EZEQUIEL [1]
1 Ora aconteceu no trigésimo
ano, no quarto mês, no dia quinto do mês, que estando eu no meio dos cativos,
junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus.
2 No quinto dia do mês, já no
quinto ano do cativeiro do rei Joaquim,
3 veio expressamente a
palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus,
junto ao rio Quebar; e ali esteve sobre ele a mão do Senhor.
4 Olhei, e eis que um vento
tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo que emitia de
contínuo labaredas, e um resplendor ao redor dela; e do meio do fogo saía uma
coisa como o brilho de âmbar.
5 E do meio dela saía a
semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a
semelhança de homem;
6 cada um tinha quatro
rostos, como também cada um deles quatro asas.
7 E as suas pernas eram
retas; e as plantas dos seus pés como a planta do pé dum bezerro; e luziam como
o brilho de bronze polido.
8 E tinham mãos de homem
debaixo das suas asas, aos quatro lados; e todos quatro tinham seus rostos e
suas asas assim:
9 Uniam-se as suas asas uma à
outra; eles não se viravam quando andavam; cada qual andava para adiante de si;
10 e a semelhança dos seus
rostos era como o rosto de homem; e à mão direita todos os quatro tinham o
rosto de leão, e à mão esquerda todos os quatro tinham o rosto de boi; e também
tinham todos os quatro o rosto de águia;
11 assim eram os seus rostos.
As suas asas estavam estendidas em cima; cada qual tinha duas asas que tocavam
às de outro; e duas cobriam os corpos deles.
12 E cada qual andava para
adiante de si; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando
andavam.
13 No meio dos seres viventes
havia uma coisa semelhante a ardentes brasas de fogo, ou a tochas que se moviam
por entre os seres viventes; e o fogo resplandecia, e do fogo saíam relâmpagos.
14 E os seres viventes
corriam, saindo e voltando à semelhança dum raio.
15 Ora, eu olhei para os
seres viventes, e vi rodas sobre a terra junto aos seres viventes, uma para
cada um dos seus quatro rostos.
16 O aspecto das rodas, e a
obra delas, era como o brilho de crisólita; e as quatro tinham uma mesma
semelhança; e era o seu aspecto, e a sua obra, como se estivera uma roda no
meio de outra roda.
17 Andando elas, iam em
qualquer das quatro direções sem se virarem quando andavam.
18 Estas rodas eram altas e
formidáveis; e as quatro tinham as suas cambotas cheias de olhos ao redor.
19 E quando andavam os seres
viventes, andavam as rodas ao lado deles; e quando os seres viventes se
elevavam da terra, elevavam-se também as rodas.
20 Para onde o espírito
queria ir, iam eles, mesmo para onde o espírito tinha de ir; e as rodas se
elevavam ao lado deles; porque o espírito do ser vivente estava nas rodas.
21 Quando aqueles andavam,
andavam estas; e quando aqueles paravam, paravam estas; e quando aqueles se
elevavam da terra, elevavam-se também as rodas ao lado deles; porque o espírito
do ser vivente estava nas rodas.
22 E por cima das cabeças dos
seres viventes havia uma semelhança de firmamento, como o brilho de cristal
terrível, estendido por cima, sobre a sua cabeça.
23 E debaixo do firmamento
estavam as suas asas direitas, uma em direção à outra; cada um tinha duas que
lhe cobriam o corpo dum lado, e cada um tinha outras duas que o cobriam doutro
lado.
24 E quando eles andavam, eu
ouvia o ruído das suas asas, como o ruído de muitas águas, como a voz do
Onipotente, o ruído de tumulto como o ruído dum exército; e, parando eles,
abaixavam as suas asas.
25 E ouvia-se uma voz por
cima do firmamento, que estava por cima das suas cabeças; parando eles,
abaixavam as suas asas.
26 E sobre o firmamento, que
estava por cima das suas cabeças, havia uma semelhança de trono, como a
aparência duma safira; e sobre a semelhança do trono havia como que a
semelhança dum homem, no alto, sobre ele.
27 E vi como o brilho de
âmbar, como o aspecto do fogo pelo interior dele ao redor desde a semelhança
dos seus lombos, e daí para cima; e, desde a semelhança dos seus lombos, e daí
para baixo, vi como a semelhança de fogo, e havia um resplendor ao redor dele.
28 Como o aspecto do arco que
aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor.
Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isso, caí com o
rosto em terra, e ouvi uma voz de quem falava.
»EZEQUIEL [2]
1 E disse-me: Filho do homem,
põe-te em pé, e falarei contigo.
2 Então, quando ele falava
comigo entrou em mim o Espírito, e me pôs em pé, e ouvi aquele que me falava.
3 E disse-me ele: Filho do
homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se rebelaram
contra mim; eles e seus pais têm transgredido contra mim até o dia de hoje.
4 E os filhos são de
semblante duro e obstinados de coração. Eu te envio a eles, e lhes dirás: Assim
diz o Senhor Deus.
5 E eles, quer ouçam quer
deixem de ouvir (porque eles são casa rebelde), hão de saber que esteve no meio
deles um profeta.
6 E tu, ó filho do homem, não
os temas, nem temas as suas palavras; ainda que estejam contigo sarças e
espinhos, e tu habites entre escorpiões; não temas as suas palavras, nem te
assustes com os seus semblantes, ainda que são casa rebelde.
7 Mas tu lhes dirás as minhas
palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.
8 Mas tu, ó filho do homem,
ouve o que te digo; não sejas rebelde como a casa rebelde; abre a tua boca, e
come o que eu te dou.
9 E quando olhei, eis que tua
mão se estendia para mim, e eis que nela estava um rolo de livro.
10 E abriu-o diante de mim; e
o rolo estava escrito por dentro e por fora; e nele se achavam escritas
lamentações, e suspiros e ais.
»EZEQUIEL [3]
1 Depois me disse: Filho do
homem, come o que achares; come este rolo, e vai, fala à casa de Israel.
2 Então abri a minha boca, e
ele me deu a comer o rolo.
3 E disse-me: Filho do homem,
dá de comer ao teu ventre, e enche as tuas entranhas deste rolo que eu te dou.
Então o comi, e era na minha boca doce como o mel.
4 Disse-me ainda: Filho do
homem, vai, entra na casa de Israel, e dize-lhe as minhas palavras.
5 Pois tu não és enviado a um
povo de estranha fala, nem de língua difícil, mas à casa de Israel;
6 nem a muitos povos de
estranha fala, e de língua difícil, cujas palavras não possas entender; se eu
aos tais te enviara, certamente te dariam ouvidos.
7 Mas a casa de Israel não te
quererá ouvir; pois eles não me querem escutar a mim; porque toda a casa de
Israel é de fronte obstinada e dura de coração.
8 Eis que fiz duro o teu
rosto contra os seus rostos, e dura a tua fronte contra a sua fronte.
9 Fiz como esmeril a tua
fronte, mais dura do que a pederneira. Não os temas pois, nem te assustes com
os seus semblantes, ainda que são casa rebelde.
10 Disse-me mais: Filho do
homem, recebe no teu coração todas as minhas palavras que te hei de dizer; e
ouve-as com os teus ouvidos.
11 E vai ter com os do
cativeiro, com os filhos do teu povo, e lhes falarás, e tu dirás: Assim diz o
Senhor Deus; quer ouçam quer deixem de ouvir.
12 Então o Espírito me
levantou, e ouvi por detrás de mim uma voz de grande estrondo, que dizia:
Bendita seja a glória do Senhor, desde o seu lugar.
13 E ouvi o ruído das asas
dos seres viventes, ao tocarem umas nas outras, e o banilho das rodas ao lado
deles, e o sonido dum grande estrondo.
14 Então o Espírito me
levantou, e me levou; e eu me fui, amargurado, na indignação do meu espírito; e
a mão do Senhor era forte sobre mim.
15 E vim ter com os do
cativeiro, a Tel-Abibe, que moravam junto ao rio Quebar, e eu morava onde eles
moravam; e por sete dias sentei-me ali, pasmado no meio deles.
16 Ao fim de sete dias, veio
a palavra do Senhor a mim, dizendo:
17 Filho do homem, eu te dei
por atalaia sobre a casa de Israel; quando ouvires uma palavra da minha boca,
avisá-los-ás da minha parte.
18 Quando eu disser ao ímpio:
Certamente morrerás; se não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca
do seu mau caminho, a fim de salvares a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua
iniqüidade; mas o seu sangue, da tua mão o requererei:
19 Contudo se tu avisares o ímpio,
e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na
sua iniqüidade; mas tu livraste a tua alma.
20 Semelhantemente, quando o
justo se desviar da sua justiça, e praticar a iniqüidade, e eu puser diante
dele um tropeço, ele morrerá; porque não o avisaste, no seu pecado morrerá e
não serão lembradas as suas ações de justiça que tiver praticado; mas o seu
sangue, da tua mão o requererei.
21 Mas se tu avisares o
justo, para que o justo não peque, e ele não pecar, certamente viverá, porque
recebeu o aviso; e tu livraste a tua alma.
22 E a mão do Senhor estava
sobre mim ali, e ele me disse: Levanta-te, e sai ao vale, e ali falarei
contigo.
23 Então me levantei, e saí
ao vale; e eis que a glória do Senhor estava ali, como a glória que vi junto ao
rio Quebar; e caí com o rosto em terra.
24 Então entrou em mim o
Espírito, e me pôs em pé; e falou comigo, e me disse: Entra, encerra-te dentro
da tua casa.
25 E quanto a ti, ó filho do
homem, eis que porão cordas sobre ti, e te ligarão com elas, e tu não sairás
por entre eles.
26 E eu farei que a tua
língua se pegue ao teu paladar, e ficarás mudo, e não lhes servirás de
repreendedor; pois casa rebelde são eles.
27 Mas quando eu falar
contigo, abrirei a tua boca, e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus: Quem ouvir,
ouça, e quem deixar de ouvir, deixe; pois casa rebelde são eles.
»EZEQUIEL [4]
1 Tu pois, ó filho do homem,
toma um tijolo, e pô-lo-ás diante de ti, e grava nele uma cidade, a cidade de
Jerusalém;
2 e põe contra ela um cerco,
e edifica contra ela uma fortificação, e levanta contra ela uma tranqueira; e
coloca contra ela arraiais, e põe-lhe aríetes em redor.
3 Toma também uma sertã de
ferro, e põe-na por muro de ferro entre ti e a cidade; e olha para a cidade, e
ela será cercada, e tu a cercarás; isso servirá de sinal para a casa de Israel.
4 Tu também deita-te sobre o
teu lado esquerdo, e põe sobre ele a iniqüidade da casa de Israel; conforme o
número dos dias em que te deitares sobre ele, levarás a sua iniqüidade.
5 Pois eu fixei os anos da
sua iniqüidade, para que eles te sejam contados em dias, trezentos e noventa
dias; assim levarás a iniqüidade da casa de Israel.
6 E quando tiveres cumprido
estes dias, deitar-te-ás sobre o teu lado direito, e levarás a iniqüidade da
casa de Judá; quarenta dias te dei, cada dia por um ano.
7 Dirigirás, pois, o teu
rosto para o cerco de Jerusalém, com o teu braço descoberto; e profetizarás
contra ela.
8 E eis que porei sobre ti
cordas; assim tu não te voltarás dum lado para o outro, até que tenhas cumprido
os dias de teu cerco:
9 E tu toma trigo, e cevada,
e favas, e lentilhas, e milho miúdo, e espelta, e mete-os numa só vasilha, e
deles faze pão. Conforme o número dos dias que te deitares sobre o teu lado,
trezentos e noventa dias, comerás disso.
10 E a tua comida, que hás de
comer, será por peso, vinte siclos cada dia; de tempo em tempo a comerás.
11 Também beberás a água por
medida, a sexta parte dum him; de tempo em tempo beberás.
12 Tu a comerás como bolos de
cevada, e à vista deles a assarás sobre o excremento humano.
13 E disse o Senhor: Assim
comerão os filhos de Israel o seu pão imundo, entre as nações, para onde eu os
lançarei.
14 Então disse eu: Ah Senhor
Deus! eis que a minha alma não foi contaminada: pois desde a minha mocidade até
agora jamais comi do animal que morre de si mesmo, ou que é dilacerado por
feras; nem carne abominável entrou na minha boca.
15 Então me disse: Vê, eu te
dou esterco de bois em lugar de excremento de homem; e sobre ele prepararás o
teu pão,
16 Disse-me mais: Filho do homem,
eis que quebrarei o báculo de pão em Jerusalém; e comerão o pão por peso, e com
ansiedade; e beberão a água por medida, e com espanto;
17 até que lhes falte o pão e
a água, e se espantem uns com os outros, e se definhem na sua iniqüidade.
»EZEQUIEL [5]
1 E tu, ó filho do homem,
toma uma espada afiada; como navalha de barbeiro a usarás, e a farás passar
pela tua cabeça e pela tua barba. Então tomarás uma balança e repartirás os
cabelos.
2 A terça parte, queimá-la-ás
no fogo, no meio da cidade, quando se cumprirem os dias do cerco; tomarás outra
terça parte, e com uma espada feri-la-ás ao redor da cidade; e espalharás a
outra terça parte ao vento; e eu desembainharei a espada atrás deles.
3 E tomarás deles um pequeno
número, e atá-los-ás nas bordas da tua capa.
4 E ainda destes tomarás
alguns e, lançando-os no meio do fogo, os queimarás no fogo; e dali sairá um
fogo contra toda a casa de Israel.
5 Assim diz o Senhor Deus:
Esta é Jerusalém; coloquei-a no meio das nações, estando os países ao seu
redor;
6 ela, porém, se rebelou
perversamente contra os meus juízos, mais do que as nações, e os meus estatutos
mais do que os países que estão ao redor dela; porque rejeitaram as minhas
ordenanças, e não andaram nos meus preceitos.
7 Portanto assim diz o Senhor
Deus: Porque sois mais turbulentos do que as nações que estão ao redor de vós,
e não tendes andado nos meus estatutos, nem guardado os meus juízos, e tendes
procedido segundo as ordenanças das nações que estão ao redor de vós;
8 por isso assim diz o Senhor
Deus: Eis que eu, sim, eu, estou contra ti; e executarei juízos no meio de ti
aos olhos das nações.
9 E por causa de todas as
tuas abominações farei sem ti o que nunca fiz, e coisas às quais nunca mais
farei semelhantes.
10 portanto os pais comerão a
seus filhos no meio de ti, e os filhos comerão a seus pais; e executarei em ti
juízos, e todos os que restarem de ti, espalhá-los-ei a todos os ventos.
11 Portanto, tão certo como
eu vivo, diz o Senhor Deus, pois que profanaste o meu santuário com todas as
tuas coisas detestáveis, e com todas as tuas abominações, também eu te
diminuirei; e não te perdoarei, nem terei piedade de ti.
12 uma terça parte de ti
morrerá da peste, e se consumirá de fome no meio de ti; e outra terça parte
cairá à espada em redor de ti; e a outra terça parte, espalha-la-ei a todos os
ventos, e desembainharei a espada atrás deles.
13 Assim se cumprirá a minha
ira, e satisfarei neles o meu furor, e me consolarei; e saberão que sou eu, o
Senhor, que tenho falado no meu zelo, quando eu cumprir neles o meu furor.
14 Demais te farei uma
desolação, e objeto de opróbrio entre as nações que estão em redor de ti, à
vista de todos os que passarem.
15 E isso será objeto de
opróbrio e ludíbrio, e escarmento e espanto, às nações que estão em redor de
ti, quando eu executar em ti juízos com ira, e com furor, e com furiosos
castigos. Eu, o Senhor, o disse.
