumérios, não havendo a necessidade de descrevê-las.

ASSÍRIA

Localizados na região mesopotâmica, os assírios constituem uma das várias civilizações que aparecem entre os rios Tigre e Eufrates. A formação desse império aconteceu graças ao amplo desenvolvimento de uma cultura visivelmente voltada para a guerra. Saque, destruição e massacre eram táticas comuns que asseguravam a supremacia dos assírios contra os outros povos guerreiros da região.
Além da truculência, o exército assírio era composto por uma avançada tecnologia bélica que os colocavam em vantagem sobre os demais povos. O uso dos cavalos garantia o rápido abatimento de vários inimigos no campo de batalha. Ao mesmo tempo, a infantaria era composta por uma ampla hierarquia de guerreiros que exerciam funções que tornavam a força militar assíria bastante ágil.
O tom violento da dominação assíria foi capaz de provocar a subordinação de várias populações encontradas ao longo da região mesopotâmica. Contudo, essa cultura baseada no terror e opressão, não teve condições suficientes para suportar as várias revoltas que aconteciam contra este povo. Não por acaso, em 612 a.C., os caldeus e medos conseguiram derrotar as forças do império assírio.
Sob essas novas condições, aconteceu o processo de consolidação do chamado Segundo Império Babilônico, que se estende de 612 a 539 a.C.. O auge desse novo império se desenrola no governo de Nabucodonosor, reconhecido por suas várias obras públicas, como a Torre de Babel e os suntuosos Jardins Suspensos da Babilônia, uma das mais populares construções de todo o mundo antigo.

Civilização Assíria (antigo Ashur ou Assur)

Antigo país da Ásia, localizado ao norte da Mesopotâmia, a partir da fronteira norte do atual Iraque. Suas conquistas se estenderam aos vales dos rios Tigre e Eufrates. A parte ocidental do país era uma estepe adequada apenas a uma população nômade. Entretanto, a parte oriental era apropriada para a agricultura, com colinas cheias de bosques e férteis vales banhados por pequenos rios. A leste da Síria se encontram os montes Zagros; ao norte, um escalão de platôs conduz ao maciço armênio; a oeste se estende a planície da Mesopotâmia. Ao sul se encontrava o país conhecido primeiro como Sumer, depois Sumer e Acad e, mais tarde, Babilônia.

 Mesopotâmia é o nome que os antigos gregos deram a toda a região em que surgiram esses países, incluindo a Assíria. As cidades mais importantes da Assíria, todas situadas no território do atual Iraque, eram Assur, atualmente Sharqat; Nínive, da qual os únicos vestígios que indicam sua localização são dois grandes tells (colinas formadas sobre ruínas), Quyunyik e Nabi Yunas; Calach, hoje Nimrud, e Dur Sharrukin, atualmente Jursabad (Jorsabad).

A literatura assíria era praticamente idêntica à babilônica, e os reis assírios mais cultos, principalmente Assurbanipal, se gabavam de armazenar em suas bibliotecas cópias de documentos literários babilônicos. A vida social ou familiar, os costumes matrimoniais e as leis de propriedade também eram muito parecidas. E as práticas e crenças religiosas, muito semelhantes às da Babilônia, inclusive o deus nacional assírio, Assur, foi substituído pelo deus babilônio Marduk. A principal contribuição cultural assíria ocorreu no campo da arte e da arquitetura.

Segundo os descobrimentos arqueológicos, a Assíria foi habitada desde o início da era paleolítica. Apesar disso, a vida sedentária não teve origem nessa região, até cerca de 6500 a.C. O fim do Império Assírio ocorreu no ano de 612 a.C., quando o exército, comandado por seu último rei, Assur-Uballit II (612-609 a.C.), foi derrotado pelos medas em Harran.

Ao longo de sua história, o poder da Assíria dependeu quase que inteiramente de sua força militar. O rei era o comandante-em-chefe do exército e dirigia suas campanhas. Embora em teoria fosse monarca absoluto, na realidade os nobres e cortesãos que o rodeavam, assim como os governadores que nomeava para administrar as terras conquistadas, tomavam frequentemente decisões em seu nome. As ambições e intrigas foram uma ameaça constante para a vida do governante assírio. Essa debilidade central na organização e na administração do Império Assírio foi responsável por sua desintegração e colapso.

Origens dos Assírios

Umas poucas menções na Bíblia, referências esparsas em autores gregos, era tudo o que se sabia da Assíria até o séc. XIX. As grandes escavações empreendidas a partir de 1840 e a decifração de numerosas inscrições (só a biblioteca de Assurbanipal, de Nínive, forneceu 22 mil tábulas gravadas) permitiram reconstruir, com certa minúcia, o passado desse grande império. Restam zonas de sombras. As listas assírias de reis, como a de Khorsabad, encontrada em 1932-1933, ou as de oficiais epônimos (o primeiro ano de um reinado recebia o nome do rei; os seguintes, o de algum dignitário), são, todas, imcompletas e inexatas, quando não fantasiosas. As sumérias, por exemplo, a Dmuzi, de Badtibira, de 28.800 anos de reinado; a Enmenduranna, de Sipar, 72.000.
Tais números são inaceitáveis, quer se trate de anos solares, quer lunares; ademais os cronologistas não estão de acordo quanto à data em que os anos solares substituíram os lunares na Mesopotâmia. Acresce que certos reis cujos nomes chegaram até nós em estelas ou outros monumentos não constam de qualquer relação dinástica. O próprio conceito de dinastia é moderno e não se aplica com exatidão ao caso da Assíria, onde nem sempre houve sucessão contínua, no sentido tradicional, e nem sempre a sucessão se fez de pai  para filho. A realeza parece ter passado, em certas épocas, de cidades para cidades. Em outras, várias dinastias coexistiram e houve centros simultâneos de poder. Assim, reis aparentemente distanciados no tempo foram, de fato, contemporâneos.
A rigor, na Assíria, rei era o deus local, de que o príncipe não passava de representante ou vigário, isto é, o que fazia as suas vezes. Não é uniforme a terminologia empregada, nem é nítida a diferença entre os títulos assírios de luggal (rei) e ensi (governador). Às vezes, o ensi é um preposto do luggar, às vezes o luggar insiste em usar o título de ensi, ou por motivo religioso (reservar o título maior para a divindade, a que pertence de direito), ou por motivo político (não ferir a susceptibilidade da população, como aconteceu cada vez que a Babilônia foi conquistada).