16 Quando eu enviar as
malignas flechas da fome contra eles, flechas para a destruição, as quais eu
mandarei para vos destruir; e aumentarei a fome sobre vós, e tirar-vos-ei o
sustento do pão.
17 E enviarei sobre vós a
fome e feras, que te desfilharão; e a peste e o sangue passarão por ti; e
trarei a espada sobre ti. Eu, o Senhor, o disse.
»EZEQUIEL [6]
1 E veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dirige o
teu rosto para os montes de Israel, e profetiza contra eles.
3 E dize: Montes de Israel,
ouvi a palavra do Senhor Deus. Assim diz o Senhor Deus aos montes, aos
outeiros, às ravinas e aos vales: Eis que eu, sim eu, trarei a espada sobre vós,
e destruirei os vossos altos.
4 E serão assolados os vossos
altares, e quebrados os vossos altares de incenso; e arrojarei os vossos mortos
diante dos vossos ídolos.
5 E porei os cadáveres dos
filhos de Israel diante dos seus ídolos, e espalharei os vossos ossos em redor
dos vossos altares.
6 Em todos os vossos lugares
habitáveis as cidades serão destruídas, e os altos assolados; para que os
vossos altares sejam destruídos e assolados, e os vossos ídolos se quebrem e
sejam destruídos, e os altares de incenso sejam cortados, e desfeitas as vossas
obras.
7 E os traspassados cairão no
meio de vós, e sabereis que eu sou o Senhor.
8 Contudo deixarei com vida
um restante, visto que tereis alguns que escaparão da espada entre as nações,
quando fordes espalhados pelos países.
9 Então os que dentre vós
escaparem se lembrarão de mim entre as nações para onde forem levados em
cativeiro, quando eu lhes tiver quebrantado o coração corrompido, que se
desviou de mim, e cegado os seus olhos, que se vão corrompendo após os seus
ídolos; e terão nojo de si mesmos, por causa das maldades que fizeram em todas
as suas abominações.
10 E saberão que eu sou o
Senhor; não disse debalde que lhes faria este mal.
11 Assim diz o Senhor Deus:
Bate com a mão, e bate com o teu pé, e dize: Ah! por causa de todas as péssimas
abominações da casa de Israel; pois eles cairão à espada, e de fome, e de
peste.
12 O que estiver longe
morrerá de peste; e, o que está perto cairá à espada; e o que ficar de resto e
cercado morrerá de fome; assim cumprirei o meu furor contra eles.
13 Então sabereis que eu sou
o Senhor, quando os seus mortos estiverem estendidos no meio dos seus ídolos,
em redor dos seus altares, em todo outeiro alto, em todos os cumes dos montes,
e debaixo de toda árvore verde, e debaixo de todo carvalho frondoso, lugares
onde ofereciam suave cheiro a todos os seus ídolos.
14 E estenderei a minha mão
sobre eles, e farei a terra desolada e erma, em todas as suas habitações; desde
o deserto até Dibla; e saberão que eu sou o Senhor.
»EZEQUIEL [7]
1 Demais veio a palavra do
Senhor a mim, dizendo:
2 E tu, ó filho do homem,
assim diz o Senhor Deus à terra de Israel: Vem o fim, o fim vem sobre os quatro
cantos da terra.
3 Agora vem o fim sobre ti, e
enviarei sobre ti a minha ira, e te julgarei conforme os teus caminhos; e
trarei sobre ti todas as tuas abominações.
4 E não te pouparei, nem
terei piedade de ti; mas eu te punirei por todos os teus caminhos, enquanto as
tuas abominações estiverem no meio de ti; e sabereis que eu sou o Senhor.
5 Assim diz o Senhor Deus:
Mal sobre mal! eis que vem!
6 Vem o fim, o fim vem,
despertou-se contra ti; eis que vem.
7 Vem a tua ruína, ó
habitante da terra! Vem o tempo; está perto o dia, o dia de tumulto, e não de
gritos alegres, sobre os montes.
8 Agora depressa derramarei o
meu furor sobre ti, e cumprirei a minha ira contra ti, e te julgarei conforme
os teus caminhos; e te punirei por todas as tuas abominações.
9 E não te pouparei, nem
terei piedade; conforme os teus caminhos, assim te punirei, enquanto as tuas
abominações estiverem no meio de ti; e sabereis que eu, o Senhor, castigo.
10 Eis o dia! Eis que vem!
Veio a tua ruína; já floresceu a vara, já brotou a soberba. :
11 A violência se levantou em
vara de iniqüidade. nada restará deles, nem da sua multidão, nem dos seus bens.
Não haverá eminência entre eles.
12 Vem o tempo, é chegado o
dia; não se alegre o comprador, e não se entristeça o vendedor; pois a ira está
sobre toda a multidão deles.
13 Na verdade o vendedor não
tornará a possuir o que vendeu, ainda que esteja por longo tempo entre os
viventes; pois a visão, no tocante a toda a multidão deles, não voltará atrás;
e ninguém prosperará na vida, pela sua iniqüidade.
14 Já tocaram a trombeta, e
tudo prepararam, mas não há quem vá à batalha; pois sobre toda a multidão deles
está a minha ira.
15 Fora está a espada, e
dentro a peste e a fome; o que estiver no campo morrerá à espada; e o que
estiver na cidade, a fome e a peste o consumirão.
16 E se escaparem alguns
sobreviventes, estarão sobre os montes, como pombas dos vales, todos gemendo,
cada um por causa da sua iniqüidade.
17 Todas as mãos se
enfraquecerão, e todos os joelhos se tornarão fracos como água.
18 E se cingirão de sacos, e
o terror os cobrirá; e sobre todos os rostos haverá vergonha e sobre todas as
suas cabeças calva.
19 A sua prata, lançá-la-ão
pelas ruas, e o seu ouro será como imundícia; nem a sua prata nem o seu ouro os
poderá livrar no dia do furor do Senhor; esses metais não lhes poderão saciar a
fome, nem lhes encher o estômago; pois serviram de tropeço da sua iniqüidade.
20 Converteram em soberba a
formosura dos seus adornos, e deles fizeram as imagens das suas abominações, e
as suas coisas detestáveis; por isso eu a fiz para eles como uma coisa imunda.
21 E entregá-la-ei nas mãos
dos estrangeiros por presa, e aos ímpios da terra por despojo; e a profanarão.
22 E desviarei deles o meu
rosto, e profanarão o meu lugar oculto; porque entrarão nele saqueadores, e o
profanarão.
23 Faze uma cadeia, porque a
terra está cheia de crimes de sangue, e a cidade está cheia de violência.
24 Pelo que trarei dentre as
nações os piores, que possuirão as suas casas; e farei cessar a soberba dos
poderosos; e os seus lugares santos serão profanados.
25 Quando vier a angústia
eles buscarão a paz, mas não haverá paz.
26 Miséria sobre miséria
virá, e se levantará rumor sobre rumor; e buscarão do profeta uma visão; mas do
sacerdote perecerá a lei, e dos anciãos o conselho.
27 O rei pranteará, e o
príncipe se vestirá de desolação, e as mãos do povo da terra tremerão de medo.
Conforme o seu caminho lhes farei, e conforme os seus merecimentos os julgarei;
e saberão que eu sou o Senhor.
»EZEQUIEL [8]
1 Sucedeu pois, no sexto ano,
no mês sexto, no quinto dia do mês, estando eu assentado na minha casa, e os anciãos
de Judá assentados diante de mim, que ali a mão do Senhor Deus caiu sobre mim.
2 Então olhei, e eis uma
semelhança como aparência de fogo. Desde a aparência dos seus lombos, e para
baixo, era fogo; e dos seus lombos, e para cima, como aspecto de resplendor,
como e brilho de âmbar.
3 E estendeu a forma duma
mão, e me tomou por uma trança da minha cabeça; e o Espírito me levantou entre
a terra e o céu, e nas visões de Deus me trouxe a Jerusalém, até a entrada da
porta do pátio de dentro, que olha para o norte, onde estava o assento da
imagem do ciúme, que provoca ciúme.
4 E eis que a glória do Deus
de Israel estava ali, conforme a semelhança que eu tinha visto no vale.
5 Então me disse: Filho do
homem, levanta agora os teus olhos para o caminho do norte. Levantei, pois, os
meus olhos para o caminho do norte, e eis que ao norte da porta do altar,
estava esta imagem do ciúme na entrada.
6 E ele me disse: Filho do
homem, vês tu o que eles estão fazendo? as grandes abominações que a casa de
Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário; Mas verás ainda outras
grandes abominações.
7 E levou-me à porta do
átrio; então olhei, e eis que havia um buraco na parede.
8 Então ele me disse: Filho
do homem, cava agora na parede. E quando eu tinha cavado na parede, eis que
havia uma porta.
9 Disse-me ainda: Entra, e vê
as ímpias abominações que eles fazem aqui.
10 Entrei, pois, e olhei: E
eis que toda a forma de répteis, e de animais abomináveis, e todos os ídolos da
casa de Israel, estavam pintados na parede em todo o redor.
11 E setenta homens dos
anciãos da casa de Israel, com Jaazanias, filho de Safã, no meio deles, estavam
em pé diante das pinturas, e cada um tinha na mão o seu incensário; e subia o
odor de uma nuvem de incenso.
12 Então me disse: Viste,
filho do homem, o que os anciãos da casa de Israel fazem nas trevas, cada um
nas suas câmaras pintadas de imagens? Pois dizem: O Senhor não nos vê; o Senhor
abandonou a terra.
13 Também me disse: Verás
ainda maiores abominações que eles fazem.
14 Depois me levou à entrada
da porta da casa do Senhor, que olha para o norte; e eis que estavam ali
mulheres assentadas chorando por Tamuz.
15 Então me disse: Viste,
filho do homem? Verás ainda maiores abominações do que estas.
16 E levou-me para o átrio
interior da casa do Senhor; e eis que estavam à entrada do templo do Senhor,
entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o
templo do Senhor, e com os rostos para o oriente; e assim, virados para o
oriente, adoravam o sol.
17 Então me disse: Viste,
filho do homem? Acaso é isto coisa leviana para a casa de Judá, o fazerem eles
as abominações que fazem aqui? pois, havendo enchido a terra de violência,
tornam a provocar-me à ira; e ei-los a chegar o ramo ao seu nariz.
18 Pelo que também eu
procederei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade. Ainda que me
gritem aos ouvidos com grande voz, contudo não os ouvirei.
»EZEQUIEL [9]
1 Então me gritou aos ouvidos
com grande voz, dizendo: Chegai, vós, os intendentes da cidade, cada um com as
suas armas destruidoras na mão.
2 E eis que vinham seis
homens do caminho da porta superior, que olha para o norte, e cada um com a sua
arma de matança na mão; e entre eles um homem vestido de linho, com um tinteiro
de escrivão à sua cintura. E entraram, e se puseram junto ao altar de bronze.
3 E a glória do Deus de
Israel se levantou do querubim sobre o qual estava, e passou para a entrada da
casa; e clamou ao homem vestido de linho, que trazia o tinteiro de escrivão à
sua cintura.
4 E disse-lhe o Senhor: Passa
pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos
homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se
cometem no meio dela.
5 E aos outros disse ele,
ouvindo eu: Passai pela cidade após ele, e feri; não poupe o vosso olho, nem
vos compadeçais.
6 Matai velhos, mancebos e
virgens, criancinhas e mulheres, até exterminá-los; mas não vos chegueis a
qualquer sobre quem estiver o sinal; e começai pelo meu santuário. Então
começaram pelos anciãos que estavam diante da casa.
7 E disse-lhes: Profanai a
casa, e enchei os átrios de mortos; saí. E saíram, e feriram na cidade.
8 Sucedeu pois que, enquanto
eles estavam ferindo, e ficando eu sozinho, caí com o rosto em terra, e clamei,
e disse: Ah Senhor Deus! destruirás todo o restante de Israel, derramando a tua
indignação sobre Jerusalém?
9 Então me disse: A culpa da
casa de Israel e de Judá é grandíssima, a terra está cheia de sangue, e a
cidade cheia de injustiça; pois eles dizem: O Senhor abandonou a terra; o
Senhor não vê.
10 Também, quanto a mim, não
pouparei nem me compadecerei; sobre a cabeça deles farei recair o seu caminho.
11 E eis que o homem que
estava vestido de linho, a cuja cintura estava o tinteiro, tornou com a
resposta, dizendo: Fiz como me ordenaste.
»EZEQUIEL [10]
1 Depois olhei, e eis que no
firmamento que estava por cima da cabeça dos querubins, apareceu sobre eles uma
como pedra de safira, semelhante em forma a um trono.
2 E falou ao homem vestido de
linho, dizendo: Vai por entre as rodas giradoras, até debaixo do querubim,
enche as tuas mãos de brasas acesas dentre os querubins, e espalha-as sobre a
cidade. E ele entrou à minha vista.
3 E os querubins estavam de
pé ao lado direito da casa, quando entrou o homem; e uma nuvem encheu o átrio
interior.
4 Então se levantou a glória
do Senhor de sobre o querubim, e passou para a entrada da casa; e encheu-se a
casa duma nuvem, e o átrio se encheu do resplendor da glória do Senhor.
5 E o ruído das asas dos
querubins se ouvia até o átrio exterior, como a voz do Deus Todo-Poderoso,
quando fala.
6 Sucedeu pois que, dando ele
ordem ao homem vestido de linho, dizendo: Toma fogo dentre as rodas, dentre os
querubins, entrou ele, e pôs-se junto a uma roda.
7 Então estendeu um querubim
a sua mão de entre os querubins para o fogo que estava entre os querubins; e
tomou dele e o pôs nas mãos do que estava vestido de linho, o qual o tomou, e
saiu.
8 E apareceu nos querubins
uma semelhança de mão de homem debaixo das suas asas.
9 Então olhei, e eis quatro
rodas junto aos querubins, uma roda junto a um querubim, e outra roda junto a
outro querubim; e o aspecto das rodas era como o brilho de pedra de crisólita.
10 E, quanto ao seu aspecto,
as quatro tinham a mesma semelhança, como se estivesse uma roda no meio doutra
roda.
11 Andando elas, iam em
qualquer das quatro direções sem se virarem quando andavam, mas para o lugar
para onde olhava a cabeça, para esse andavam; não se viravam quando andavam.
12 E todo o seu corpo, as
suas costas, as suas mãos, as suas asas, e as rodas que os quatro tinham,
estavam cheias de olhos em redor.
13 E, quanto às rodas, elas
foram chamadas rodas giradoras, ouvindo-o eu.
14 E cada um tinha quatro
rostos: o primeiro rosto era rosto de querubim, o segundo era rosto de homem, o
terceiro era rosto de leão, e o quarto era rosto de águia.
15 E os querubins se elevaram
ao alto. Eles são os mesmos seres viventes que vi junto ao rio Quebar.
16 E quando os querubins
andavam, andavam as rodas ao lado deles; e quando os querubins levantavam as
suas asas, para se elevarem da terra, também as rodas não se separavam do lado
deles.
17 Quando aqueles paravam,
paravam estas; e quando aqueles se elevavam, estas se elevavam com eles; pois o
espírito do ser vivente estava nelas.
18 Então saiu a glória do
Senhor de sobre a entrada da casa, e parou sobre os querubins.
19 E os querubins alçaram as
suas asas, e se elevaram da terra à minha vista, quando saíram, acompanhados
pelas rodas ao lado deles; e pararam à entrada da porta oriental da casa do
Senhor, e a glória do Deus de Israel estava em cima sobre eles.
20 São estes os seres
viventes que vi debaixo do Deus de Israel, junto ao rio Quebar; e percebi que
eram querubins.
21 Cada um tinha quatro
rostos e cada um quatro asas; e debaixo das suas asas havia a semelhança de mãos
de homem.
22 E a semelhança dos seus
rostos era a dos rostos que eu tinha visto junto ao rio Quebar; tinham a mesma
aparência, eram eles mesmos; cada um andava em linha reta para a frente.
»EZEQUIEL [11]
1 Então me levantou o
Espírito, e me levou à porta oriental da casa do Senhor, a qual olha para o
oriente; e eis que estavam à entrada da porta vinte e cinco homens, e no meio
deles vi a Jaazanias, filho de Azur, e a Pelatias, filho de Benaías, príncipes
do povo.
2 E disse-me: Filho do homem,
estes são os homens que maquinam a iniqüidade, e dão ímpio conselho nesta
cidade;
3 os quais dizem: Não está
próximo o tempo de edificar casas; esta cidade é a caldeira, e nós somos a
carne.
4 Portanto, profetiza contra
eles; profetiza, ó filho do homem.
5 E caiu sobre mim o Espírito
do Senhor, e disse-me: Fala: Assim diz o Senhor: Assim tendes dito, ó casa de
Israel; pois eu conheço as coisas que vos entram na mente.
6 Multiplicastes os vossos
mortos nesta cidade, e enchestes as suas ruas de mortos.
7 Portanto, assim diz o
Senhor Deus: Vossos mortos que deitastes no meio dela, esses são a carne, e ela
é a caldeira; a vós, porém, vos tirarei do meio dela.
8 Temestes a espada, e a
espada eu a trarei sobre vós, diz o Senhor Deus.
9 E vos farei sair do meio
dela, e vos entregarei na mão de estrangeiros, e exercerei juízos entre vós.
10 Caireis à espada; nos
confins de Israel vos julgarei; e sabereis que eu sou o Senhor.
11 Esta cidade não vos
servirá de caldeira, nem vós servirei de carne no meio dela; nos confins de
Israel vos julgarei;
12 e sabereis que eu sou o
Senhor; pois não tendes andado nos meus estatutos, nem executado as minhas
ordenanças; antes tendes procedido conforme as ordenanças das nações que estão
em redor de vós.
13 E aconteceu que,
profetizando eu, morreu Pelatias, filho de Benaías. Então caí com o resto em
terra, e clamei com grande voz, e disse: Ah Senhor Deus! darás fim cabal ao
remanescente de Israel?
14 Então veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
15 Filho do homem, teus
irmãos, os teus próprios irmãos, os homens de teu parentesco, e toda a casa de
Israel, todos eles, são aqueles a quem os habitantes de Jerusalém disseram:
Apartai-vos para longe do Senhor; a nós se nos deu esta terra em possessão.
16 Portanto, dize: Assim diz
o Senhor Deus: Ainda que os mandei para longe entre as nações, e ainda que os
espalhei pelas terras, todavia lhes servirei de santuário por um pouco de
tempo, nas terras para onde foram.
17 Portanto, dize: Assim diz
o senhor Deus: Hei de ajuntar-vos do meio dos povos, e vos recolherei do meio
das terras para onde fostes espalhados, e vos darei a terra de Israel.
18 E virão ali, e tirarão
dela todas as suas coisas detestáveis e todas as suas abominações.
19 E lhes darei um só
coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o
coração de pedra, e lhes darei um coração de carne,
20 para que andem nos meus
estatutos, e guardem as minhas ordenanças e as cumpram; e eles serão o meu
povo, e eu serei o seu Deus.
21 Mas, quanto àqueles cujo
coração andar após as suas coisas detestáveis, e das suas abominações, eu farei
recair nas suas cabeças o seu caminho, diz o Senhor Deus.
22 Então os querubins
elevaram as suas asas, estando as rodas ao lado deles; e a glória do Deus de
Israel estava em cima sobre eles.
23 E a glória do Senhor se
alçou desde o meio da cidade, e se pôs sobre o monte que está ao oriente da
cidade.
24 Então o Espírito me
levantou, e me levou na visão pelo Espírito de Deus para a Caldéia, para os
exilados. Assim se foi de mim a visão que eu tinha visto.
25 E falei aos do cativeiro
todas as coisas que o Senhor me tinha mostrado.
»EZEQUIEL [12]
1 Ainda veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, tu habitas
no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e não vê, e tem ouvidos para
ouvir e não ouve; porque é casa rebelde.
3 Tu, pois, ó filho do homem,
prepara-te os trastes para mudares para o exílio, e de dia muda à vista deles;
e do teu lugar mudarás para outro lugar à vista deles; bem pode ser que reparem
nisso, ainda que eles são casa rebelde.
4 À vista deles, pois,
tirarás para fora, de dia, os teus trastes, como para mudança; então tu sairás
de tarde à vista deles, como quem sai para o exílio.
5 Faze para ti, à vista
deles, uma abertura na parede, e por ali sairás.
6 À vista deles levarás aos
ombros os teus trastes, e às escuras os transportarás, e cobrirás o teu rosto,
para que não vejas o chão; porque te pus por sinal à casa de Israel.
7 E fiz assim, como se me deu
ordem: os meus trastes tirei para fora de dia, como para o exílio; então à
tarde fiz com a mão uma abertura na parede; às escuras saí, carregando-os aos
ombros, à vista deles.
8 E veio a mim a palavra do
Senhor, pela manhã, dizendo:
9 Filho do homem, não te
perguntou a casa de Israel, aquela casa rebelde: Que fazes tu?
10 Dize-lhes: Assim diz o
Senhor Deus: Este oráculo se refere ao príncipe em Jerusalém, e a toda a casa
de Israel que está no meio dela.
11 Dize: Eu sou o vosso
sinal: Assim como eu fiz, assim se lhes fará a eles; irão para o exílio para o
cativeiro,
12 E o príncipe que está no
meio deles levará aos ombros os trastes, e às escuras sairá; ele fará uma
abertura na parede e sairá por ela; ele cobrirá o seu rosto, pois com os seus
olhos não verá o chão.
13 Também estenderei a minha
rede sobre ele, e ele será apanhado no meu laço; e o levarei para Babilônia,
para a terra dos caldeus; contudo não a verá, ainda que ali morrerá.
14 E todos os que estiverem
ao redor dele para seu socorro e todas as suas tropas, espalhá-los-ei a todos
os ventos; e desembainharei a espada atrás deles.
15 Assim saberão que eu sou o
Senhor, quando eu os dispersar entre as nações e os espalhar entre os países.
16 Mas deles deixarei ficar
alguns poucos, escapos da espada, da fome, e da peste, para que confessem todas
as suas abominações entre as nações para onde forem; e saberão que eu sou o
Senhor.
17 Ainda veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
18 Filho do homem, come o teu
pão com tremor, e bebe a tua água com estremecimento e com receio.
19 E dirás ao povo da terra:
Assim diz o Senhor Deus acerca dos habitantes de Jerusalém, na terra de Israel:
O seu pão comerão com receio, e a sua água beberão com susto pois a sua terra
será despojada de sua abundância, por causa da violência de todos os que nela
habitam.
20 E as cidades habitadas
serão devastadas, e a terra se tornará em desolação; e sabereis que eu sou o
Senhor.
21 E veio ainda a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
22 Filho do homem, que
provérbio é este que vós tendes na terra de Israel, dizendo: Dilatam-se os
dias, e falha toda a visão?
23 Portanto, dize-lhes: Assim
diz o Senhor Deus: Farei cessar este provérbio, e não será mais usado em
Israel; mas dize-lhes: Estão próximos os dias, e o cumprimento de toda a visão.
24 Pois não haverá mais
nenhuma visão vã, nem adivinhação lisonjeira, no meio da casa de Israel.
25 Porque eu sou o Senhor;
falarei, e a palavra que eu falar se cumprirá. Não será mais adiada; pois em
nossos dias, ó casa rebelde, falarei a palavra e a cumprirei, diz o Senhor
Deus.
26 Veio mais a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
27 Filho do homem, eis que os
da casa de Israel dizem: A visão que este vê é para muitos dias no futuro, e
ele profetiza de tempos que estão longe.
28 Portanto dize-lhes: Assim
diz o Senhor Deus: Não será mais adiada nenhuma das minhas palavras, mas a
palavra que falei se cumprirá, diz o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [13]
1 E veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, profetiza
contra os profetas de Israel e dize a esses videntes que só profetizam o que vê
o seu coração: Ouvi a palavra do Senhor.
3 Assim diz o Senhor Deus: Ai
dos profetas insensatos, que seguem o seu próprio
4 Os teus profetas, ó Israel,
têm sido como raposas nos desertos.
5 Não subistes às brechas,
nem fizestes uma cerca para a casa de Israel, para que permaneça firme na
peleja no dia do Senhor.
6 Viram vaidade e adivinhação
mentirosa os que dizem: O Senhor diz; quando o Senhor não os enviou; e esperam
que seja cumprida a palavra.
7 Acaso não tivestes visão de
vaidade, e não falastes adivinhação mentirosa, quando dissestes: O Senhor diz;
sendo que eu tal não falei?
8 Portanto assim diz o Senhor
Deus: Porque tendes falado vaidade, e visto mentiras, por isso eis que eu sou
contra vós, diz o Senhor Deus.
9 E a minha mão será contra
os profetas que vêem vaidade e que adivinham mentira; não estarão no concílio
do meu povo, nem nos registros da casa de Israel se escreverão, nem entrarão na
terra de Israel; e sabereis que eu sou o Senhor Deus.
10 Portanto, sim, porquanto
desviaram o meu povo, dizendo: Paz; e não há paz; e quando se edifica uma
parede, eis que a rebocam de argamassa fraca;
11 dize aos que a rebocam de
argamassa fraca que ela cairá. Sobrevirá forte chuva, grandes pedras de saraiva
cairão, e um vento tempestuoso a fenderá.
12 Ora, eis que, caindo a
parede, não vos dirão: Onde está o reboco de que a rebocastes?
13 Portanto assim diz o
Senhor Deus: fendê-la-ei no meu furor com vento tempestuoso e, na minha ira,
farei cair forte chuva, e grandes pedras de saraiva, na minha indignação, para
a consumir.
14 E derribarei a parede que rebocastes
com argamassa fraca, e darei com ela por terra, de modo que seja descoberto o
seu fundamento; quando ela cair, vós perecereis no meio dela; e sabereis que eu
sou o Senhor.
15 Assim cumprirei o meu
furor contra a parede, e contra os que a rebocam de argamassa fraca; e vos
direi: A parede já não existe, nem aqueles que a rebocaram, a saber,
16 os profetas de Israel, que
profetizam acerca de Jerusalém, e vêem para ela visão de paz, não havendo paz,
diz o Senhor Deus.
17 E tu, ó filho do homem,
dirige o teu rosto contra as filhas do teu povo, que profetizam de seu próprio
coração; e profetiza contra elas.
18 e dize: Assim diz o Senhor
Deus: Ai das que cosem pulseiras mágicas para todos os braços, e que fazem véus
para as cabeças de pessoas de toda estatura para caçarem as almas! Porventura
caçareis as almas do meu povo? e conservareis em vida almas para vosso
proveito?
19 Vós me profanastes entre o
meu povo por punhados de cevada, e por pedaços de pão, matando aqueles que não
haviam de morrer, e guardando vivos aqueles que não haviam de viver, mentindo
ao meu povo que escuta a mentira.
20 Portanto assim diz o
Senhor Deus: Eis aqui eu sou contra as vossas pulseiras mágicas com que vós ali
caçais as almas como aves, e as arrancarei de vossos braços; e soltarei as
almas, sim as almas que vós caçais como aves.
21 Também rasgarei os vossos
véus, e livrarei o meu povo das vossas mãos, e eles não estarão mais em vossas
mãos para serem caçados; e sabereis que eu sou e Senhor.
22 Visto que entristecestes o
coração do justo com falsidade, não o havendo eu entristecido, e fortalecestes
as mãos do ímpio, para que não se desviasse do seu mau caminho, e vivesse;
23 portanto não tereis mais
visões vãs, nem mais fareis adivinhações; mas livrarei o meu povo das vossas
mãos, e sabereis que eu sou o Senhor.
»EZEQUIEL [14]
1 Então vieram a mim alguns
homens dos anciãos de Israel, e se assentaram diante de mim.
2 E veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
3 Filho do homem, estes
homens deram lugar nos seus corações aos seus ídolos, e puseram o tropeço da
sua maldade diante da sua face; devo eu de alguma maneira ser interrogado por
eles?
4 Portanto fala com eles, e
dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Qualquer homem da casa de Israel que der
lugar no seu coração aos seus ídolos, e puser o tropeço da sua maldade diante
da sua face, e vier ao profeta, eu, o Senhor, lhe responderei nisso conforme a
multidão dos seus ídolos;
5 para que possa apanhar a
casa de Israel no seu coração, porquanto todos são alienados de mim pelos seus
ídolos.
6 Portanto dize à casa de
Israel: Assim diz o Senhor Deus: Convertei-vos, e deixai os vossos ídolos; e
desviai os vossos rostos de todas as vossas abominações.
7 Porque qualquer homem da
casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam em Israel, que se alienar de
mim e der lugar no seu coração aos seus ídolos, e puser tropeço da sua maldade
diante do seu rosto, e vier ao profeta para me consultar a favor de si mesmo,
eu, o Senhor, lhe responderei por mim mesmo;
8 e porei o meu rosto contra
o tal homem, e o farei um espanto, um sinal e um provérbio, e exterminá-lo-ei
do meio do meu povo; e sabereis que eu sou o Senhor.
9 E se o profeta for
enganado, e falar alguma coisa, eu, o Senhor, terei enganado esse profeta; e
estenderei a minha mão contra ele, e destruí-lo-ei do meio do meu povo Israel.
10 E levarão o seu castigo. O
castigo do profeta será como o castigo de quem o consultar;
11 para que a casa de Israel
não se desvie mais de mim, nem mais se contamine com todas as suas
transgressões; mas que sejam eles o meu povo, e seja eu o seu Deus, diz o
Senhor Deus.
12 Veio ainda a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
13 Filho do homem, quando uma
terra pecar contra mim, agindo traiçoeiramente, então estenderei a minha mão
contra ela, e lhe quebrarei o báculo do pão, e enviarei contra ela a fome, e
dela exterminarei homens e animais;
14 ainda que estivessem no
meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles pela sua justiça, livrariam
apenas a sua própria vida, diz o Senhor Deus.
15 Se eu fizer passar pela
terra bestas feras, e estas a assolarem, de modo que ela fique desolada, sem
que ninguém possa passar por ela por causa das feras;
16 ainda que esses três
homens estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Deus, que nem a filhos
nem a filhas livrariam; eles só ficariam livres; a terra, porém, seria
assolada.
17 Ou, se eu trouxer a espada
sobre aquela terra, e disser: Espada, passa pela terra; de modo que eu
extermine dela homens e animais;
18 ainda que aqueles três
homens estivessem nela, vivo eu, diz o Senhor Deus, eles não livrariam nem
filhos nem filhas, mas eles só ficariam livres.
19 Ou, se eu enviar a peste
sobre aquela terra, e derramar o meu furor sobre ela com sangue, para
exterminar dela homens e animais;
20 ainda que Noé, Daniel e Jó
estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Deus, eles não livrariam nem
filho nem filha, tão somente livrariam as suas próprias vidas pela sua justiça.
21 Pois assim diz o Senhor
Deus: Quanto mais quando eu enviar contra Jerusalém os meus quatro juízos
violentos, a espada, a fome, as bestas-feras e a peste, pura exterminar dela
homens e animais?
22 Mas, se ainda restarem
nela alguns sobreviventes que levem para fora filhos e filhas, quando eles
saírem a ter convosco, vereis o seu caminho e os seus feitos, e ficareis consolados
do mal que eu trouxe sobre Jerusalém, até de tudo o que trouxe sobre ela.