Arte e Arquitetura Assíria

A história da arte primitiva assíria data do século XVIII ao XIV a.C., mas é pouco conhecida. A arte do período assírio médio ou mesoassírio (1350 a.C. a 1000 a.C.) mostra sua dependência das tradições estilísticas babilônicas. Os temas religiosos são apresentados de uma forma solene e as cenas profanas, de maneira mais naturalista. O zigurate foi a principal forma de arquitetura religiosa assíria e o uso de tijolos vitrificados policromáticos, muito comum nessa fase.
A arte assíria genuína teve sua época fulgurante no período neoassírio ou período assírio tardio (1000-612 a.C.). Com Assurbanipal II, que converteu a cidade de Nimrud (antiga Calah da Bíblia) em capital militar. Dentro de seus muros, encontravam-se a cidadela e as principais construções reais, como o palácio do noroeste, decorado com esculturas em relevo. Sargon II, que reinou entre 722 e 705 a.C., criou uma cidade de planta nova, Dur Sharrukin (atual Jorsabad), que estava rodeada por uma muralha com sete portas, três delas decoradas com relevos e tijolos vitrificados. No interior, erguia-se o palácio de Sargon, um grande templo, as residências e os templos menores. Seu filho e sucessor, Senaqueribe, que reinou entre os anos de 705 e 681 a.C., mudou a capital para Nínive, onde construiu seu próprio palácio, o qual denominou “palácio sem rival”. Os assírios adornaram seus palácios com magníficos relevos esculturais.
A arte dos entalhadores de selos do último período assírio é uma combinação de realismo e mitologia. Mesmo nas cenas naturalistas, aparecem símbolos dos deuses. Datam desse período, em Nimrud e em Jorsabad, fabulosas esculturas de marfim. Na primeira, foram encontradas milhares de pequenas figuras de elefantes, que manifestam uma grande variedade de estilos.
A arte assíria genuína teve sua época fulgurante no período neoassírio ou período assírio tardio (1000-612 a.C.). Com Assurbanipal II, que converteu a cidade de Nimrud (antiga Calah da Bíblia) em capital militar. Dentro de seus muros, encontravam-se a cidadela e as principais construções reais, como o palácio do noroeste, decorado com esculturas em relevo. Sargon II, que reinou entre 722 e 705 a.C., criou uma cidade de planta nova, Dur Sharrukin (atual Jorsabad), que estava rodeada por uma muralha com sete portas, três delas decoradas com relevos e tijolos vitrificados. No interior, erguia-se o palácio de Sargon, um grande templo, as residências e os templos menores. Seu filho e sucessor, Senaqueribe, que reinou entre os anos de 705 e 681 a.C., mudou a capital para Nínive, onde construiu seu próprio palácio, o qual denominou "palácio sem rival". Os assírios adornaram seus palácios com magníficos relevos esculturais.
A arte dos entalhadores de selos do último período assírio é uma combinação de realismo e mitologia. Mesmo nas cenas naturalistas, aparecem símbolos dos deuses. Datam desse período, em Nimrud e em Jorsabad, fabulosas esculturas de marfim. Na primeira, foram encontradas milhares de pequenas figuras de elefantes, que manifestam uma grande variedade de estilos.


OS CALDEUS (612 A. C – 539 A.C.)

A Caldéia era uma região no sul da Mesopotâmia, principalmente na margem oriental do rio Eufrates, mas muitas vezes o termo é usado para se referir a toda a planície mesopotâmica. A região da Caldéia é uma vasta planície formada por depósitos do Eufrates e do Tigre, estendendo-se a cerca de 250 quilômetros ao longo do curso de ambos os rios, e cerca de 60 quilômetros em largura.

Os Caldeus foram uma tribo (acredita-se que tenham emigrado da Arábia) que viveu no litoral do Golfo Pérsico e se tornou parte do Império da Babilônia. Esse império ficou conhecido como Neobabilônico ou Segundo Império Babilôncio. Seu mais importante soberano foi Nabucodonosor.
Em 587 a.C., Nabucodonosor conquistou Jerusalém. Além de estender seus domínios, foram feitos muitos escravos entre os habitantes de Jesuralém. Seguiu-se então um período de prosperidade material, quando foram construídos grandes edifícios com tijolos coloridos.
Em 539 a.C., Ciro, rei dos persas, apoderou-se de Babilônia e transformou-a em mais uma província de seu gigantesco império.


OS AMORITAS
Os amoritas eram povos semitas oriundos do deserto sírio-árabe que invadiram as cidades-Estado da Mesopotâmia por volta de 2000 a.C., após a queda da civilização suméria-arcadiana.
Eles ergueram a cidade da Babilônia, que seria o principal centro comercial mesopotâmico graças à estratégica localização – cerca de 75 quilômetros da atual capital iraquiana Bagdá. O primeiro império foi erguido por Amoreu Sumuabum, por volta de 1894 a.C., resultando em diversas disputas com remanescentes dos povos sumérios e arcadianos até a unificação realizada pelo Imperador Hamurabi, formando o Primeiro Império Babilônico.

Hamurabi foi responsável por um grande avanço no setor agricultor ao construir canais de irrigação próximos aos rios, além de expandir o reino babilônico para além do Golfo Pérsico, agregando territórios da atual Turquia, do rio Khabur, na Síria e nos montes Zagros, mais ao leste.
Tais avanços imperiais exigiam um controle efetivo do Estado, que ficava responsável por fiscalizar todas as obras empreendidas pelo imperador. Com isso, o Estado ficou centralizado na mão da monarquia, que com o passar dos tempos mostraria caráter mais interventor e autoritário em suas decisões.
Apesar de tomar a cidade dos antigos povos sumérios e arcadianos, que desenvolveram suas próprias culturas, os amoritas adotaram a mesma escrita, arte, literatura e sistema de educação, apesar de manterem seu idioma de origem semita.
Na prática comercial, os mercadores eram subordinados ao Estado na venda de produtos artesanais, auxiliando a monarquia na cobrança de impostos dos contribuintes. De fato, as atividades privadas eram subsidiadas pelo Estado, que fornecia propriedades agrícolas aos funcionários públicos e arrendatários, fazendo com que o poder público controlasse o giro da economia.
Eram politeístas (ou seja, acreditavam em mais de um deus), presenciaram uma grande reforma religiosa a mando de Hamurabi. O deus Marduk seria elevado como principal divindade de toda a Mesopotâmia, recebendo uma importante reverência com a construção do zigurate de Babel, que seria citado no livro de Gênesis, na Bíblia, como a tentativa humana de chegar ao céu.
Com a morte da importante figura política de Hamurabi, o Império Babilônico cairia com as revoltas populares das cidades-Estado dominadas, as conspirações contra a sucessão imperial e as grandes cargas de trabalho delegadas pelo Estado aos camponeses. Isso daria margem para a invasão dos cassitas – povo indo-europeu que habitava no leste do rio Tigre – à Baixa Mesopotâmia, acabando com o domínio dos amoritas.


QUEM FOI HAMURABI

Hamurabi nasceu supostamente por volta de 1810 a.C. e morreu em 1750 a.C., foi o sexto rei da primeira dinastia babilônica dos Amoritas e o fundador do 1º Império Babilônico, unificando amplamente o mundo mesopotâmico, unindo os sumérios e os semitas e conduzindo a Babilônia ao máximo esplendor.

Seu nome permanece diretamente ligado a um dos mais importantes códigos jurídicos da antiguidade: o Código de Hamurabi. Pouco depois de ascender ao trono, o jovem soberano deu início à fusão de semitas e sumérios em uma unidade política e civil, imposta não só pelas armas, mas também pela ação administrativa e pacificadora, desta forma conquistando, através de acordos e guerras, quase toda Mesopotâmia. 

Como legislador consolidou a tradição jurídica, harmonizou os costumes e estendeu o direito e a lei a todos os súditos. Como administrador, cercou a capital com muralhas, restaurou os templos mais importantes e instituiu impostos e tributos em benefício das obras públicas, retificou o leito do rio Eufrates, construiu novos e manteve antigos canais de irrigação e navegação, dando impulso à agricultura e o comércio na planície mesopotâmica. Aos povos conquistados, permitiu o culto da religião local, enquanto reconstruía suas cidades e adornava seus templos. Inseriu a noção de direito e comandou o território sob o seu poder. Foi o autor de um famoso código penal, o mais antigo da história, que leva seu nome.
O Código de Hamurabi estabelecia regras de vida e de propriedade, estendendo a lei a todos os súditos do império. Seu texto contendo 282 princípios foi reencontrado em Susa (1901-1902), por uma delegação francesa na Pérsia, sob a direção de Jacques de Morgan, sob as ruínas da acrópole de Susa, e transportado para o Museu do Louvre, Paris. Consiste de um monumento em forma de cone talhado em rocha de diorito, em pedra negra de 2,25m de altura, 1,60m de circunferência na parte superior e 1,90m de base. A superfície está coberta por um denso texto que  se dispõem 46 colunas de escrita cuneiforme acádica.

No alto do monumento, Hamurabi recebe de Shamash, deus dos oráculos, as leis da equidade da justiça, dispostas em 46 colunas de 3.600 linhas. Nele estão codificadas as leis de seu tempo, de um reino de cidades unificadas, um agrupamento de disposições casuísticas, de ordem civil, penal e administrativa. Determinava penas para as infrações, baseadas na lei de talião: olho por olho, dente por dente,  sangue por sangue, carne por carne e da ordália (julgamento divino).