23 E sereis consolados,
quando virdes o seu caminho e os seus feitos; e sabereis que não fiz sem razão
tudo quanto nela tenho feito, diz o Senhor.
»EZEQUIEL [15]
1 De novo veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, que mais do
que qualquer outro pau é o da videira, o sarmento que está entre as árvores do
bosque?
3 Tema-se dele madeira para
fazer alguma obra? ou toma-se dele alguma estaca, para se lhe pendurar algum
traste?
4 Eis que é lançado no fogo,
para servir de pasto; o fogo devora ambas as suas extremidades, e o meio dele
fica também queimado; serve para alguma obra?
5 Ora, quando estava inteiro,
não servia para obra alguma; quanto menos, estando consumido ou carbonizado
pelo fogo, se faria dele qualquer obra?
6 Portanto, assim diz o
Senhor Deus: Como entre as árvores do bosque é o pau da videira, que entreguei
para servir de pasto ao fogo, assim entregarei os habitantes de Jerusalém.
7 E porei a minha face contra
eles; eles sairão do fogo, mas o fogo os devorará; e sabereis que eu sou o
Senhor, quando tiver posto a minha face contra eles.
8 Farei da terra uma
desolação, porquanto eles se houveram traiçoeiramente, diz o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [16]
1 Ainda veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, faze
conhecer a Jerusalém seus atos abomináveis;
3 e dize: Assim diz o Senhor
Deus a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos
cananeus. Teu pai era amorreu, e a tua mãe hetéia.
4 E, quanto ao teu
nascimento, no dia em que nasceste não te foi cortado o umbigo, nem foste
lavada com água, para te alimpar; nem tampouco foste esfregada com sal, nem
envolta em faixas;
5 ninguém se apiedou de ti
para te fazer alguma destas coisas, compadecido de ti; porém foste lançada fora
no campo, pelo nojo de ti, no dia em que nasceste.
6 E, passando eu por ti,
vi-te banhada no teu sangue, e disse-te: Ainda que estás no teu sangue, vive;
sim, disse-te: Ainda que estás no teu sangue, vive.
7 Eu te fiz multiplicar como
o renovo do campo. E cresceste, e te engrandeceste, e alcançaste grande
formosura. Formaram-se os teus seios e cresceu o teu cabelo; contudo estavas
nua e descoberta.
8 Então, passando eu por ti,
vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; e estendi sobre ti a minha
aba, e cobri a tua nudez; e dei-te juramento, e entrei num pacto contigo, diz o
Senhor Deus, e tu ficaste sendo minha.
9 Então te lavei com água,
alimpei-te do teu sangue e te ungi com óleo.
10 Também te vesti de bordados,
e te calcei com pele de dugongo, cingi-te de linho fino, e te cobri de seda.
11 Também te ornei de
enfeites, e te pus braceletes nas mãos e um colar ao pescoço.
12 E te pus um pendente no
nariz, e arrecadas nas orelhas, e uma linda coroa na cabeça.
13 Assim foste ornada de ouro
e prata, e o teu vestido foi de linho fino, de seda e de bordados; de flor de
farinha te nutriste, e de mel e azeite; e chegaste a ser formosa em extremo, e
subiste até a realeza.
14 Correu a tua fama entre as
nações, por causa da tua formosura, pois era perfeita, graças ao esplendor que
eu tinha posto sobre ti, diz o Senhor Deus.
15 Mas confiaste na tua
formosura, e te corrompeste por causa da tua fama; e derramavas as tuas
prostituições sobre todo o que passava, para seres dele.
16 E tomaste dos teus
vestidos e fizeste lugares altos adornados de diversas cores, e te prostituíste
sobre eles, como nunca sucedera, nem sucederá.
17 Também tomaste as tuas
belas jóias feitas do meu ouro e da minha prata que eu te havia dado, e te
fizeste imagens de homens, e te prostituíste com elas;
18 e tomaste os teus vestidos
bordados, e as cobriste; e puseste diante delas o meu azeite e o meu incenso.
19 E o meu pão que te dei, a
flor de farinha, e o azeite e o mel, com que eu te sustentava, também puseste
diante delas em cheiro suave, diz o Senhor Deus.
20 Além disto, tomaste a teus
filhos e tuas filhas, que me geraras, e lhos sacrificaste, para serem devorados
pelas chamas. Acaso foi a tua prostituição de tão pouca monta,
21 que havias de matar meus
filhos e lhos entregar, fazendo os passar pelo fogo?
22 E em todas as tuas
abominações, e nas tuas prostituições, não te lembraste dos dias da tua
mocidade, quando tu estavas nua e descoberta, e jazias no teu sangue.
23 E sucedeu, depois de toda
a tua maldade (ai, ai de ti! diz o Senhor Deus),
24 que te edificaste uma
câmara abobadada, e fizeste lugares altos em todas as praças.
25 A cada canto do caminho
edificaste o teu lugar alto, e fizeste abominável a tua formosura, e alargaste
os teus pés a todo o que passava, e multiplicaste as tuas prostituições.
26 Também te prostituíste com
os egípcios, teus vizinhos, grandemente carnais; e multiplicaste a tua
prostituição, para me provocares à ira.
27 Pelo que estendi a minha
mão sobre ti, e diminuí a tua porção; e te entreguei à vontade dos que te
odeiam, das filhas dos filisteus, as quais se envergonhavam do teu caminho
depravado.
28 Também te prostituíste com
os assírios, porquanto eras insaciável; contudo, prostituindo-te com eles, nem
ainda assim ficaste farta.
29 Demais multiplicaste as
tuas prostituições na terra de tráfico, isto é, até Caldéia, e nem ainda com
isso te fartaste.
30 Quão fraco é teu coração,
diz o Senhor Deus, fazendo tu todas estas coisas, obra duma meretriz
desenfreada,
31 edificando a tua câmara
abobadada no canto de cada caminho, e fazendo o teu lugar alto em cada rua! Não
foste sequer como a meretriz, pois desprezaste a paga;
32 tens sido como a mulher
adúltera que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos.
33 A todas as meretrizes se
dá a sua paga, mas tu dás presentes a todos es teus amantes; e lhes dás peitas,
para que venham a ti de todas as partes, pelas tuas prostituições.
34 Assim és diferente de
outras mulheres nas tuas prostituições; pois ninguém te procura para
prostituição; pelo contrário tu dás a paga, e não a recebes; assim és
diferente.
35 Portanto, ó meretriz, ouve
a palavra do Senhor.
36 Assim diz o Senhor Deus:
Pois que se derramou a tua lascívia, e se descobriu a tua nudez nas tuas
prostituições com os teus amantes; por causa também de todos os ídolos das tuas
abominações, e do sangue de teus filhos que lhes deste;
37 portanto eis que ajuntarei
todos os teus amantes, com os quais te deleitaste, como também todos os que
amaste, juntamente com todos os que odiaste, sim, ajuntá-los-ei contra ti em
redor, e descobrirei a tua nudez diante deles, para que vejam toda a tua nudez.
38 E julgar-te-ei como são
julgadas as adúlteras e as que derramam sangue; e entregar-te-ei ao sangue de
furor e de ciúme.
39 Também te entregarei nas
mãos dos teus inimigos, e eles derribarão a tua câmara abobadada, e demolirão
os teus altos lugares, e te despirão os teus vestidos, e tomarão as tuas belas
jóias, e te deixarão nua e descoberta.
40 Então farão subir uma
hoste contra ti, e te apedrejarão, e te traspassarão com as suas espadas.
41 E queimarão as tuas casas
a fogo, e executarão juízos contra ti, à vista de muitas mulheres; e te farei
cessar de ser meretriz, e paga não darás mais.
42 Assim satisfarei em ti o
meu furor, e os meus ciúmes se desviarão de ti; também me aquietarei, e não
tornarei mais a me indignar.
43 Porquanto não te lembraste
dos dias da tua mocidade, mas me provocaste à ira com todas estas coisas, eis
que eu farei recair o teu caminho sobre a tua cabeça diz o Senhor Deus. Pois
não acrescentaste a infidelidade a todas as tuas abominações?
44 Eis que todo o que usa de
provérbios usará contra ti deste provérbio: Tal mãe, tal filha.
45 Tu és filha de tua mãe,
que tinha nojo de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de tuas irmãs, que
tinham nojo de seus maridos e de seus filhos. Vossa mãe foi hetéia, e vosso pai
amorreu.
46 E tua irmã maior, que
habita à tua esquerda, é Samária, ela juntamente com suas filhas; e tua irmã
menor, que habita à tua mão direita, é Sodoma e suas filhas.
47 Todavia não andaste nos
seus caminhos, nem fizeste conforme as suas abominações; mas, como se isso mui
pouco fora, ainda te corrompeste mais do que elas, em todos os teus caminhos.
48 Vivo eu, diz o Senhor
Deus, não fez Sodoma, tua irmã, nem ela nem suas filhas, como fizeste tu e tuas
filhas.
49 Eis que esta foi a
iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e próspera ociosidade
teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado.
50 Também elas se
ensoberbeceram, e fizeram abominação diante de mim; pelo que, ao ver isso, as
tirei do seu lugar.
51 Demais Samária não cometeu
metade de teus pecados; e multiplicaste as tuas abominações mais do que elas, e
justificaste a tuas irmãs, com todas as abominações que fizeste.
52 Tu, também, pois que deste
sentença favorável a tuas irmãs, leva a tua vergonha; por causa de teus
pecados, que fizeste mais abomináveis do que elas, mais justas são elas do que
tu; confunde-te logo também, e sofre a tua vergonha, porque justificaste a tuas
irmãs.
53 Eu, pois, farei tornar do
cativeiro a elas, a Sodoma e suas filhas, a Samária e suas filhas, e aos de vós
que são cativos no meio delas;
54 para que sofras a tua
vergonha, e sejas envergonhada por causa de tudo o que fizeste, dando-lhes tu
consolação.
55 Quanto a tuas irmãs,
Sodoma e suas filhas, tornarão ao seu primeiro estado; e Samária e suas filhas
tornarão ao seu primeiro estado; também tu e tuas filhas tornareis ao vosso
primeiro estado.
56 Não foi Sodoma, tua irmã, um
provérbio na tua boca, no dia da tua soberba,
57 antes que fosse descoberta
a tua maldade? Agora, de igual modo, te fizeste objeto de opróbrio das filhas
da Síria, e de todos os que estão ao redor dela, e para as filhas dos
filisteus, que te desprezam em redor.
58 Pela tua perversidade e as
tuas abominações estás sofrendo, diz o Senhor.
59 Pois assim diz o Senhor
Deus: Eu te farei como fizeste, tu que desprezaste o juramento, quebrantando o
pacto.
60 Contudo eu me lembrarei do
meu pacto, que fiz contigo nos dias da tua mocidade; e estabelecerei contigo um
pacto eterno.
61 Então te lembrarás dos
teus caminhos, e ficarás envergonhada, quando receberes tuas irmãs, as mais
velhas e as mais novas, e eu tas der por filhas, mas não por causa do pacto
contigo.
62 E estabelecerei o meu
pacto contigo, e saberás que eu sou o Senhor;
63 para que te lembres, e te
envergonhes, e nunca mais abras a tua boca, por causa da tua vergonha, quando
eu te perdoar tudo quanto fizeste, diz o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [17]
1 Ainda veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, propõe um
enigma, e profere uma alegoria à casa de Israel;
3 e dize: Assim diz o Senhor
Deus: uma grande águia, de grandes asas e de plumagem comprida, cheia de penas
de várias cores, veio ao Líbano e tomou o mais alto ramo dum cedro;
4 arrancou a ponta mais alta
dos seus, raminhos, e a levou a uma terra de comércio; e a pôs numa cidade de
comerciantes.
5 Também tomou da semente da
terra, e a lançou num solo frutífero; pô-la junto a muitas águas; e plantou-a
como salgueiro.
6 E brotou, e tornou-se numa
videira larga, de pouca altura, virando-se para ela os seus ramos, e as suas
raízes estavam debaixo dela. Tornou-se numa videira, e produzia sarmentos, e
lançava renovos.
7 Houve ainda outra grande
águia, de grandes asas, e cheia de penas; e eis que também esta videira lançou
para ela as suas raízes, e estendeu para ela os seus ramos desde as auréolas em
que estava plantada, para que ela a regasse.
8 Numa boa terra, junto a
muitas águas, estava ela plantada, para produzir ramos, e para dar fruto, a fim
de que fosse videira excelente.
9 Dize: Assim diz o Senhor
Deus: Acaso prosperará ela? Não lhe arrancará a águia as raízes, e não lhe
cortará o fruto, para que se seque? para que se sequem todas as folhas de seus
renovos? Não será necessário nem braço forte, nem muita gente, para arrancá-la
pelas raízes.
10 Mas, estando plantada,
prosperará? Não se secará de todo, quando a tocar o vento oriental? Nas
auréolas onde cresceu se secará.
11 Então veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
12 Dize, pois, à casa
rebelde: Não sabeis o que significam estas coisas? Dize-lhes: Eis que veio o
rei de Babilônia a Jerusalém, e tomou o seu rei e os seus príncipes, e os levou
consigo para Babilônia;
13 e tomou um da estirpe
real, e fez pacto com ele, e o juramentou. E aos poderosos da terra removeu,
14 para que o reino ficasse
humilhado, e não se levantasse, embora, guardando o seu pacto, pudesse
subsistir.
15 Mas ele se rebelou contra
o rei de Babilônia, enviando os seus embaixadores ao Egito, para que se lhe
mandassem cavalos e muita gente. Prosperará ou escapará aquele que faz tais
coisas? Quebrará o pacto e escapará?
16 Como eu vivo, diz o Senhor
Deus, no lugar em que habita o rei que o fez reinar, cujo juramento desprezou,
e cujo pacto quebrou, sim, com ele no meio de Babilônia certamente morrerá.
17 Não lhe prestará Faraó
ajuda em guerra, nem com seu grande exército, nem com sua companhia numerosa,
quando se levantarem tranqueiras e se edificarem baluartes, para destruir muitas
vidas.
18 Porquanto desprezou o
juramento e quebrou o pacto, porquanto deu a sua mão, e ainda fez todas estas
coisas, ele não escapará.
19 Portanto, assim diz o
Senhor Deus: Vivo eu, que o meu juramento que desprezou, e o meu pacto que
violou, isso farei recair sobre a sua cabeça.
20 E estenderei sobre ele a
minha rede, e ficará preso no meu laço; e o levarei a Babilônia, e ali entrarei
em juízo com ele por causa da traição que cometeu contra mim.
21 E a fina flor de todas as
suas tropas cairá à espada, e os que restarem serão espalhados a todos os
ventos; e sabereis que eu, o Senhor, o disse.
22 Assim diz o Senhor Deus:
Também eu tomarei um broto do topo do cedro, e o plantarei; do principal dos
seus renovos cortarei o mais tenro, e o plantarei sobre um monte alto e
sublime.
23 No monte alto de Israel o
plantarei; e produzirá ramos, e dará fruto, e se fará um cedro excelente.
Habitarão debaixo dele aves de toda a sorte; à sombra dos seus ramos habitarão.
24 Assim saberão todas as
árvores do campo que eu, o Senhor, abati a árvore alta, elevei a árvore baixa,
sequei a árvore verde, e fiz reverdecer a árvore seca; eu, e Senhor, o disse, e
o farei.
»EZEQUIEL [18]
1 De novo veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
2 Que quereis vós dizer,
citando na terra de Israel este provérbio: Os pais comeram uvas verdes, e os
dentes dos filhos se embotaram?