Algumas leis que constam no Código de Hamurabi:
1 – Se alguém enganar a outrem, difamando esta pessoa, e este outrem não puder provar, então aquele que enganou deve ser condenado à morte.
14 – Se alguém roubar o filho menor de outrem, este alguém deve ser condenado à morte.
21 – Se alguém arrombar uma casa, ele deverá ser condenado à morte na frente do local do arrombamento e ser enterrado.
48 – Se alguém tiver um débito de empréstimo e uma tempestade prostrar os grãos ou a colheita for ruim, ou os grãos não crescerem por falta d’água, naquele ano a pessoa não precisa dar ao seu credor dinheiro algum. Ele deve lavar sua tábua de débito na água e não pagar aluguel naquele ano.
129 – Se a esposa de alguém for surpreendida em flagrante com outro homem, ambos devem ser amarrados e jogados dentro d’ água, mas o marido pode perdoar a sua esposa, assim como o rei perdoa a seus escravos.

138 – Se um homem quiser se separar e sua esposa que lhe deu filhos, ele deve dar a ela a quantia do preço que pagou por ela e o dote que ela trouxe da casa de seu pai, e deixá-la partir.
194 – Se alguém der seu filho para uma ama e a criança morrer nas mãos desta ama, mas a ama, com o desconhecimento do pai e da mãe, cuidar de outra criança, então eles devem acusá-la de estar cuidando de uma outra criança sem o consentimento do pai e da mãe. O castigo desta mulher será ter os seus seios cortados”

RESUMO DAS CIVILIZAÇÕES

Localização
- Atual Iraque
- Entre os Rios Tigre e Eufrates

Características
- Alta rotatividade no domínio;
- Entre os rios Tigre e Eufrates;
- Região muito fértil;
- Geograficamente não favorável;
 - Sem proteções naturais;
Sumérios e Acádios
- Sumérios se fixam na Caldéia em 3500a.C.;
- Diversas cidades-Estado governadas por Patesi;
- Escrita cuneiforme;
- Invasões e domínio acadiano (2300a.C.);
- Sargão I – 1º rei Mesopotâmico;
- Sequência de Invasões – Ressurgimento dos sumérios;
- Invasões Amoritas – 1º Império Mesopotâmico;

1º Império Mesopotâmico
- Babilônia, nova capital;
- Hamurabi – código de Hamurabi – Lei de Talião;
- Invasões hititas e cassitas;
- Invasões assírias;

Império Assírio
- Famosos pela crueldade;
- Conquista do Reino de Israel;
- Construção da Biblioteca de Ninive;
- Retomada dos Caldeus e imposição do 2º Império Babilônico;

2º Império Babilônico
- Apogeu de Nabucodonossor;
- Jardins Suspensos da Babilônia;
- Cativeiro da Babilônia (hebreus);
- Morte de Nabucodonossor;
- Decadência;
- Tomada pelos Persas;
Economia e Sociedade
- Agricultura (trigo e cevada);
- Artesanato e comercio cresceram posteriormente;
- Monarquia Teocrática absoluta;
- Controle de excedente agrícola pelos templos;
- Pirâmide social composta pelo rei no topo, abaixo a aristocracia composta pelos sacerdotes e militares, seguida pela grande massa de trabalhadores e alguns escravos.

Religião
- Descendência quase que total dos sumérios;
- Politeístas (divindades ligadas à natureza);
- Lenda do Dilúvio (deus Marduk e Gilgamés);
- Lenda da Criação;
- Recompensas terrenas imediatas;
- Não acreditavam em vida após a morte;

Ciências, Artes e Escrita
- Conhecimento científico respeitável;
- Descobrimento de 5 planetas;
- Divisão do círculo em 360 graus;
- Sistema sexagesimal;
- Desenvolvimento matemático;
- Arquitetura destacável (Zigurates);
- Escrita Cuneiforme;
- Literatura Desenvolvida;
  

Fontes:
www.ahistoria.com.br
www.brasilescola.com.br

terça-feira, 7 de agosto de 2012

ARQUEOLOGIA BÍBLICA

 A Natureza e o Propósito da Arqueologia Bíblica.


A palavra arqueologia vem de duas palavras gregas, archaios e logos, que significam literalmente “um estudo das coisas antigas”. No entanto, o termo se aplica, hoje, ao estudo de materiais escavados pertencentes a eras anteriores. A arqueologia bíblica pode ser definida como um exame de artefatos antigos outrora perdidos e hoje recuperados e que se relacionam ao estudo das Escrituras e à caracterização da vida nos tempos bíblicos.
A arqueologia é basicamente uma ciência. O conhecimento neste campo se obtém pela observação e estudo sistemáticos, e os fatos descobertos são avaliados e classificados num conjunto organizado de informações. A arqueologia é também uma ciência composta, pois busca auxílio em muitas outras ciências, tais como a química, a antropologia e a zoologia.
Naturalmente, alguns objetos de investigação arqueológica (tais como obeliscos, tempos egípcios e o Partenon em Atenas) jamais foram “perdidos”, mas talvez algum conhecimento de sua forma e/ou propósito originais, bem como o significado de inscrições neles encontradas, tenha se perdido.

Funções da Arqueologia Bíblica


A arqueologia auxilia-nos a compreender a Bíblia. Ela revela como era a vida nos tempos bíblicos, o que passagens obscuras da Bíblia realmente significam, e como as narrativas históricas e os contextos bíblicos devem ser entendidos.
A Arqueoloia também ajuda a confirmar a exatidão de textos bíblicos e o conteúdo das Escrituras. Ela tem mostrado a falsidade de algumas teorias de interpretação da Bíblia. Tem auxiliado a estabelecer a exatidão dos originais gregos e hebraicos e a demonstrar que o texto bíblico foi transmitido com um alto grau de exatidão. Tem confirmado também a exatidão de muitas passagens das Escrituras, como, por exemplo, afirmações sobre numerosos reis e toda a narrativa dos patriarcas.
Não se deve ser dogmático, todavia, em declarações sobre as confirmações da arqueologia, pois ela também cria vários problemas para o estudante da Bíblia. Por exemplo: relatos recuperados na Babilônia e na Suméria descrevendo a criação e o dilúvio de modo notavelmente semelhante ao relato bíblico deixaram perplexos os eruditos bíblicos. Há ainda o problema de interpretar o relacionamento entre os textos recuperados em Ras Shamra (uma localidade na Síria) e o Código Mosaico. Pode-se, todavia, confiantemente crer que respostas a tais problemas virão com o tempo. Até o presente não houve um caso sequer em que a arqueologia tenha demonstrado definitiva e conclusivamente que a Bíblia estivesse errada!

Por Que Antigas Cidades e Civilizações Desapareceram


Sabemos que muitas civilizações e cidades antigas desapareceram como resultado do julgamento de Deus. A Bíblia está repleta de tais indicações. Algumas explicações naturais, todavia, também devem ser brevemente observadas.
As cidades eram geralmente construídas em lugares de fácil defesa, onde houvesse boa quantidade de água e próximo a rotas comerciais importantes. Tais lugares eram extremamente raros no Oriente Médio antigo. Assim, se alguma catástrofe produzisse a destruição de uma cidade, a tendência era reconstruir na mesma localidade. Uma cidade podia ser amplamente destruída por um terremoto ou por uma invasão. Fome ou pestes podiam despovoar completamente uma cidade ou território. Nesta última circunstância, os habitantes poderiam concluir que os deuses haviam lançado sobre o local uma maldição, ficando assim temerosos de voltar. Os locais de cidades abandonadas reduziam-se rapidamente a ruínas. E quando os antigos habitantes voltavam, ou novos moradores chegavam à região, o hábito normal era simplesmente aplainar as ruínas e construir uma nova cidade. Formava-se, assim, pequenos morros ou taludes, chamados de tell, com muitas camadas superpostas de habitação. Às vezes, o suprimento de água se esgotava, rios mudavam de curso, vias comerciais eram redirecionadas ou os ventos da política sopravam noutra direção - o que resultava no permanente abandono de um local.