3 Vivo eu, diz e Senhor Deus,
não se vos permite mais usar deste provérbio em Israel.
4 Eis que todas as almas são
minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma
que pecar, essa morrerá.
5 Sendo pois o homem justo, e
procedendo com retidão e justiça,
6 não comendo sobre os
montes, nem levantando os seus olhes para os ídolos da casa de Israel, nem
contaminando a mulher do seu próximo, nem se chegando à mulher na sua
separação;
7 não oprimindo a ninguém,
tornando, porém, ao devedor e seu penhor, e não roubando, repartindo e seu pão
com o faminto, e cobrindo ao nu com vestido;
8 não emprestando com usura,
e não recebendo mais de que emprestou, desviando a sua mão da injustiça, e
fazendo verdadeira justiça entre homem e homem;
9 andando nos meus estatutos,
e guardando as minhas ordenanças, para proceder segundo a verdade; esse é
justo, certamente viverá, diz o Senhor Deus,
10 E se ele gerar um filho
que se torne salteador, que derrame sangue, que faça a seu irmão qualquer
dessas coisas;
11 e que não cumpra com
nenhum desses deveres, porém coma sobre os montes, e contamine a mulher de seu
próximo,
12 oprima ao pobre e
necessitado, pratique roubos, não devolva o penhor, levante os seus olhos para
os ídolos, cometa abominação,
13 empreste com usura, e
receba mais do que emprestou; porventura viverá ele? Não viverá! Todas estas
abominações, ele as praticou; certamente morrerá; o seu sangue será sobre ele.
14 Eis que também, se este
por sua vez gerar um filho que veja todos os pecados que seu pai fez, tema, e
não cometa coisas semelhantes,
15 não coma sobre os montes,
nem levante os olhos para os ídolos da casa de Israel, e não contamine a mulher
de seu próximo,
16 nem oprima a ninguém, e
não empreste sob penhores, nem roube, porém reparta o seu pão com o faminto, e
cubra ao nu com vestido;
17 que aparte da iniqüidade a
sua mão, que não receba usura nem mais do que emprestou, que observe as minhas
ordenanças e ande nos meus estatutos; esse não morrerá por causa da iniqüidade
de seu pai; certamente viverá.
18 Quanto ao seu pai, porque
praticou extorsão, e roubou os bens do irmão, e fez o que não era bom no meio
de seu povo, eis que ele morrerá na sua iniqüidade.
19 contudo dizeis: Por que
não levará o filho a iniqüidade do pai? Ora, se o filho proceder com retidão e
justiça, e guardar todos os meus estatutos, e os cumprir, certamente viverá.
20 A alma que pecar, essa
morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade
do filho, A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá
sobre ele.
21 Mas se o ímpio se
converter de todos os seus pecados que cometeu, e guardar todos os meus
estatutos, e preceder com retidão e justiça, certamente viverá; não morrerá.
22 De todas as suas
transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela sua justiça que
praticou viverá.
23 Tenho eu algum prazer na
morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos seus
caminhos, e viva?
24 Mas, desviando-se o justo
da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, fazendo conforme todas as abominações
que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as suas justiças que tiver feito
não se fará memória; pois pela traição que praticou, e pelo pecado que cometeu
ele morrerá.
25 Dizeis, porém: O caminho
do Senhor não é justo. Ouvi, pois, ó casa de Israel: Acaso não é justo o meu
caminho? não são os vossos caminhos que são injustos?
26 Desviando-se o justo da
sua justiça, e cometendo iniqüidade, morrerá por ela; na sua iniqüidade que
cometeu morrerá.
27 Mas, convertendo-se o
ímpio da sua impiedade que cometeu, e procedendo com retidão e justiça,
conservará este a sua alma em vida.
28 pois que reconsidera, e se
desvia de todas as suas transgressões que cometeu, certamente viverá, não
morrerá.
29 Contudo, diz a casa de
Israel: O caminho do Senhor não é justo. Acaso não são justos os meus caminhos,
ó casa de Israel, Não são antes os vossos caminhos que são injustos?
30 Portanto, eu vos julgarei,
a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus.
Vinde, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, para que a iniqüidade
não vos leve à perdição.
31 Lançai de vós todas as
vossas transgressões que cometestes contra mim; e criai em vós um coração novo
e um espírito novo; pois, por que morrereis, ó casa de Israel,
32 Porque não tenho prazer na
morte de ninguém, diz o Senhor Deus; convertei-vos, pois, e vivei,
»EZEQUIEL [19]
1 E tu levanta uma lamentação
sobre os príncipes de Israel,
2 e dize: Que de leoa foi tua
mãe entre os leões! Deitou-se no meio dos leõezinhos, criou os seus cachorros.
3 Assim criou um dos seus
cachorrinhos, o qual, fazendo-se leão novo, aprendeu a apanhar a presa; e
devorou homens.
4 Ora as nações ouviram falar
dele; foi apanhado na cova delas; e o trouxeram com ganchos à terra do Egito.
5 Vendo, pois, ela que havia
esperado, e que a sua esperança era perdida, tomou outro dos seus cachorros, e
fê-lo leão novo.
6 E este, rondando no meio
dos leões, veio a ser leão novo, e aprendeu a apanhar a presa; e devorou
homens.
7 E devastou os seus
palácios, e destruiu as suas cidades; e assolou-se a terra, e a sua plenitude,
por causa do som do seu rugido.
8 Então se ajuntaram contra
ele as gentes das províncias ao redor; estenderam sobre ele a rede; e ele foi
apanhado na cova delas.
9 E com ganchos meteram-no
numa jaula, e o levaram ao rei de Babilônia; fizeram-no entrar nos lugares
fortes, para que se não ouvisse mais a sua voz sobre os montes de Israel.
10 Tua mãe era como uma
videira plantada junto às águas; ela frutificou, e encheu-se de ramos, por
causa das muitas águas.
11 E tinha uma vara forte
para cetro de governador, e elevou-se a sua estatura entre os espessos ramos, e
foi vista na sua altura com a multidão dos seus ramos.
12 Mas foi arrancada com
furor, e lançada por terra; o vento oriental secou o seu fruto; quebrou-se e
secou-se a sua forte vara; o fogo a consumiu.
13 E agora está plantada no
deserto, numa terra seca e sedenta.
14 E duma vara dos seus ramos
saiu fogo que consumiu o seu fruto, de maneira que não há mais nela nenhuma
vara forte para servir de cetro para governar. Essa é a lamentação, e servirá
de lamentação.
»EZEQUIEL [20]
1 Ora aconteceu, no sétimo
ano, no mês quinto, aos dez do mês, que vieram alguns dos anciãos de Israel,
para consultarem o Senhor; e assentaram-se diante de mim.
2 Então veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
3 Filho do homem, fala aos
anciãos de Israel, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Vós vindes
consultar-me, Vivo eu, que não me deixarei ser consultado de vós, diz o Senhor
Deus.
4 Acaso os julgarás,
faze-lhes saber as abominações de seus pais; e dize-lhes: Assim diz o Senhor
Deus: No dia em que escolhi a Israel, levantei a minha mão para a descendência
da casa de Jacó, e me deu a conhecer a eles na terra do Egito, quando levantei
a minha mão para eles, dizendo: Eu sou o Senhor vosso Deus.
6 Naquele dia levantei a
minha mão para eles, jurando que os tiraria da terra do Egito para uma terra
que lhes tinha espiado, que mana leite e mel, a qual é a glória de todas as
terras.
7 Então lhes disse: Lançai de
vós, cada um, as coisas abomináveis que encantam os seus olhos, e não vos
contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o Senhor vosso Deus.
8 Mas rebelaram-se contra mim,
e não me quiseram ouvir; não lançaram de si, cada um, as coisas abomináveis que
encantavam os seus olhos, nem deixaram os ídolos de Egito; então eu disse que
derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir a minha ira contra eles no meio
da terra do Egito.
9 O que fiz, porém, foi por
amor do meu nome, para que não fosse profanado à vista das nações, no meio das
quais eles estavam, a cujos olhos eu me dei a conhecer a eles, tirando-os da
terra do Egito.
10 Assim os tirei da terra do
Egito, e os levei ao deserto.
11 E dei-lhes os meus
estatutos, e lhes mostrei as minhas ordenanças, pelas quais o homem viverá, se
as cumprir.
12 Demais lhes dei também os
meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles; a fim de que soubessem
que eu sou o Senhor que os santifica.
13 Mas a casa de Israel se
rebelou contra mim no deserto, não andando nos meus estatutos, e rejeitando as
minhas ordenanças, pelas quais o homem viverá, se as cumprir; e profanaram
grandemente os meus sábados; então eu disse que derramaria sobre eles o meu
furor no deserto, para os consumir.
14 O que fiz, porém, foi por
amor do meu nome, para que não fosse profanado à vista das nações perante as
quais os fiz sair.
15 E, contudo, eu levantei a
minha mão para eles no deserto, jurando que não os introduziria na terra que
lhes tinha dado, que mana leite e mel, a qual é a glória de todas as terras;
16 porque rejeitaram as
minhas ordenanças, e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus
sábados; pois o seu coração andava após os seus ídolos.
17 Não obstante os meus olhos
os pouparam e não os destruí nem os consumi de todo no deserto.
18 Mas disse eu a seus filhos
no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis as suas
ordenanças, nem vos contamineis com os seus ídolos.
19 Eu sou o Senhor vosso
Deus; andai nos meus estatutos, e guardai as minhas ordenanças, e executai-os
20 E santificai os meus
sábados; e eles servirão de sinal entre mim e vós para que saibais que eu sou o
Senhor vosso Deus.
21 Mas também os filhos se
rebelaram contra mim; não andaram nos meus estatutos nem guardaram as minhas
ordenanças para as praticarem, pelas quais o homem viverá, se as cumprir;
profanaram eles os meus sábados; por isso eu disse que derramaria sobre eles o
meu furor, para cumprir contra eles a minha ira no deserto.
22 Todavia retive a minha
mão, e procedi por amor do meu nome, para que não fosse profanado à vista das
nações, a cujos olhos os fiz sair.
23 Também levantei a minha
mão para eles no deserto, jurando que os espalharia entre as nações, e os
dispersaria entre os países;
24 porque não haviam
executado as minhas ordenanças, mas rejeitaram os meus estatutos, e profanaram
os meus sábados, e os seus olhos se iam após os ídolos de seus pais.
25 Também lhes dei estatutos
que não eram bons, e ordenanças pelas quais não poderiam viver;
26 e os deixei contaminar-se
em seus próprios dons, nos quais faziam passar pelo fogo todos os que abrem a
madre, para os assolar, a fim de que soubessem que eu sou o Senhor.
27 Portanto fala à casa de
Israel, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Ainda nisto me
blasfemaram vossos pais, que procederam traiçoeiramente para comigo;
28 pois quando eu os havia
introduzido na terra a respeito da qual eu levantara a minha mão, jurando que
lha daria, então olharam para todo outeiro alto, e para toda árvore frondosa, e
ofereceram ali os seus sacrifícios, e apresentaram ali a provocação das suas
ofertas; puseram ali os seus cheiros suaves, e ali derramaram as suas libações.
29 E eu lhes disse: Que
significa o alto a que vós ides? Assim o seu nome ficou sendo Bamá, até o dia
de hoje.
30 Portanto dize à casa de
Israel: Assim diz o Senhor Deus: Acaso vós vos contaminais a vós mesmos, à
maneira de vossos pais? e vos prostituís com as suas abominações?
31 E, ao oferecerdes os
vossos dons, quando fazeis passar os vossos filhos pelo fogo, vós vos
contaminais com todos os vossos ídolos, até hoje. E eu hei de ser consultado
por vós, ó casa de Israel? Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não serei consultado
de vós.
32 E o que veio ao vosso
espírito de maneira alguma sucederá, quando dizeis: Sejamos como as nações,
como as tribos dos países, servindo ao madeiro e à pedra.
33 Vivo eu, diz o Senhor
Deus, certamente com mão forte, e com braço estendido, e com indignação
derramada, hei de reinar sobre vós.
34 E vos tirarei dentre os
povos, e vos congregarei dos países nos quais fostes espalhados, com mão forte,
e com braço estendido, e com indignação derramada;
35 e vos levarei ao deserto
dos povos; e ali face a face entrarei em juízo convosco;
36 como entrei em juízo com
vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco,
diz o Senhor Deus.
37 Também vos farei passar
debaixo da vara, e vos farei entrar no vínculo do pacto;
38 e separarei dentre vós os rebeldes,
e os que transgridem contra mim; da terra das suas peregrinações os tirarei,
mas à terra de Israel não voltarão; e sabereis que eu sou o Senhor.
39 Quanto a vós, ó casa de
Israel, assim diz o Senhor Deus: Ide, sirva cada um os seus ídolos; contudo
mais tarde me ouvireis e não profanareis mais o meu santo nome com as vossas
dádivas e com os vossos ídolos.
40 Pois no meu santo monte,
no monte alto de Israel, diz o Senhor Deus, ali me servirá toda a casa de
Israel, toda ela, na terra; ali vos aceitarei, e ali requererei as vossas
ofertas, e as primícias das vossas oblações, com todas as vossas coisas santas.
41 Como cheiro suave vos
aceitarei, quando eu vos tirar dentre os povos e vos congregar dos países em
que fostes espalhados; e serei santificado em vós à vista das nações.
42 E sabereis que eu sou o
Senhor, quando eu vos introduzir na terra de Israel, no país a respeito do qual
levantei a minha mão, jurando que o daria a vossos pais.
43 Ali vos lembrareis de
vossos caminhos, e de todos os vossos atos com que vos tendes contaminado; e
tereis nojo de vós mesmos, por causa de todas as vossas maldades que tendes
cometido.
44 E sabereis que eu sou o
Senhor, quando eu proceder para convosco por amor do meu nome, não conforme os
vossos maus caminhos, nem conforme os vossos atos corruptos, ó casa de Israel,
diz o senhor Deus.
45 E veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
46 Filho do homem, dirige o
teu rosto para o caminho do sul, e derrama as tuas palavras contra o sul, e
profetiza contra o bosque do campo do sul.
47 E dize ao bosque do sul:
Ouve a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Deus: Eis que acenderei em ti um
fogo que em ti consumirá toda árvore verde e toda árvore seca; não se apagará a
chama flamejante, antes com ela se queimarão todos os rostos, desde o sul até o
norte.
48 E verá toda a carne que
eu, o Senhor, o acendi; não se apagará.
49 Então disse eu: Ah Senhor
Deus! eles dizem de mim: Não é este um fazedor de alegorias?
»EZEQUIEL [21]
1 Ainda veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dirige o
teu rosto para Jerusalém, e derrama as tuas palavras contra os santuários, e
profetiza contra a terra de Israel.
3 E dize à terra de Israel:
Assim diz o Senhor: Eis que estou contra ti, e tirarei a minha espada da
bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio.
4 E, por isso que hei de
exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da bainha
contra toda a carne, desde o sul até o norte.
5 E saberá toda a carne que
eu, o Senhor, tirei a minha espada da bainha nunca mais voltará a ela.
6 Suspira, pois, ó filho do
homem; suspira à vista deles com quebrantamento dos teus lombos e com amargura.
7 E será que, quando eles te
disserem: Por que suspiras tu dirás: por causa das novas, porque vêm; e todo
coração desmaiará, e todas as mãos se enfraquecerão, e todo espírito se
angustiará, e todos os joelhos se desfarão em águas; eis que vêm, e se
realizarão, diz o Senhor Deus.
8 E veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
9 Filho do homem, profetiza,
e dize: Assim diz o Senhor; dize: A espada, a espada está afiada e polida.
10 Para matar está afiada,
para reluzir está polida. Alegrar-nos-emos pois? A vara de meu filho é que
despreza todo o madeiro.