A Escavação de um Sítio Arqueológico


O arqueólogo bíblico pode ser dedicar à escavação de um sítio arqueológico por várias razões. Se o talude que ele for estudar reconhecidamente cobrir uma localidade bíblica, ele provavelmente procurará descobrir as camadas de ocupações relevantes à narrativa bíblica. Ele pode estar procurando uma cidade que se sabe ter existido mas ainda não foi positivamente identificada. Talvez procure resolver dúvidas relacionadas à proposta identificação de um sítio arqueológico. Possivelmente estará procurando informações concernentes a personagens ou fatos da história bíblica que ajudarão a esclarecer a narrativa bíblica.
Uma vez que o escavador tenha escolhido o local de sua busca, e tenha feito os acordos necessários (incluindo permissões governamentais, financiamento, equipamento e pessoal), ele estará pronto para começar a operação. Uma exploração cuidadosa da superfície é normalmente realizada em primeiro lugar, visando saber o que for possível através de pedaços de cerâmica ou outros artefatos nela encontrados, verificar se certa configuração de solo denota a presença dos resto de alguma edificação, ou descobrir algo da história daquele local. Faz-se, sem seguida, uma mapa do contorno do talude e escolhe-se o setor (ou setores) a ser (em) escavado (s) durante uma sessão de escavações. Esses setores são geralmente divididos em subsetores de um metro quadrado para facilitar a rotulação das descobertas.

A Arqueologia e o Texto da Bíblia


Embora a maioria das pessoas pense em grandes monumentos e peças de museu e em grandes feitos de reis antigos quando se faz menção da arqueologia bíblica, cresce o conhecimento de que inscrições e manuscritos também têm uma importante contribuição ao estudo da Bíblia. Embora no passado a maior parte do trabalho arqueológico estivesse voltada para a história bíblica, hoje ela se volta crescentemente para o texto da Bíblia.
O estudo intensivo de mais de 3.000 manuscritos do Novo Testamento (N.T.) grego, datados do segundo século da era cristão em diante, tem demonstrado que o N.T. foi notavelmente bem preservado em sua transmissão desde o terceiro século até agora. Nem uma doutrina foi pervertida. Westcott e Hort concluíram que apenas uma palavra em cada mil do N.T. em grego possui uma dúvida quanto à sua genuinidade.
Uma coisa é provar que o texto do N.T. foi notavelmente preservado a partir do segundo e terceiro séculos; coisa bem diferente é demonstrar que os evangelhos, por exemplo, não evoluíram até sua forma presente ao longo dos primeiros séculos da era cristã, ou que Cristo não foi gradativamente divinizado pela lenda cristã. Na virada do século XX uma nova ciência surgiu e ajudou a provar que nem os Evangelhos e nem a visão cristã de Cristo sofreram evoluções até chegarem à sua forma atual. B. P. Grenfell e A. S. Hunt realizaram escavações no distrito de Fayun, no Egito (1896-1906), e descobriram grandes quantidades de papiros, dando início à ciência da papirologia.
Os papiros, escritos numa espécie de papel grosseiro feito com as fibras de juncos do Egito, incluíam uma grande variedade de tópicos apresentados em várias línguas. O número de fragmentos de manuscritos que contêm porções do N.T. chega hoje a 77 papiros. Esses fragmentos ajudam a confirmar o texto feral encontrado nos manuscritos maiores, feitos de pergaminho, datados do quarto século em diante, ajudando assim a forma uma ponte mais confiável entre os manuscritos mais recentes e os originais.

O impacto da papirologia sobre os estudos bíblicos foi fenomenal. Muitos desses papiros datam dos primeiros três séculos da era cristã. Assim, é possível estabelecer o desenvolvimento da gramática nesse período, e, com base no argumento da gramática histórica, datar a composição dos livros do N.T. no primeiro século da era cristã. Na verdade, um fragmento do Evangelho de João encontrado no Egito pode ser paleograficamente datado de aproximadamente 125 AD! Descontado um certo tempo para o livro entrar em circulação, deve-se atribuir ao quarto Evangelho uma data próxima do fim do primeiro século - é exatamente isso que a tradição cristã conservadora tem atribuído a ele. Ninguém duvida que os outros três Evangelhos são um pouco anteriores ao de João. Se os livros do N.T. foram produzidos durante o primeiro século, foram escrito bem próximo dos eventos que registram e não houve tempo de ocorrer qualquer desenvolvimento evolutivo.
Todavia, a contribuição dessa massa de papiros de todo tipo não pára aí. Eles demonstram que o grego do N.T. não era um tipo de linguagem inventada pelos seus autores, como se pensava antes. Ao contrário, era, de modo geral, a língua do povo dos primeiros séculos da era cristã. Menos de 50 palavras em todo o N.T. foram cunhadas pelo apóstolos. Além disso, os papiros demonstraram que a gramática do N.T. grego era de boa qualidade, se julgada pelos padrões gramaticais do primeiro século, não pelos do período clássico da língua grega. Além do mais, os papiros gregos não-bíblicos ajudaram a esclarecer o significado de palavras bíblicas cujas compreensão ainda era duvidosa, e lançaram nova luz sobre outras que já eram bem entendidas.
Até recentemente, o manuscrito hebraico do Antigo Testamento (A.T.) de tamanho considerável mais antigo era datado aproximadamente do ano 900 da era cristã, e o A.T. completo era cerca de um século mais recente. Então, no outono de 1948, os mundos religioso e acadêmico foram sacudidos com o anúncio de que um antigo manuscrito de Isaías fora encontrado numa caverna próxima à extremidade noroeste do mar Morto. Desde então um total de 11 cavernas da região têm cedido ao mundo os seus tesouros de rolos e fragmentos. Dezenas de milhares de fragmentos de couro e alguns de papiro forma ali recuperado. Embora a maior parte do material seja extrabíblico, cerva de cem manuscritos (em sua maioria parciais) contêm porções das Escrituras. Até aqui, todos os livros do A.T., exceto Éster, estão representados nas descobertas. Como se poderia esperar, fragmentos dos livros mais freqüentemente citados no N.T. também são mais comuns em Qumran (o local das descobertas). Esses livros são Deuteronômio, Isaías e Salmos. Os rolos de livros bíblicos que ficaram melhor preservados e têm maior extensão são dois de Isaías, um de Salmos e um de Levítico.
O significado dos Manuscritos do Mar Morto é tremendo. Eles fizeram recuar em mais de mil anos a história do texto do A.T. (depois de muito debate, a data dos manuscritos de Qumran foi estabelecida como os primeiros séculos AC e AD). Eles oferecem abundante material crítico para pesquisa no A.T., comparável ao de que já dispunham há muito tempo os estudiosos do N.T. Além disso, os Manuscritos do Mar Morto oferecem um referencial mais adequado para o N.T., demonstrando, por exemplo, que o Evangelho de João foi escrito dentro de um contexto essencialmente judaico, e não grego, como era freqüentemente postulado pelos estudiosos. E ainda, ajudaram a confirma a exatidão do texto do A.T. A Septuaginta, comprovaram os Manuscritos do Mar Morto, é bem mais exata do que comumente se pensa. Por fim, os rolos de Qumran nos ofereceram novo material para auxiliar na determinação do sentido de certas palavras hebraicas.


Fonte: “ A Bíblia Anotada”

quarta-feira, 25 de julho de 2012

ACONSELHAMENTO BÍBLICO



I. DEFINIÇÃO DE ACONSELHAMENTO BÍBLICO
I. O que não é aconselhamento bíblico.
O aconselhamento bíblico é uma obrigação de todos os membros que estão bem
solidificados, uma preocupação não apenas dos pastores mas de toda a igreja de Deus
em prover base sólida para o crescimento cristão.
Já que várias distorções da verdade tem surgido com o nome de aconselhamento bíblico,
antes de definirmos com precisão o que é aconselhamento bíblico precisamos saber o
que não é aconselhamento bíblico.
Em primeiro lugar, o aconselhamento bíblico não é uma atividade reservada para os
especialistas. Paulo, em Rm 15, nos diz que o que um conselheiro cristão precisa é estar em comunhão com
Cristo, nos versos de 1 a 13 ele mostra o que Cristo fez por nós e no 14, como consequência disso diz: "E certo
estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o
conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros." Deixando claro que o que precisamos para sermos
bons conselheiros é sermos salvos.
Em segundo lugar devemos notar que o aconselhamento bíblico não é uma atividade opcional para a Igreja.
Podemos ver na atitude de Paulo que ele dava grande ênfase ao aconselhamento. Em At 20:31 ele nos mostra a
intensidade com a qual ele realizava este serviço dizendo que o fazia dia e noite, e o fazia até o ponto de chorar
por eles. Em Cl 1:28 ele nos mostra a amplitude desta obra quando diz que anunciou a todo homem.
Por último devemos notar que o propósito do aconselhamento bíblico não é o bem-estar do homem mas a glória
de Deus. Numa época em que a felicidade do homem esta acima de tudo, devemos notar que, ao contrário do
que faz a psicologia, que se preocupa em como o homem pode alcançar o bem-estar, o aconselhamento
noutético tem o propósito de glorificar a Deus. Paulo nos Adverte quanto a isso em Cl 1:28,29 dizendo:
O qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de
que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o
mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.
Podemos notar aqui o propósito de suas admoestações era "apresentar todo homem perfeito em Cristo" e não
que todo homem alcance felicidade aqui na terra, isto poderia até acontecer, mas é apenas a consequência de
uma vida vivida dentro dos padrões que agradam a Deus.
II. O que é aconselhamento bíblico.
Duas palavras gregas são usadas na bíblia para o aconselhamento bíblico nouqetew (noutheteo) e parakalew
(parakaleo). Baseados nos usos destes dois termos tentaremos formular nossa definição de aconselhamento
bíblico.
O primeiro deste termo (noutheteo) tem três significados básicos: admoestar (At 20:31; Rm 15:14; I Co 4:14; I
Ts 5:12,14), aconselhar (Cl 3:16) e advertir (Cl 1:28; II Ts 3:15) e sempre da a idéia de mostrar ao irmão o seu
erro através da Palavra de Deus e auxilia-lo na correção deste.
O segundo termo (parakaleo), de acordo com Walter Bauer, tem cinco significados. O primeiro deles é chamar
alguém ao lado (At 28:20). O segundo da a idéia de convidar ( Lc 8:41; At 8:31; 13:42; 28:20). Um terceiro
significado é o de requerer, apelar para, rogar (Mt 8:31,34; Lc 7:4; Rm 12:1; I Co 15:16). O quarto significado é
o de confortar, encorajar, incentivar (Lc 16:25; At 16:40; II Co 1:4; Cl 2:2). O último significado é o de consolar,
conciliar, falar de maneira amigável (Mt 5:4; Lc 15:28; I Co 4:13; 14:31; Ef 6:22).
Baseados nestes usos podemos dizer que o verdadeiro aconselhamento bíblico envolve ensinar ao irmão a viver
de maneira a agradar a Deus aqui na terra, confortando-o em suas dificuldades, incentivando-o a permanecer
firme em Cristo, visando o pleno desenvolvimento do irmão e a glória de Deus através deste.
III. A teologia no aconselhamento bíblico.
O aconselhamento bíblico, por definição, tem como base as Escrituras, e uma vez que a Teologia é a ciência que
busca sistematizar o conteúdo bíblico em tópicos, faz-se claro que o aconselhamento bíblico e a Teologia
Sistemática devem andar lado a lado. Devemos notar que as duas se completam. A Teologia é a fonte de
conteúdo para o aconselhamento bíblico, e o aconselhamento bíblico é onde a Teologia sistemática entre em
prática. Esta seção visa demonstrar a ligação entre as várias doutrinas e o aconselhamento bíblico.
A. Bibliologia.
De nosso estudo de bibliologia descobrimos que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus, inerrante em seu
conteúdo, a revelação da vontade de Deus para o homem. Conclui-se que, como fonte de nosso aconselhamento
devemos recorrer a ela para sabermos como fazer a vontade de Deus, que é o propósito do aconselhamento. E
que podemos Ter a certeza de que encontraremos nela tudo o que precisamos para um aconselhamento eficaz.
B. Teologia propriamente dita.
A Teologia propriamente dita nos leva a reconhecer que só existe um Deus que merece todo o nosso louvor pois
Ele é o criador e mantenedor de todo o universo. Logo, devemos Ter em mente que nosso aconselhamento deve
levar o homem a conhecer e se relacionar de forma harmônica com este Deus.
C. Cristologia.
Na doutrina de Cristo entramos em contato com o plano redentor de Deus para o homem, e com a solução
proposta por Deus para o mal que se enraizou no ser humano a partir de sua queda. Concluímos que a única
solução possível para o mal do homem se encontra na pessoa e obra do nosso Senhor Jesus Cristo e não em
alho de bom que o homem possa fazer.
D. Pneumatologia.
Estudando acerca do Espirito Santo vemos que é ele quem convence o mundo do pecado, que é o real problema
da humanidade, inferimos daí que não se não estivermos na dependência do Espirito Santo nada do nosso
esforço terá resultado.
E. Antropologia.
A doutrina do homem nos fala acerca do homem criado por Deus em estado de perfeição, e da ansiedade do
homem por não mais poder desfrutar de um relacionamento aberto com Deus. Então nosso aconselhamento
deve leva-lo a desejar a restauração deste dois elementos.
F. Hamartiologia.
É no estudo da doutrina do pecado que encontramos a descrição perfeita do estado do homem e de suas
necessidades. Um aconselhamento que leva em conta o fator pecado, e todo o mal que ele causou, na vida do
homem esta mais apto para conseguir a solução para o problema do homem.
G. Soteriologia.
Um aconselhamento que já mostrou ao homem a sua condição, através da doutrina do pecado, mostra também
a grandiosidade da transformação que precisa sofrer. É na doutrina da salvação que está a cura para o mal do
homem, a esperança para a sua vida.
H. Eclesiologia.
A doutrina da igreja nos mostra a necessidade que o homem tem de participar do corpo de Cristo, e crescer
junto com este corpo, o aconselhamento cristão levará o homem a reconhecer a necessidade de comunhão com
outros que, como ele, buscam a glória de Deus em suas vidas.
I. Escatologia.
A doutrina das ultimas coisas da ao fiel a certeza da restauração que ele precisa e que irá acontecer um dia,
quando Cristo voltar.
IV. O valor do aconselhamento bíblico.
O valor do aconselhamento bíblico reside exatamente no que ele discorda da psicologia moderna, suas
concepções acerca da natureza do homem, do problema que ele enfrenta e da solução para este.
Enquanto a psicologia vê o homem como inerentemente bom, que só precisa de bons estímulos, e de que o mal
da sociedade que o cerca seja afastado para não influenciar seu comportamento. A Bíblia o descreve como um
ser inteiramente corrompido, que só busca o que é mal aos olhos de Deus e incapaz de fazer o bem. Partindo de
uma perspectiva correta, uma vez que é dada por Deus, ela pode ajudar melhor o homem e não torna-lo cada
vez mais desesperado, como podemos ver no príncipe do existencialismo, Jean Paul Sartre: " O homem está
condenado a liberdade". A Bíblia oferece a solução para o homem sim, mas não para um "homem bom" mas
para um homem totalmente depravado.
Para a psicologia o problema do homem está em sua falta de auto-afirmação, ou no meio ambiente corrompido
em que ele habita. A Bíblia apresenta o pecado como problema maior do homem e isto é que gera sua falta de