11 E foi dada a polir para
ser manejada; esta espada está afiada e polida, para ser posta na mão do
matador.
12 Grita e uiva, ó filho do
homem, porque ela será contra o meu povo, contra todos os príncipes de Israel.
Estes juntamente com o meu povo estão entregues à espada; bate pois na tua
coxa.
13 Porque se faz uma prova; e
que será se não mais existir a vara desprezadora, diz o Senhor Deus.
14 Tu pois, ó filho do homem,
profetiza, e bate com as mãos uma na outra; e dobre-se a espada até a terceira
vez, a espada dos mortalmente feridos; é a espada para a grande matança, a que
os rodeia.
15 Para que se derreta o
coração, e se multipliquem os tropeços, é que contra todas as suas portas pus a
ponta da espada; ah! ela foi feita como relâmpago, e está aguçada para matar.
16 e espada, une as tuas
forças, vira-te para a direita; prepara-te, vira-te para a esquerda, para onde
quer que o teu rosto se dirigir.
17 Também eu baterei com as
minhas mãos uma na outra, e farei descansar a minha indignação; eu, o Senhor, o
disse.
18 De novo veio a mim a
palavra de Senhor, dizendo:
19 Tu pois, ó filho do homem,
propõe-te dois caminhos, por onde venha a espada do rei de Babilônia. Ambos
procederão de uma mesma terra; e grava um marco, grava-o no princípio do
caminho da cidade.
20 Um caminho proporás, por
onde virá a espada contra Rabá dos filhos de Amom, e contra Judá, em Jerusalém,
a fortificada.
21 Pois o rei de Babilônia
está parado na encruzilhada, no princípio dos dois caminhos, para fazer
adivinhações; ele sacode as flechas, consulta os terafins, atenta para o
fígado.
22 Na sua mão direita estava
a adivinhação sobre Jerusalém, para dispor os aríetes, para abrir a boca,
ordenando a matança, para levantar a voz com júbilo, para pôr os aríetes contra
as portas, para levantar tranqueiras, para edificar baluartes.
23 Isso será como adivinhação
vã aos olhos daqueles que lhes fizerem juramentos; mas ele se lembrará da
iniqüidade, para que sejam apanhados.
24 Portanto assim diz o
Senhor Deus: Visto que fizestes ser lembrada a vossa iniqüidade, descobrindo-se
as vossas transgressões, aparecendo os vossos pecados em todos os vossos atos;
visto que viestes em memória, sereis apanhados com a mão.
25 E tu, ó profano e ímpio
príncipe de Israel, cujo dia é chegado no tempo da punição final;
26 assim diz o Senhor Deus:
Remove o diadema, e tira a coroa; esta não será a mesma: exalta ao humilde, e
humilha ao soberbo.
27 Ao revés, ao revés, ao
revés o porei; também o que é não continuará assim, até que venha aquele a quem
pertence de direito; e lho darei a ele.
28 E tu, ó filho do homem,
profetiza e dize: Assim diz o Senhor Deus acerca dos filhos de Amom, e acerca
do opróbrio deles; dize pois: A espada, a espada está desembainhada, polida
para a matança, para consumir, para ser como relâmpago.
29 Enquanto eles têm visões
vãs a teu respeito, e adivinham mentiras a fim de que seja posta no pescoço dos
ímpios, que estão mortalmente feridos, cujo dia é chegado no tempo da punição
final.
30 Torne a tua espada à sua
bainha. No lugar em que foste criado, na terra do teu nascimento, eu te
julgarei.
31 Derramarei sobre ti a
minha indignação, assoprarei contra ti o fogo do meu furor; entregar-te-ei nas
mãos dos homens brutais, destros para destruírem.
32 Ao fogo servirás de pasto;
o teu sangue estará no meio da terra; não serás mais lembrado; porque eu, o
Senhor, o disse.
»EZEQUIEL [22]
1 Demais veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
2 Tu pois, ó filho do homem,
acaso julgarás, julgarás mesmo a cidade sanguinária? Então faze-lhe conhecer
todas as suas abominações,
3 e dize: Assim diz o Senhor
Deus: A cidade que derrama o sangue dentro de si, para que venha o seu tempo!
que faz ídolos contra si mesma, para se contaminar!
4 Pelo teu sangue que
derramaste te fizeste culpada, e pelos teus ídolos que fabricaste te
contaminaste; e fizeste aproximar-se o teu dia, e é chegado o fim dos teus
anos. Por isso eu te fiz o opróbrio das nações e o escárnio de todas as terras.
5 As que estão perto e as que
estão longe de ti escarnecerão de ti, infamada, cheia de tumulto.
6 Eis que os príncipes de
Israel, que estão em ti, cada um conforme o seu poder, se esforçam para
derramarem sangue.
7 No meio de ti desprezaram
ao pai e à mãe; no meio de ti usaram de opressão para com o estrangeiro; no
meio de ti foram injustos para com o órfão e a viúva.
8 As minhas coisas santas
desprezaste, e os meus sábados profanaste.
9 Em ti se acham homens que
caluniam para derramarem sangue; em ti há os que comem sobre os montes; e
cometem perversidade no meio de ti.
10 A vergonha do pai
descobrem em ti; no meio de ti humilham a que está impura, na sua separação.
11 Um comete abominação com a
mulher do seu próximo, outro contamina abominavelmente a sua nora, e outro
humilha no meio de ti a sua irmã, filha de seu pai.
12 Peitas se recebem no meio
de ti para se derramar sangue; recebes usura e ganhos ilícitos, e usas de
avareza com o teu próximo, oprimindo-o; mas de mim te esqueceste, diz o Senhor
Deus.
13 Eis que, portanto, bato as
mãos contra o lucro desonesto que ganhaste, e por causa do sangue que houve no
meio de ti.
14 Poderá estar firme o teu
coração? poderão estar fortes as tuas mãos, nos dias em que eu tratarei
contigo? Eu, o Senhor, o disse, e o farei.
15 Espalhar-te-ei entre as
nações e dispersar-te-ei pelas terras; e de ti consumirei a tua imundícia.
16 E tu serás profanada em ti
mesma, aos olhos das nações, e saberás que eu sou o Senhor.
17 De novo veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
18 Filho do homem, a casa de
Israel se tornou para mim em escória; todos eles são bronze, e estanho, e
ferro, e chumbo no meio da fornalha; em escória de prata eles se tornaram.
19 Portanto assim diz o
Senhor Deus: Pois que todos vós vos tornastes em escória, por isso eis que eu
vos ajuntarei no meio de Jerusalém.
20 Como se ajuntam a prata, e
o bronze, e o ferro, e o chumbo, e o estanho, no meio da fornalha, para
assoprar o fogo sobre eles, a fim de se fundirem, assim vos ajuntarei na minha
ira e no meu furor, e ali vos porei e vos fundirei.
21 Sim, congregar-vos-ei, e
assoprarei sobre vós o fogo da minha ira; e sereis fundidos no meio dela.
22 Como se funde a prata no
meio da fornalha, assim sereis fundidos no meio dela; e sabereis que eu, o
Senhor, derramei o meu furor sobre vós.
23 Também veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
24 Filho do homem, dize-lhe a
ela: Tu és uma terra que não está purificada, nem regada de chuvas no dia da
indignação.
25 Conspiração dos seus
profetas há no meio dela, como um leão que ruge, que arrebata a presa; eles
devoram vidas humanas; tomam tesouros e coisas preciosas; multiplicam as suas
viúvas no meio dela.
26 Os seus sacerdotes
violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença
entre o santo e o profano, nem ensinam a discernir entre o impuro e o puro; e
de meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles.
27 Os seus príncipes no meio
dela são como lobos que arrebatam a presa: derramando o sangue, e destruindo
vidas, para adquirirem lucro desonesto.
28 E os profetas têm feito
para eles reboco com argamassa fraca tendo visões falsas, e adivinhando-lhes
mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Deus; sem que o Senhor tivesse falado.
29 O povo da terra tem usado
de opressão, e andado roubando e fazendo violência ao pobre e ao necessitado, e
tem oprimido injustamente ao estrangeiro.
30 E busquei dentre eles um
homem que levantasse o muro, e se pusesse na brecha perante mim por esta terra,
para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei.
31 Por isso eu derramei sobre
eles a minha indignação; com o fogo do meu furor os consumi; fiz que o seu
caminho lhes recaísse sobre a cabeça, diz o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [23]
1 Veio mais a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, houve duas
mulheres, filhas da mesma mãe.
3 Estas se prostituíram no
Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus peitos, e
ali foram apalpados os seios da sua virgindade.
4 E os seus nomes eram: Aolá,
a mais velha, e Aolibá, sua irmã; e foram minhas, e tiveram filhos e filhas; e,
quanto aos seus nomes, Samária é Aolá, e Jerusalém é Aolibá.
5 Ora prostituiu-se Aolá,
sendo minha; e enamorou-se dos seus amantes, dos assírios, seus vizinhos,
6 que se vestiam de azul,
governadores e magistrados, todos mancebos cobiçáveis, cavaleiros montados a
cavalo.
7 Assim cometeu ela as suas
devassidões com eles, que eram todos a flor dos filhos da Assíria; e
contaminou-se com todos os ídolos de quem se enamorava.
8 E não deixou as suas
impudicícias, que trouxe do Egito; pois muitos se deitaram com ela na sua
mocidade, e apalparam os seios da sua virgindade, e derramaram sobre ela a sua
impudicícia.
9 Portanto a entreguei na mão
dos seus amantes, na mão dos filhos da Assíria, de quem se enamoravam.
10 Estes se descobriram a sua
vergonha; levaram-lhe os filhos e as filhas; e a ela mataram-na à espada; e ela
se tornou um provérbio entre as mulheres; pois sobre ela executaram juízos.
11 Viu isso sua irmã Aolibá;
contudo se corrompeu na sua paixão mais do que ela, como também nas suas
devassidões, que eram piores do que as de sua irmã.
12 Enamorou-se dos filhos da
Assíria, dos governadores e dos magistrados seus vizinhos, vestidos com primor,
cavaleiros que andam montados em cavalos, todos mancebos cobiçáveis.
13 E vi que se tinha
contaminado; o caminho de ambas era o mesmo.
14 E ela aumentou as suas
impudicícias; porque viu homens pintados na parede, imagens dos caldeus,
pintadas de vermelho,
15 com os seus lombos
cingidos, tendo largos turbantes sobre as cabeças, todos com o parecer de
príncipes, semelhantes aos filhos de Babilônia em Caldéia, terra do seu
nascimento.
16 Ela se apaixonou deles, ao
lançar sobre eles os olhos; e lhes mandou mensageiros até Caldéia.
17 Então vieram a ela os
filhos de Babilônia para o leito dos amores, e a contaminaram com as suas
impudicícias; e ela se contaminou com eles; então a sua alma deles se alienou.
18 Assim pôs a descoberto as
suas devassidões, e descobriu a sua vergonha; então a minha alma se alienou
dela, assim como já se alienara a minha alma de sua irmã.
19 Todavia ela multiplicou as
suas prostituições, lembrando-se dos dias da sua mocidade, em que se
prostituira na terra do Egito,
20 apaixonando-se dos seus
amantes, cujas carnes eram como as de jumentos, e cujo fluxo era como o de
cavalos.
21 Assim desejaste a luxúria
da tua mocidade, quando os egípcios apalpavam os teus seios, para violentar os
peitos da tua mocidade.
22 Por isso, ó Aolibá, assim
diz o Senhor Deus: Eis que eu suscitarei contra ti os teus amantes, dos quais
se alienara a tua alma, e os trarei contra ti de todos os lados:
23 Os filhos de Babilônia, e
todos os caldeus de Pecode, e de Soá, e de Coa, juntamente com todos os filhos
da Assíria, mancebos cobiçáveis, governadores e magistrados, todos eles
príncipes e homens de renome, todos eles montados a cavalo.
24 E virão contra ti com
armas, carros e carroças, e com ajuntamento de povos; e se porão contra ti em
redor com paveses, e escudos, e capacetes; e lhes entregarei o julgamento, e te
julgarão segundo os seus juízos.
25 E porei contra ti o meu
zelo, e usarão de indignação contigo. Tirar-te-ão o nariz e as orelhas; e o que
te ficar de resto cairá à espada. Tomarão os teus filhos e as tuas filhas, e o
que em ti ficar será consumido pelo fogo.
26 Também te despirão os teus
vestidos, e te tomarão as tuas jóias de adorno.
27 Assim farei cessar em ti a
tua luxúria e a tua prostituição trazida da terra do Egito; de modo que não
levantarás os teus olhos para eles, nem te lembrarás mais do Egito.
28 Pois assim diz o Senhor
Deus: Eis que te entrego na mão dos que odeias, na mão daqueles de quem está
alienada a tua alma;
29 e eles te tratarão com
ódio, e levarão todo o fruto do teu trabalho, e te deixarão nua e despida; e
descobrir-se-á a vergonha da tua prostituição, e a tua luxúria, e as tuas
devassidões.
30 Estas coisas se te farão,
porque te prostituíste após as nações, e te contaminaste com os seus ídolos.
31 No caminho de tua irmã
andaste; por isso entregarei o seu cálice na tua mão.
32 Assim diz o Senhor Deus:
Beberás o cálice de tua irmã, o qual é fundo e largo; servirás de riso e
escárnio; o cálice leva muito.
33 De embriaguez e de dor te
encherás, do cálice de espanto e de assolação, do cálice de tua irmã Samária.
34 Bebê-lo-ás pois, e
esgotá-lo-ás, e roerás os seus cacos, e te rasgarás teus próprios peitos; pois
eu o falei, diz o Senhor Deus.
35 Portanto, assim diz o
Senhor Deus: Como te esqueceste de mim, e me lançaste para trás das tuas costas,
também carregarás com a tua luxúria e as tuas devassidões.
36 Disse-me mais o Senhor:
Filho do homem, julgarás a Aolá e a Aolibá? Mostra-lhes, então, as suas
abominações.
37 Pois adulteraram, e sangue
se acha nas suas mãos; com os seus ídolos adulteraram, e até lhes ofereceram em
holocausto, para serem consumidos, os seus filhos, que de mim geraram.
38 E ainda isto me fizeram:
contaminaram o meu santuário no mesmo dia, e profanaram os meus sábados
39 Porquanto, havendo
sacrificado seus filhos aos seus ídolos, vinham ao meu santuário no mesmo dia
para o profanarem; e eis que assim fizeram no meio da minha casa.
40 Além disto mandaram vir
uns homens de longe, aos quais fora enviado um mensageiro, e eis que vieram.
Por amor deles te levaste, pintaste os teus olhos, e te ornaste de enfeites,
41 e te assentaste sobre um
leito de honra, diante do qual estava uma mesa preparada; e puseste sobre ela o
meu incenso e o meu óleo.
42 Ouvia-se ali a voz de uma
multidão satisfeita; e com homens de classe baixa foram trazidos beberrões do
deserto; e eles puseram braceletes nas mãos das mulheres, e coroas de esplendor
nas suas cabeças.
43 Então disse eu da
envelhecida em adultérios: Agora deveras se contaminarão com ela e ela com
eles.
44 E entraram a ela, como
quem entra a uma prostituta; assim entraram a Aolá e a Aolibá, mulheres
lascivas.
45 De maneira que homens
justos são os que as julgarão como se julgam as adúlteras, e como se julgam as
que derramam o sangue; porque adúlteras são, e sangue há nas suas mãos.
46 Pois assim diz o Senhor
Deus: Farei subir contra elas uma hoste e as entregarei ao tumulto e ao saque.
47 E a hoste apedrejá-las-á,
e as matará à espada; trucidará a seus filhos e suas filhas, e queimará as suas
casas a fogo.