auto-afirmação e um meio ambiente pervertido pelo próprio homem.
A cura para o mal do homem está na reestruturação do meio ambiente, como nos diz a psicologia moderna, ou
em qualquer outro fator que esteja ao alcance do homem. Mas a Bíblia nos fala de uma transformação radical
que não pode ser feita pelo próprio homem, mas tem que ser operada por Deus, onde ele vai se despojar do
velho homem e se revestir de um novo homem, uma transformação total, não uma mera correção de atitudes
mas uma transformação de essência.
ASPECTOS FÍSICOS E ESPIRITUAIS DO ACONSELHAMENTO
Para podermos auxiliar alguém em seus problemas é necessário uma perspectiva correta acerca da natureza do
problema que aquela pessoa esta enfrentando.
Nossa posição acerca da natureza do próprio homem influi diretamente em nossa atitude ao tratar dos problemas
do homem.
Se nós cremos que o homem é moralmente bom, com o desejo de fazer as coisas certas e que o atrapalha é
uma sociedade corrompida, um meio ambiente desfavorável ou falta de recursos para que possa agir do modo
correto, nosso esforço deve ser empregado em corrigir os defeitos e falhas da sociedade, melhorar o meio
ambiente em que o homem vive e dar-lhe recursos para que ele consiga agir de modo correto.
Mas se cremos que o homem é inerentemente mau, que o seu coração está totalmente revoltado contra Deus e
que ele não quer e não pode fazer nada de bom, nosso esforço será em levar o homem a reconhecer a sua
incapacidade e colocar sua vida aos pés dAquele que pode fazer uma transformação total na sua vida.
Se nós cremos que por trás de todo mau comportamento do homem há algum fator biológico que o esteja
pressionando a agir de determinada maneira, nossa atitude deve ser a de curar o corpo físico do indivíduo para
que ele possa voltar a agir dentro dos padrões corretos.
Mas se, por outro lado, não aceitamos o que os psicólogos chamam de "doença mental", mas vemos por trás de
atitudes como depressão maníaca, esquizofrenia e outras pecados encobertos na vida das pessoas, nosso alvo
deve ser o de levar estas pessoas a confrontarem os seus pecados com o auxílio do nosso Senhor Jesus Cristo.
Vamos analisar os dois lados do problema (físico e espiritual), com episódios ocorridos na vida do nosso Senhor
para podermos buscar o discernimento necessário para reconhecer o que é doença verdadeiramente e o que
vem como resultado e até pecado direto na vida da pessoa.
O primeiro caso é o do cego de nascença curado pelo Senhor (Jo 9). É importante para o nosso estudo aqui a
pergunta inicial feita pelos discípulos ao Mestre: "Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse
cego?" podemos inferir daqui uma pressuposição importante para nossa análise, os discípulos criam que haviam
doenças que eram resultados de pecados. E devemos notar também que Cristo não combateu esta idéia deles, o
que era de se esperar se ela não fosse verdadeira, então podemos inferir que Cristo também acreditava que
haviam doenças que eram decorrentes do pecado, mas aquele não o caso e o próprio Cristo não o recriminou por
pecado algum, apenas efetuou a sua cura física, sem colocar no cego mais sofrimento, afirmando que ele estava
sofrendo por causa de seu pecado quando não era.
O segundo caso que nós vamos analisar é o caso do paralítico do tanque de Betesda (Jo 5). Neste caso podemos
de novo a crença de Jesus de que haviam doenças que eram decorrentes de pecado, e que neste caso, o
paralítico, provavelmente estava naquela situação exatamente por causa de seu pecado, pois Cristo o advertiu a
não pecar mais para que não sucedesse a ele coisa pior. Note que Cristo não ousou confrontar o pecado do
pecador quando foi o caso, mas ele não o fez na outra ocasião.
Logo, nós, como conselheiros devemos estar em constante dependência de Deus para não nos tornarmos como
os amigos de Jó que só aumentaram ainda mais seu sofrimento, acusando-o de um pecado que ele não tinha
cometido, mas também não devemos tratar tudo como causas naturais pois é nosso dever guiar as pessoas em
pecado a restauração com Deus.
O PROCESSO BÍBLICO DE MUDANÇA
Para entendermos o processo bíblico de mudança faz-se necessário Ter uma visão correta do que a Bíblia diz ser
a condição do homem.
Para isso vamos passar pela história do homem desde à sua criação.
Deus criou um homem perfeito, com capacidades de se relacionar com outros seres, com capacidade para
dominar sobre a criação e com a necessidade de se relacionar com Ele.
Neste relacionamento homem = Deus, haviam papéis definidos que deveriam ser respeitados para um
relacionamento saudável. Deus como criador tinha muito a ensinar ao homem, era seu conselheiro por
excelência, um dos conselhos mais importantes era, você não deve comer da árvore do conhecimento do bem e
do mal. Mas o homem não gostou de receber conselhos apenas de Deus e buscou outro conselheiro, como um
ser livre, ele teria responsabilidades sobre suas ações e colheria as consequências delas, e a consequência desta
escolha do homem foi a perda de vários dos privilégios que o homem tinha com Deus.
Algumas delas são: ele ganhou o conhecimento do bem e do mal, mas não podia mas escolher entre eles pois
seu desejo agora só se voltaria para o mal; ele sofreu consequências físicas, a partir dali o homem começara a
morrer física e espiritualmente; O homem também perdera o relacionamento tão precioso que tinha com Deus,
para se tornar seu inimigo, e devemos notar que esta é uma das maiores consequências para um ser que foi
criado para se relacionar com Deus, isto trouxe frustração profunda ao homem, mesmo que ele não saiba disso,
pois uma de suas necessidades básicas não estava mais sendo atendidas.
Desde então o homem tem se degenerado cada dia mais e o que podemos ver é sociedade totalmente frustrada
por não se relacionar com Deus, voltando-se para práticas místicas, pois estão descobrindo que eles tem sede de
algo espiritual, o ateísmo não resolveu o problema do homem, agora ele se volta ao misticismo, que também
falhará.
A mudança que o homem precisa, de acordo com a Bíblia, não é uma restauração das estruturas sociais, Cristo
não pregou um evangelho de igualdade social, mas pregou um evangelho de transformação radical.
O homem não precisa de um pequeno retoque para se tornar aceitável diante de Deus, ele precisa ser
totalmente transformado, precisa que o seu coração de pedra seja arrancado e seja colocado um coração de
carne.
A tarefa de transformar vidas de homens não é algo fácil que o próprio homem pode conseguir, nem mesmo os
melhores métodos de transformação já desenvolvidos pelo homem pode levá-lo a transformação que ele precisa,
nem a maior força de vontade que já foi vista sobre a terra é útil na restauração que o homem precisa sofrer.
Jeremias nos mostra a grandeza de tal tarefa quando afirma: "Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o
leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal." Esta é a situação
do homem, totalmente acostumado a fazer o mal, com o seu coração totalmente corrompido de forma que não
pode mais escolher entre o bem e o mal.
Mas no meio de todo este quadro há uma esperança para o homem, uma transformação tão radical quanto a
que ele precisa, uma transformação que vai mudar toda a sua essência, que vai trocar todos os seus valores.
Cristo descreve esta transformação em Jo 3, quando fala de um novo nascimento, nada dessa velha vida serve
para ser reaproveitado então o homem tem que nascer de novo. O processo de mudança também é bem
explicado pelo apóstolo Paulo, dizendo:
no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as
concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem,
criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.
Podemos ver descrito aqui o que cremos ser o processo correto para a transformação na vida daquele que
tocado por Deus. Podemos ver que ele tem que abandonar as velhas práticas que antes faziam parte de seu
viver diário, o que nós podemos chamar, usando a terminologia bíblica, de despojar. E uma vez despojado, ou
seja, retirado tudo aquilo que estava contaminado no homem, toda a sua velha natureza, ele pode agora ser
revestido de uma nova natureza, uma natureza agora capaz de novo de se relacionar com Deus, e auxiliada pelo
Espirito Santo a poder de novo escolher a fazer o bem.
Assim o homem consegue esta transformação, primeiro sendo transformado pelo Espirito Santo, dando a ele
nova vida e depois agindo em cooperação com Espirito Santo buscando uma vida de santificação, ou seja, sendo
de novo restaurado a imagem de Cristo, como fora criado. A melhor definição de santificação dada é a do
apóstolo Paulo, quando ele afirma: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a
glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o
Espírito." Podemos notar aqui todos os passos da transformação. Primeiro nosso rosto foi desvendado, foi
restaurada a nossa visão, ocorreu a nossa regeneração. E em seguida nós somos auxiliados pelo Espirito Santo a
nos tornarmos a imagem de Cristo de forma gradual.
Só o processo bíblico de despojar / revestir pode realmente provocar a mudança que o homem precisa, e nós
podemos ver isto desde a conversão onde o pecador é despojado da velha natureza e revestido de uma nova
natureza. Temos também o apoio do próprio Senhor Jesus Cristo, no episódio da expulsão dos demônios quando
ele explica que:
Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; e, não o achando, diz:
Voltarei para minha casa, donde saí. E, tendo voltado, a encontra varrida e ornamentada. Então, vai e leva
consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem se
torna pior do que o primeiro.
Note que ali havia apenas transformação exterior mas não havia revestimento, então a sua situação se tornara
pior, mas a verdadeira transformação não deixa a casa vazia mas a enche com o Espirito Santo, dando assim
condições de haver mudança real.
COMPARAÇÃO DE MODELOS DE ACONSELHAMENTO
Quando defendemos o método do aconselhamento bíblico, pressupomos que em comparação com os outros
métodos ele apresenta vantagens que vão realmente fazer uma grande diferença, que eles tem pressupostos
diferentes e que os pressupostos do aconselhamento bíblico estão mais de acordo com a realidade do homem
como o descreve a Bíblia. Esta seção visa fazer uma comparação entre o aconselhamento bíblico e os outros
tipos de aconselhamento.
I. Comparando a epistemologia dos conselheiros.
A maioria absoluta dos conselheiros de hoje vivem em uma cosmovisão totalmente ateísta que não pretende
levar Deus a sério, eles estão tão secularizados que não conseguem enxergar nada que vá além deste mundo
algo que não esteja ligado apenas com o físico mas algo que nos una a um Deus, que é transcendente e
imanente ao mesmo tempo ao deus real. Logo, sua fonte de epistemologia esta totalmente ligada aos seus
estudos, ao que eles podem descobrir através dos sentidos, ou teorias produzidas pela razão humana, ou ainda,
algo ligado a suas intuições, mas descartam completamente qualquer fonte de revelação exterior.
Os conselheiros bíblicos, ao contrário, tem ao seu dispor, além da verdadeira ciência, a verdadeira fonte de
informação acerca dos homens, e assim podem fazer uma melhor análise de sua situação real. Esta fonte pode
ser dividida em duas áreas, que nós chamamos geral e especial.
A fonte de revelação geral é o que Deus colocou a disposição de todos os homens de todas as épocas e lugares
para que eles possam saber como viver uma vida que agrada a Deus, mesmo sem conhecer a este Deus. Como
agentes dessa revelação nós temos a natureza, o salmista nos mostra todas as pessoas da terra tem acesso a
este conhecimento:
Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro
dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve
nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo.
Aí, pôs uma tenda para o sol, o qual, como noivo que sai dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer
o seu caminho. Principia numa extremidade dos céus, e até à outra vai o seu percurso; e nada refoge ao seu
calor.
Deus se revelou a todos os homens para que todos pudessem ter O direito de conhece-Lo, mas o homem não
valorizou este conhecimento trocando-o por várias outras fontes de sabedoria mundana, o apóstolo Paulo nos
mostra o que o homem fez com esta revelação de Deus:
A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela
injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.
Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade,
claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram
criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;
Aqui o apóstolo deixa claro que Deus deixou ao homem a verdadeira fonte de conhecimento mas ele perverteu
esta fonte com a sua injustiça, e por isso eles não tem desculpas a apresentar diante de Deus, como se não
conhecessem a verdade, porque foram eles que apagaram a verdade divina de suas vidas.
Há ainda a segundo área de revelação, que é a revelação geral. Que a manifestação de Deus a homens
específicos em tempos e lugares específicos, esta revelação tem o propósito salvífico de restaurar a comunhão
entre Deus e o homem fazendo com que o homem conheça a salvação providenciada por Deus para ele. Está é a
mais completa fonte de conhecimento do homem, pois nela encontramos tudo para que possamos viver uma
vida agradável a Deus, enquanto a primeira nos leva a reconhecer que estamos perdidos sem Deus, esta nos
apresenta o Deus que pode nos salvar. Paulo descreve assim seu valor:
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação
na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.
Neste texto podemos ver seu alto valor para o aconselhamento bíblico, ela é útil para: ensinar, repreender,
corrigir e educar. E ainda tem o mesmo propósito do aconselhamento bíblico que é o de levar todo homem a
maturidade em Cristo visando a glória de Deus.
II. Comparando os métodos dos conselheiros.
Os métodos utilizados pelos conselheiros são contrastantes com o método bíblico, nesta seção iremos analisar os
métodos utilizados a luz das Sagradas Escrituras.
A. Psicologia profunda.
Criado por Sigmund Freud, defende que o homem é um animal que age instintivamente, o homem é dividido em
id, ego e superego. Como animal o homem não tem nenhuma responsabilidade sobre suas ações e o sentimento
de culpa é apenas fruto de padrões impostos pelos outros homens. Freud defendia que a solução para o
problema do homem era tornar todo o seu potencial real, fortalecendo o seu ego. Esta posição tem uma
perspectiva errada acerca do homem pois não o retrata como totalmente depravado, exalta o homem em si
mesmo como alguém bom que só precisa de uma pequena reformulação de conceitos.
B. Neo-Adlerianos.
Criado por Alfred Adler, desenvolveu a psicologia individual. Para Adler o homem é um animal socialmente
governado e seu problema é o complexo de inferioridade só que a responsabilidade deste problema não é
individual mas da sociedade. São erros nos pensamentos e valores da sociedade, e falta de confiança em si
mesmo que fazem o homem se sentir culpado. Então o homem precisa buscar a superioridade e controlar o seu
próprio destino, para isso ele tem que mudar a maneira de pensar para sentir-se e comportar-se melhor. Esta
posição está totalmente baseada em princípios anti-bíblicos como o orgulho e a idéia de que o homem é uma
vítima, quando a Bíblia afirma claramente que o homem não tem nada em que se gloriar, ele é um pecador
desesperado e só pode ser transformado por Jesus Cristo, tem ainda uma visão errada da condição do homem
achando que ele pode se curar apenas mudando seus pensamentos, quando o que ele precisa é de uma
verdadeira regeneração.
C. Comportamental.
Desenvolvida por Burrhus Frederic Skinner, esta teoria vê o homem como um animal que pode ser condicionado
para fazer tanto o bem como o mal, ele defende a idéia de "tabula rasa", o grande problema do homem é a falha
ambiental e portanto ele não deve ser responsabilizado, na verdade Skinner vê o homem como um ser amoral. O
tratamento indicado para Skinner é que o maio ambiente do homem seja mudado, uma vez que é ele que