48 Assim farei cessar da
terra a lascívia, para que se escarmentem todas as mulheres, e não procedam
conforme a vossa lascivia.
49 E a vós vos pagarão o
vosso procedimento lascivo e levareis os pecados dos vossos ídolos; e sabereis
que eu sou o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [24]
1 Demais veio a mim a palavra
do Senhor, no ano nono, do décimo mês, aos dez do mês, dizendo:
2 Filho do homem, escreve o
nome deste dia, deste mesmo dia; o rei de Babilônia acaba de sitiar Jerusalém
neste dia.
3 E propõe à casa rebelde uma
alegoria, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Põe a caldeira ao lume, põe-na,
e deita-lhe água dentro;
4 mete nela os pedaços de
carne, todos os bons pedaços, a coxa e a espádua; enche-a de ossos escolhidos.
5 Escolhe o melhor do
rebanho, ajunta um montão de lenha debaixo da caldeira dos ossos; faze-a ferver
bem, e cozam-se dentro dela os seus ossos.
6 Portanto, assim diz o
Senhor Deus: Ai da cidade sanguinária, da caldeira, que está enferrujada por
dentro, e cuja ferrugem não saiu dela! tira dela a carne pedaço por pedaço; não
caiu sorte sobre ela;
7 porque o seu sangue está no
meio dela; sobre uma penha descalvada ela o pôs; não o derramou sobre o chão,
para o cobrir com pó.
8 Foi para fazer subir a
minha indignação para tomar vingança, que eu pus o seu sangue numa penha
descalvada, para que não fosse coberto.
9 Portanto, assim diz o
Senhor Deus: Ai da cidade sanguinária! também eu farei grande a fogueira.
10 Amontoa a lenha, acende o
fogo, ferve bem a carne, engrossando o caldo, e sejam queimados os ossos.
11 Então a porás vazia sobre
as suas brasas, para que ela aqueça, e se derreta o seu cobre, e se funda a sua
imundícia no meio dela, e se consuma a sua ferrugem.
12 Ela tem-se cansado com
trabalhos; contudo não sai dela a sua muita ferrugem pelo fogo.
13 A ferrugem é a tua
imundícia de luxúria, porquanto te purifiquei, e tu não te purificaste, não
serás purificada nunca da tua imundícia, enquanto eu não tenha satisfeito sobre
ti a minha indignação.
14 Eu, o Senhor, o disse:
será assim, e o farei; não tornarei atrás, e não pouparei, nem me arrependerei;
conforme os teus caminhos, e conforme os teus feitos, te julgarei, diz o Senhor
Deus.
15 Também veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
16 Filho do homem, eis que
dum golpe tirarei de ti o desejo dos teus olhos; todavia não te lamentarás, nem
chorarás, nem te correrão as lágrimas.
17 Geme, porém, em silêncio;
não faças lamentação pelos mortos; ata na cabeça o teu turbante, e mete nos pés
os teus sapatos; não cubras os teus lábios e não comas o pão dos homens.
18 Assim falei ao povo pela
manhã, e à tarde morreu minha mulher; e fiz pela manhã como se me deu ordem.
19 E o povo me perguntou: Não
nos farás saber o que significam para nós estas coisas que estás fazendo?
20 Então lhes respondi: Veio
a mim a palavra do Senhor, dizendo:
21 Dize à casa de Israel:
Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu profanarei o meu santuário, o orgulho do
vosso poder, a delícia dos vossos olhos, e o desejo da vossa alma; e vossos
filhos e vossas filhas, que deixastes, cairão à espada.
22 Fareis pois como eu fiz: não
vos cobrireis os lábios, e não comereis o pão dos homens;
23 tereis na cabeça os vossos
turbantes, e os vossos sapatos nos pés; não vos lamentareis, nem chorareis, mas
definhar-vos-eis nas vossas iniqüidades, e gemereis uns com os outros.
24 Assim vos servirá Ezequiel
de sinal; conforme tudo quanto ele fez, assim fareis vós; e quando isso
suceder, então sabereis que eu sou o Senhor Deus.
25 Também quanto a ti, filho
do homem, no dia que eu lhes tirar a sua fortaleza, o gozo do seu ornamento, a
delícia dos seus olhos, e o desejo dos seus corações, juntamente com seus
filhos e suas filhas,
26 nesse dia virá ter contigo
algum fugitivo para te trazer as notícias.
27 Nesse dia abrir-se-á a tua
boca para com o fugitivo, e falarás, e por mais tempo não ficarás mudo; assim
virás a ser para eles um sinal; e saberão que eu sou o Senhor.
»EZEQUIEL [25]
1 De novo veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dirige o
teu rosto contra os filhos de Amom, e profetiza contra eles.
3 E dize aos amonitas: Ouvi a
palavra do Senhor Deus: Assim diz o Senhor Deus: Visto que tu disseste: Ah!
contra o meu santuário quando foi profanado, e contra a terra de Israel quando
foi assolada, e contra a casa de Judá quando foi para o cativeiro;
4 por isso eis que te
entregarei em possessão ao povo do Oriente, e em ti estabelecerão os seus
acampamentos, e porão em ti as suas moradas. Eles comerão os teus frutos, e
beberão o teu leite.
5 E farei de Rabá uma
estrebaria de camelos, e dos amonitas um curral de rebanhos; e sabereis que eu
sou o Senhor.
6 Porque assim diz o Senhor
Deus: Visto como bateste com as mãos, e pateaste com os pés, e te alegraste com
todo o despeito do teu coração contra a terra de Israel;
7 portanto eis que eu tenho
estendido a minha mão contra ti, e te darei por despojo às nações, e te
arrancarei dentre os povos, e te destruirei dentre os países, e de todo
acabarei contigo; e saberás que eu sou o Senhor.
8 Assim diz o Senhor Deus:
Visto como dizem em Moabe. e Seir: Eis que a casa de Judá é como todas as nações;
9 portanto, eis que eu
abrirei o lado de Moabe desde as cidades, desde as suas cidades que estão pela
banda das fronteiras, a glória do país, Bete-Jesimote, Baal-Meom, e até
Quiriataim,
10 e ao povo do Oriente,
juntamente com os filhos de Amom, eu o entregarei em possessão, para que não
haja mais memória dos filhos de Amom entre as nações.
11 Também executarei juízos
contra Moabe; e saberão que eu sou o Senhor.
12 Assim diz o Senhor Deus:
Pois que Edom se houve vingativamente para com a casa de Judá, e se fez
culpadíssimo, vingando-se deles.
13 portanto assim diz o
Senhor Deus: Também estenderei a minha mão contra Edom, e arrancarei dele
homens e animais; e o tornarei em deserto desde Temã; e cairão à espada até
Dedã.
14 E exercerei a minha
vingança sobre Edom, pela mão do meu povo de Israel; e farão em Edom segundo a
minha ira e segundo o meu furor; e conhecerão a minha vingança, diz o Senhor
Deus.
15 Assim diz o Senhor Deus:
Porquanto os filisteus se houveram vingativamente, e executaram vingança com
despeito de coração, para destruírem com perpétua inimizade;
16 portanto assim diz o
Senhor Deus: Eis que estendo a minha mão contra os filisteus, e arrancarei os
quereteus, e destruirei o resto da costa do mar.
17 E executarei neles grandes
vinganças, com furiosos castigos; e saberão que eu sou o Senhor, quando eu
tiver exercido a minha vingança sobre eles.
»EZEQUIEL [26]
1 Ora sucedeu no undécimo
ano, ao primeiro do mês, que veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, visto como
Tiro disse no tocante a Jerusalém: Ah! está quebrada a porta dos povos; está
aberta para mim; eu me encherei, agora que ela está assolada;
3 portanto assim diz o Senhor
Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Tiro, e farei subir contra ti muitas nações,
como o mar faz subir as suas ondas.
4 Elas destruirão os muros de
Tiro, e derrubarão as suas torres; e eu varrerei o seu solo, e dela farei uma
rocha descalvada.
5 Ela virá a ser no meio do
mar um enxugadouro de redes; pois eu o falei, diz o Senhor Deus; e ela servirá
de despojo para as nações.
6 Também suas filhas que
estão no campo serão mortas à espada; e saberão que eu sou o Senhor.
7 Porque assim diz o Senhor
Deus: Eis que eu trarei contra Tiro a Nabucodonosor, rei de Babilônia, desde o
norte, o rei dos reis, com cavalos, e com carros, e com cavaleiros, sim,
companhias e muito povo.
8 As tuas filhas ele matará à
espada no campo; e construirá fortes contra ti, levantará contra ti uma
tranqueira, e alçará paveses contra ti;
9 dirigirá os golpes dos seus
arietes contra os teus muros, e derrubará as tuas torres com os seus machados.
10 Por causa da multidão de
seus cavalos te cobrirá o seu pó; os teus muros tremerão com o estrondo dos
cavaleiros, e das carroças, e dos carros, quando ele entrar pelas tuas portas,
como quem entra numa cidade em que se fez brecha.
11 Com as patas dos seus
cavalos pisará todas as tuas ruas; ao teu povo matará à espada, e as tuas
fortes colunas cairão por terra.
12 Também eles roubarão as
tuas riquezas e saquearão as tuas mercadorias; derrubarão os teus muros e
arrasarão as tuas casas agradáveis; e lançarão no meio das águas as tuas
pedras, as tuas madeiras, e o teu solo.
13 E eu farei cessar o
arruído das tuas cantigas, e o som das tuas harpas não se ouvira mais;
14 e farei de ti uma rocha
descalvada; viras a ser um enxugadouro das redes, nunca mais serás edificada;
pois eu, o Senhor, o falei, diz o Senhor Deus.
15 Assim diz o Senhor Deus a
Tiro: Acaso não tremerão as ilhas com o estrondo da tua queda, quando gemerem
os feridos, quando se fizer a matança no meio de ti?
16 Então todos os príncipes
do mar descerão dos seus tronos, e porão de lado os seus mantos, e despirão as
suas vestes bordadas; de tremores se vestirão; sobre a terra se assentarão; e
estremecerão a cada momento, e de ti se espantarão.
17 E farão uma lamentação
sobre ti, e te dirão: Como pereceste, ó povoada de navegantes, ó cidade
afamada, que foste forte no mar! tu e os teus moradores que atemorizastes a
todos os que habitam ao teu redor!
18 Agora estremecerão as
ilhas no dia da tua queda; sim, as ilhas, que estão no mar, espantar-se-ão da
tua saída.
19 Pois assim diz o Senhor
Deus: Quando eu te fizer uma cidade assolada, como as cidades que não se
habitam, quando fizer subir sobre ti o abismo, e as muitas águas te cobrirem,
20 então te farei descer com
os que descem à cova, ao povo antigo, e te farei habitar nas mais baixas partes
da terra, em lugares desertos de há muito, juntamente com os que descem à cova,
para que não sejas habitada; e estabelecerei a glória na terra dos viventes.
21 Farei de ti um grande
espanto, e não mais existirás; embora te procurem, contudo, nunca serás achada,
diz o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [27]
1 De novo veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
2 Tu pois, ó filho do homem,
levanta uma lamentação sobre Tiro;
3 e dize a Tiro, que habita
na entrada do mar, e negocia com os povos em muitas ilhas: Assim diz o Senhor
Deus: ó Tiro, tu dizes: Eu sou perfeita em formosura.
4 No coração dos mares estão
os teus termos; os que te edificaram aperfeiçoaram a tua formosura.
5 De ciprestes de Senir
fizeram todas as tuas tábuas; trouxeram cedros do Líbano para fazerem um mastro
para ti.
6 Fizeram os teus remos de
carvalhos de Basã; os teus bancos fizeram-nos de marfim engastado em buxo das
ilhas de Quitim.
7 Linho fino bordado do Egito
era a tua vela, para te servir de estandarte; de azul, e púrpura das ilhas de
Elisá era a tua cobertura.
8 Os habitantes de Sidom e de
Arvade eram os teus remadores; os teus peritos, ó Tiro, que em ti se achavam,
esses eram os teus pilotos.
9 Os anciãos de Gebal e seus
peritos eram em ti os teus calafates; todos os navios do mar e os seus
marinheiros se achavam em ti, para tratarem dos teus negócios.
10 Os persas, e os lídios, e
os de Pute eram no teu exército os teus soldados; penduravam em ti o escudo e o
capacete; aumentavam o teu esplendor.
11 Os filhos de Arvade e o
teu exército estavam sobre os teus muros em redor, e os gamaditas nas tuas
torres; penduravam os seus escudos nos teus muros em redor; aperfeiçoavam a tua
formosura.
12 Társis negociava contigo,
por causa da abundância de toda a casta de riquezas; seus negociantes trocavam
pelas tuas mercadorias prata, ferro, estanho, e chumbo.
13 Javã, Tubál e Meseque eram
teus mercadores; pelas tuas mercadorias trocavam as pessoas de homens e vasos
de bronze.
14 Os da casa de Togarma
trocavam pelas tuas mercadorias cavalos e ginetes e machos;
15 os homens de Dedã eram
teus mercadores; muitas ilhas eram o mercado da tua mão; tornavam a trazer-te
em troca de dentes de marfim e pau de ébano.
16 A Síria negociava contigo
por causa da multidão das tuas manufaturas; pelas tuas mercadorias trocavam
granadas, púrpura, obras bordadas, linho fino, corais e rubis.
17 Judá e a terra de Israel
eram teus mercadores; pelas tuas mercadorias trocavam o trigo de Minite, cera,
mel, azeite e bálsamo.
18 Por causa da multidão das
tuas manufaturas, por causa da multidão de toda a sorte de riquezas, Damasco
negociava contigo em vinho de Helbom e lã branca.
19 Vedã e Javã de Uzal
trocavam lã fiada pelas tuas manufaturas; ferro polido, cássia e cálamo
aromático achavam-se entre as tuas mercadorias.
20 Dedã negociava contigo em
suadouros para cavalgar.
21 Arábia e todos os
príncipes de Quedar também eram os mercadores ao teu serviço; em cordeiros,
carneiros e bodes, nestas coisas negociavam contigo.
22 Os mercadores de Sabá e
Raamá igualmente negociavam contigo; pelas tuas mercadorias trocavam as
melhores de todas as especiarias e toda a pedra preciosa e ouro.
23 Harã, e Cané e Edem os
mercadores de Sabá, Assur e Quilmade eram teus mercadores.
24 Estes negociavam contigo
em roupas escolhidas, em agasalho de azul e de obra bordada, e em cofres de
roupas preciosas, amarrados com cordas e feitos de cedro.
25 Os navios de Társis eram
as tuas caravanas para a tua mercadoria; e te encheste, e te glorificaste muito
no meio dos mares.
26 Os teus remadores te
conduziram sobre grandes águas; o vento oriental te quebrantou no meio dos
mares.
27 As tuas riquezas, os teus
bens, as tuas mercadorias, os teus marinheiros e os teus pilotos, os teus
calafates, e os que faziam os teus negócios, e todos os teus soldados, que
estão em ti, juntamente com toda a tua companhia, que está no meio de ti, se
submergirão no meio dos mares no dia da tua queda.
28 Ao estrondo da gritaria
dos teus pilotos tremerão os arrabaldes.
29 E todos os que pegam no
remo, os marinheiros, e todos os pilotos do mar descerão de seus navios, e
pararão em terra,
30 e farão ouvir a sua voz
sobre ti, e gritarão amargamente; lançarão pó sobre as cabeças, e na cinza se
revolverão;
31 e se farão calvos por tua
causa, e se cingirão de sacos, e chorarão sobre ti com amargura de alma, com
amarga lamentação.