condiciona o homem. A culpa para Skinner não é real, uma vez que o homem é amoral e que não há mal
absoluto então a solução para o problema da culpa é modificar o padrão do homem de acordo com suas
necessidades. Esta teoria esta em contraste gritante com o padrão bíblico, pois ela ignora o homem como um ser
espiritual e tira do homem todo o senso de liberdade e responsabilidade que Deus atribuiu a ele, também cria no
homem uma mentalidade de que o homem é vítima do que lhe acontece já que é o meio ambiente que é o
responsável o que também contraria o ensino bíblico. E ainda defende uma teoria acerca do homem que o
transforma em mero produto do meio ambiente, quando o que nós vemos na Bíblia é que é o homem que levou
o meio ambiente para o mal quando caiu (Gn 3:17).
D. Teoria racional-emotiva.
Criada por Albert Ellis. Ellis Vê o homem como basicamente bom e com muito potencial interno. O problema do
homem é que ele é vítima de crenças falhas e irracionais acerca de si mesmo que forma implantadas nele desde
a sua infância, então a culpa não é do homem mas do sistema de crenças deste, que é quem cria no homem um
pensamento errôneo de que ele é culpado e este pensamento resulta em comportamento neurótico que
prejudicam o homem, logo, o homem deve eliminar esta visão de errônea da vida e adquirir uma visão real, de
acordo com a sua razão de sua vida, ele tem que mudar ativamente o seu conceito de vida para poder desfrutar
todo o seu potencial interno. Esta cosmovisão é totalmente anti-bíblica e humanística, que engana o homem
dando a ele a esperança de encontrar mudanças em conceitos dentro de si mesmo quando o único lugar que
existe solução real é junto a Jesus Cristo. Também contradiz a declaração bíblica de que o homem está
totalmente corrompido pelo pecado e não pode fazer nada, em si mesmo, para mudar este quadro, esta
mudança que é muito mais radical do que a mera troca de conceitos só pode ser efetuada por Deus.
E. Terceira força.
Teoria desenvolvida por Carl Ransom Rogers. Rogers foi profundamente influenciado pela cosmovisão otimista de
sua época e cria que o homem poderia transformar toda a sociedade em redor, via o homem como bom, com
muito potencial interior e em estado de maturidade, pronto para dar novos frutos, o problema é que ele vivia em
um meio ambiente que atrapalhava seu desenvolvimento, logo, a responsabilidade pelos problemas da sociedade
não é do homem já que é apenas uma vítima do meio ambiente e em consequência disso visão da culpa humana
não era importante. O tratamento para o seu problema era uma buscar uma solução interna ajudando o homem
a transformar todo o sue potencial em realidade, o homem não deveria sentir culpa já que tudo o que ele fizesse
para estar confortável consigo mesmo era certo e até mesmo necessário. Esta teoria contradiz o padrão bíblico
no que diz respeito a fonte da cura, não podemos encontrar cura para os nossos problemas em nós mesmos
porque nós é que somos a fonte dos nossos problemas, nossa cura não é externa mas vem do Senhor Jesus
Cristo, ainda não podemos fazer tudo o que quisermos para o nosso bem-estar pois nosso propósito aqui não é o
de buscar prazeres mas buscar a glória de Deus.
F. Sistemas de famílias.
Desenvolvido por Ackerman, sua visão do homem é que ele é o produto de relacionamentos defeituosos e falhos,
não só os relacionamentos do homem são falhos, mas eles o soa porque todo o sistema é falho e o homem esta
apenas, casualmente, seguindo o círculo, cumprindo sua função dentro do sistema, logo, a culpa não é do
homem pois ele é apenas um peão do universo. O tratamento a ser seguido é descrito como alterar a maneira
como os diversos relacionamentos são desenvolvidos. Esta cosmovisão não esta de acordo com os dados bíblicos
porque, mais uma vez, ela troca os efeitos pela causa, os relacionamento defeituosos são os efeitos do mal que
existe no homem e não a causa deste, e a cura para estes relacionamentos defeituosos não se encontram no
homem natural mas só podem começar a ser experimentados por aqueles que forma regenerados.
G. Bíblico.
O modelo bíblico foi desenvolvido pela maior autoridade antropológica existente, o criador do próprio homem, e
que por isso conhece o homem como mais ninguém. Neste modelo o homem é tido como um ser criado para
glorificar a Deus e sue problema consiste em que ele se desviou de seu propósito original e agora é pecador por
escolha própria e encontra-se em rebelião total contra Deus, como foi o homem se desviou por escolha própria
ele é responsável por seus atos e a visão da culpa que ele tem é real e resulta de seus pecados. O tratamento
oferecido não é encontrado no próprio homem mas é uma justificação baseada na fé em Deus, seguida por uma
santificação progressiva que irá gradativamente restaurando o homem a sua condição original, para resolver o
seu problema o homem tem que admitir a sua culpar e buscar a resposta em Deus.
I. Comparando as pressuposições dos conselheiros.
Uma das áreas em que nasce todas as diferenças entre os modelos de aconselhamento são as pressuposições.
Podemos notar claramente que é tolice tentar unir estas correntes com o cristianismo porque suas diferenças não
são apenas interpretações de fatos que não concordam, mas são pressuposições que são totalmente divergentes,
logo, é impossível haver união entre elas.
Os psicólogos, em geral, pressupõe que Deus não existe, que o homem deve se preocupar apenas com as causas
naturais, defendem o reducionismo e o individualismo, são relativistas pragmáticos e buscam apenas os prazeres
desta vida, se consideram vítimas da situação e tem tendências gnósticas.
Nenhumas dessas pressuposições podem ser aceitas por cristãos que busca glorificar a Deus acima de tudo, pois
elas tiram o homem de seu lugar apropriado, o inocenta de suas culpas e responsabilidades, despreza Deus a
algo incerto e buscam encontrar realização penas nesta vida sem si importar com a vida porvir.
II. Comparando as teorias de motivação dos conselheiros.
Outra área contrastante entre o modelo de aconselhamento bíblico e os outros modelos são as teorias de
motivação que eles usam com seus aconselhados.
Os outros modelos de aconselhamento usam motivações puramente humanísticas para despertar os seus
aconselhados a realizarem-se plenamente, entre estas motivações podemos notar que a vida do corpo é algo
muito valorizado por eles enquanto que o padrão bíblico é que devemos buscar em primeiro lugar o reino de
Deus e ele cuidará de tudo o que necessitamos (Mt 6:33). Outra fonte de motivação muito usada é o sexo mas o
padrão bíblico é que devemos possuir nosso corpo em santificação pois ele é santuário do Espirito Santo. Há
ainda um apelo as posses materiais quando Deus ordena que nós devemos ser ricos para com Deus (Lc 12:20).
Outra fonte de motivação são as causas sociais e mais uma vez a Bíblia nos ensina que nós devemos nos
preocupar mais com a glória de Deus do que com a dos homens (Jo 12:43). Uma Quinta fonte de motivação é o
poder para realizar coisas mas de novo a Bíblia nos ensina que o maior no reino dos céus e o servo (Lc 22:26). A
auto-estima também é uma grande fonte de motivação mas de novo podemos ver que a Bíblia diz que devemos
nos colocar aos pés de Jesus para seguí-lo (Lc 9:23). Também é utilizada a sede do homem de buscar significado
para a vida e a Bíblia nos ensina que o significado da vida esta em temer a Deus (Ec 12:13). O homem também
busca, a todo custo, evitar a dor e conseguir prazer, mas o ensino bíblico é que passaremos por problemas
enquanto estivermos aqui na terra, mas temos a certeza de que um dia não mais veremos a dor e o sofrimento
(Ap 22:1-5).
Logo, torna-se evidente que a motivação humana, por mais atraente que possa parecer aos nossos olhos, não é
eficaz e nem pode ser alcançada enquanto nós vivermos aqui nesta terra, cabe, portanto, ao conselheiro bíblico
desviar a visão do aconselhado do supostos benefícios que ele pode conseguir enquanto estiver aqui na terra
para levá-lo a contemplar as recompensas dadas por Deus para aqueles que crêem nele.