32 No seu pranto farão uma
lamentação sobre ti, na qual dirão: Quem foi como Tiro, como a que está
reduzida ao silêncio no meio do mar?
33 Quando as tuas mercadorias
eram exportadas pelos mares, fartaste a muitos povos; com a multidão das tuas
riquezas e das tuas mercadorias, enriqueceste os reis da terra.
34 No tempo em que foste
quebrantada pelos mares, nas profundezas das águas, caíram no meio de ti todas
as tuas mercadorias e toda a tua companhia.
35 Todos os moradores das
ilhas estão a teu respeito cheios de espanto; e os seus reis temem em grande
maneira, e estão de semblante perturbado.
36 Os mercadores dentre os
povos te dão vaias; tu te tornaste em grande espanto, e não mais existiras.
»EZEQUIEL [28]
1 De novo veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dize ao
príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor Deus: Visto como se elevou o teu coração,
e disseste: Eu sou um deus, na cadeira dos deuses me assento, no meio dos
mares; todavia tu és homem, e não deus, embora consideres o teu coração como se
fora o coração de um deus.
3 com efeito és mais sábio
que Daniel; não há segredo algum que se possa esconder de ti.
4 Pela tua sabedoria e pelo
teu entendimento alcançaste para ti riquezas, e adquiriste ouro e prata nos
teus tesouros.
5 Pela tua grande sabedoria
no comércio aumentaste as tuas riquezas, e por causa das tuas riquezas eleva-se
o teu coração;
6 portanto, assim diz o Senhor
Deus: Pois que consideras o teu coração como se fora o coração de um deus,
7 por isso eis que eu trarei
sobre ti estrangeiros, os mais terríveis dentre as nações, os quais
desembainharão as suas espadas contra a formosura da tua sabedoria, e mancharão
o teu resplendor.
8 Eles te farão descer à
cova; e morrerás da morte dos traspassados, no meio dos mares.
9 Acaso dirás ainda diante
daquele que te matar: Eu sou um deus? mas tu és um homem, e não um deus, na mão
do que te traspassa.
10 Da morte dos incircuncisos
morrerás, por mão de estrangeiros; pois eu o falei, diz o Senhor Deus.
11 Veio mais a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
12 Filho do homem, levanta
uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-te: Assim diz o Senhor Deus: Tu eras
o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.
13 Estiveste no Éden, jardim
de Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a
crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti
se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram
preparados.
14 Eu te coloquei com o
querubim da guarda; estiveste sobre o monte santo de Deus; andaste no meio das
pedras afogueadas.
15 Perfeito eras nos teus
caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniqüidade.
16 Pela abundância do teu
comércio o teu coração se encheu de violência, e pecaste; pelo que te lancei,
profanado, fora do monte de Deus, e o querubim da guarda te expulsou do meio
das pedras afogueadas.
17 Elevou-se o teu coração
por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu
resplendor; por terra te lancei; diante dos reis te pus, para que te
contemplem.
18 Pela multidão das tuas
iniqüidades, na injustiça do teu comércio, profanaste os teus santuários; eu,
pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu a ti, e te tornei em
cinza sobre a terra, à vista de todos os que te contemplavam.
19 Todos os que te conhecem
entre os povos estão espantados de ti; chegaste a um fim horrível, e não mais
existirás, por todo o sempre.
20 Novamente veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
21 Filho do homem, dirige o
teu rosto para Sidom, e profetiza contra ela,
22 e dize: Assim diz o Senhor
Deus: Eis-me contra ti, ó Sidom, e serei glorificado no meio de ti; e saberão
que eu sou o Senhor, quando nela executar juizos e nela me santificar.
23 Pois lhe enviarei peste e
sangue nas suas ruas; e os traspassados cairão no meio dela, estando a espada
contra ela por todos os lados; e saberão que eu sou o Senhor.
24 E a casa de Israel nunca
mais terá espinho que a fira, nem abrolho que lhe cause dor, entre os que se
acham ao redor deles e que os desprezam; e saberão que eu sou o Senhor Deus.
25 Assim diz o Senhor Deus:
Quando eu congregar a casa de Israel dentre os povos entre os quais estão
espalhados, e eu me santificar entre eles, à vista das nações, então habitarão
na sua terra que dei a meu servo, a Jacó.
26 E habitarão nela seguros;
sim, edificarão casas, e plantarão vinhas, e habitarão seguros, quando eu executar
juízos contra todos os que estão ao seu redor e que os desprezam; e saberão que
eu sou o Senhor seu Deus.
»EZEQUIEL [29]
1 No décimo ano, no décimo
mês, no dia doze do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dirige o
teu rosto contra Faraó, rei do Egito, e profetiza contra ele e contra todo o
Egito.
3 Fala, e dize: Assim diz o
Senhor Deus: Eis-me contra ti, ó Faraó, rei do Egito, grande dragão, que pousas
no meio dos teus rios, e que dizes: O meu rio é meu, e eu o fiz para mim.
4 Mas eu porei anzóis em teus
queixos, e farei que os peixes dos teus rios se apeguem às tuas escamas; e
tirar-te-ei dos teus rios, juntamente com todos os peixes dos teus nos que se
apegarem as tuas escamas.
5 E te lançarei no deserto, a
ti e a todos os peixes dos teus rios; sobre a face do campo cairás; não serás
recolhido nem ajuntado. Aos animais da terra e às aves do céu te dei por pasto.
6 E saberão todos os
moradores do Egito que eu sou o Senhor, porque tu tens sido um bordão de cana
para a casa de Israel.
7 Tomando-te eles na mão, tu
te quebraste e lhes rasgaste todo o ombro; e quando em ti se apoiaram, tu te
quebraste, fazendo estremecer todos os seus lombos.
8 Portanto, assim diz o
Senhor Deus: Eis que eu trarei sobre ti a espada, e de ti exterminarei homem e
animal.
9 E a terra do Egito se
tornará em desolação e deserto; e saberão que eu sou o Senhor. Porquanto
disseste: O rio é meu, e eu o fiz;
10 por isso eis que eu estou
contra ti e contra os teus rios; e tornarei a terra do Egito em desertas e assoladas
solidões, desde Migdol de Sevené até os confins da Etiópia.
11 Não passará por ela pé de
homem, nem pé de animal passará por ela, nem será habitada durante quarenta
anos.
12 Assim tornarei a terra do
Egito em desolação no meio das terras assoladas, e as suas cidades no meio das
cidades assoladas ficarão desertas por quarenta anos; e espalharei os egípcios
entre as nações, e os dispersarei pelos países.
13 Pois assim diz o Senhor
Deus: Ao cabo de quarenta anos ajuntarei os egípcios dentre os povos entre os
quais foram espalhados.
14 E restaurarei do cativeiro
os egípcios, e os farei voltar à terra de Patros, à sua terra natal; e serão
ali um reino humilde;
15 mais humilde se fará do
que os outros reinos, e nunca mais se exalçará sobre as nações; e eu os
diminuirei, para que não mais dominem sobre as nações.
16 E não será mais a
confiança da casa de Israel e a ocasião de ser lembrada a sua iniqüidade,
quando se virarem para olhar após eles; antes saberão que eu sou o Senhor Deus.
17 E sucedeu que, no ano
vinte e sete, no mês primeiro, no primeiro dia do mês, veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
18 Filho do homem,
Nabucodonosor, rei de Babilônia, fez com que o seu exército prestasse um grande
serviço contra Tiro. Toda cabeça se tornou calva, e todo ombro se pelou;
contudo não houve paga da parte de Tiro para ele, nem para o seu exército, pelo
serviço que prestou contra ela.
19 Portanto, assim diz o
Senhor Deus: Eis que eu darei a Nabucodonosor, rei de Babilônia, a terra do
Egito; assim levará ele a multidão dela, como tomará o seu despojo e roubará a
sua presa; e isso será a paga para o seu exército.
20 Como recompensa do serviço
que me prestou, pois trabalhou por mim, eu lhe dei a terra do Egito, diz o
Senhor Deus.
21 Naquele dia farei brotar
um chifre para a casa de Israel; e te concederei que abras a boca no meio
deles; e saberão que eu sou o Senhor.
»EZEQUIEL [30]
1 De novo veio a mim a
palavra do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, profetiza,
e dize: Assim diz o Senhor Deus: Gemei: Ah! aquele dia!
3 Porque perto está o dia,
sim, perto está o dia do Senhor; dia de nuvens será, o tempo das nações.
4 E uma espada virá ao Egito,
e haverá angústia na Etiópia, quando caírem os traspassados no Egito; o seu
povo será levado para o cativeiro e serão destruídos os seus fundamentos.
5 Etiópia, e Pute, e Lude, e
todo o povo da Arábia, e Cube, e os filhos da terra da aliança cairão
juntamente com eles à espada.
6 Assim diz o Senhor: Também
cairão os que sustêm o Egito, e descerá a soberba de seu poder; desde Migdol
até Sevené cairão nela à espada, diz o Senhor Deus.
7 E ficarão desolados no meio
das terras assoladas; e as suas cidades estarão no meio das cidades desertas.
8 E saberão que eu sou o
Senhor, quando eu puser fogo ao Egito, e forem destruídos todos os que lhe
davam auxílio.
9 Naquele dia sairão
mensageiros de diante de mim em navios, para amedrontarem os etíopes
descuidados; e sobre eles haverá angústia, como no dia do Egito; pois eis que
já vem.
10 Assim diz o Senhor Deus:
Também farei cessar do Egito a multidão, por mão de Nabucodonosor, rei de
Babilônia.
11 Ele e o seu povo com ele,
os terríveis dentre as nações, serão introduzidos para destruírem a terra; e
desembainharão as suas espadas contra o Egito, e encherão a terra de mortos.
12 E eu secarei os rios, e
venderei a terra, entregando-a na mão dos maus, e assolarei a terra e a sua
plenitude pela mão dos estranhos; eu, o Senhor, o disse.
13 Assim diz o Senhor Deus:
Também destruirei os ídolos, e farei cessar de Mênfis as imagens; e não mais
haverá um príncipe na terra do Egito; e porei o temor na terra do Egito.
14 E assolarei a Patros, e
porei fogo a Zoã, e executarei juízos em Tebas;
15 e derramarei o meu furor
sobre Pelúsio, a fortaleza do Egito, e exterminarei a multidão de Tebas;
16 também atearei um fogo no
Egito; Pelúsio terá angústia, Tebas será destruída, e Mênfis terá adversários
em pleno dia.
17 Os mancebos de Om e
Pi-Besete cairão à espada, e estas cidades irão ao cativeiro.
18 E em Tapanes se escurecerá
o dia, quando eu quebrar ali os jugos do Egito, e nela cessar a soberba do seu
poder; quanto a ela, uma nuvem a cobrirá, e suas filhas irão ao cativeiro.
19 Assim executarei juízos no
Egito, e saberão que eu sou o Senhor.
20 E sucedeu no ano undécimo,
no mês primeiro, aos sete do mês, que veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
21 Filho do homem, eu quebrei
o braço de Faraó, rei do Egito; e eis que não foi atado para se lhe aplicar
remédios curativos, nem se lhe porão ligaduras para o atar, para torná-lo
forte, a fim de pegar na espada.
22 Portanto assim diz o
Senhor Deus: Eis que eu estou contra Faraó, rei do Egito, e quebrarei os seus
braços, assim o forte como o que já foi quebrado; e farei cair da sua mão a
espada.
23 E espalharei os egípcios
entre as nações, e os dispersarei pelas terras.
24 Mas fortalecerei os braços
do rei de Babilônia, e pôr-lhe-ei na mão a minha espada; quebrarei, porém, os
braços de Faraó, e diante daquele gemerá como quem está mortalmente ferido.
25 Eu sustentarei os braços
do rei de Babilônia, mas os braços de Faraó cairão; e saberão que eu sou o
Senhor, quando eu puser a minha espada na mão do rei de Babilônia, e ele a
estender sobre a terra do Egito.
26 E espalharei os egípcios
entre as nações, e os dispersarei pelas terras; saberão assim que eu sou o
Senhor.
»EZEQUIEL [31]
1 Também sucedeu, no ano
undécimo, no terceiro mês, ao primeiro do mês, que veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dize a
Faraó, rei do Egito, e à sua multidão: A quem és semelhante na tua grandeza?
3 Eis que o assírio era como
um cedro do Líbano, de ramos formosos, de sombrosa ramagem e de alta estatura;
e a sua copa estava entre os ramos espessos.
4 As águas nutriram-no, o
abismo fê-lo crescer; as suas correntes corriam em torno da sua plantação;
assim ele enviava os seus regatos a todas as árvores do campo.
5 Por isso se elevou a sua
estatura sobre todas as árvores do campo, e se multiplicaram os seus ramos, e
se alongaram as suas varas, por causa das muitas águas nas suas raízes.
6 Todas as aves do céu se
aninhavam nos seus ramos; e todos os animais do campo geravam debaixo dos seus
ramos; e à sua sombra habitavam todos os grandes povos.
7 Assim era ele formoso na
sua grandeza, na extensão dos seus ramos, porque a sua raiz estava junto às
muitas águas.
8 Os cedros no jardim de Deus
não o podiam esconder; as faias não igualavam os seus ramos, e os plátanos não
eram como as suas varas; nenhuma árvore no jardim de Deus se assemelhava a ele
na sua formosura.
9 Formoso o fiz pela
abundância dos seus ramos; de modo que tiveram inveja dele todas as árvores do
Edem que havia no jardim de Deus.
10 Portanto assim diz o
Senhor Deus: Como se elevou na sua estatura, e se levantou a sua copa no meio
dos espessos ramos, e o seu coração se ufanava da sua altura,
11 eu o entregarei na mão da
mais poderosa das nações, que lhe dará o tratamento merecido. Eu já o lancei
fora.
12 Estrangeiros, da mais
terrível das nações, o cortarão, e o deixarão; cairão os seus ramos sobre os
montes e por todos os vales, e os seus renovos serão quebrados junto a todas as
correntes da terra; e todos os povos da terra se retirarão da sua sombra, e o
deixarão.
13 Todas as aves do céu
habitarão sobre a sua ruína, e todos os animais do campo estarão sobre os seus
ramos;
14 para que nenhuma de todas
as árvores junto às águas se exalte na sua estatura, nem levante a sua copa no
meio dos ramos espessos, nem se levantem na sua altura os seus poderosos, sim,
todos os que bebem água; porque todos eles estão entregues à morte, até as
partes inferiores da terra, no meio dos filhos dos homens, juntamente com os
que descem a cova.
15 Assim diz o Senhor Deus:
No dia em que ele desceu ao Seol, fiz eu que houvesse luto; cobri o abismo, por
sua causa, e retive as suas correntes, e detiveram-se as grandes águas; e fiz
que o Líbano o pranteasse; e todas as árvores do campo por causa dele
desfaleceram.
16 Farei tremer as nações ao
som da sua queda, quando o fizer descer ao Seol juntamente com os que descem à
cova; e todas as árvores do Edem a flor e o melhor do Líbano, todas as que bebem
águas, se consolarão nas partes inferiores da terra;
17 também juntamente com ele
descerão ao Seol, ajuntar-se aos que foram mortos à espada; sim, aos que foram
seu braço, e que habitavam à sua sombra no meio das nações.
18 A quem, pois, és
semelhante em glória e em grandeza entre as árvores do Eden? Todavia serás
precipitado juntamente com as árvores do Eden às partes inferiores da terra; no
meio dos incircuncisos jazerás com os que foram mortos à espada: este é Faraó e
toda a sua multidão, diz o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [32]
1 Sucedeu que, no ano
duodécimo, no mês duodécimo, ao primeiro do mês, veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, faze uma
lamentação sobre Faraó, rei do Egito, e dize-lhe: Foste assemelhado a um leão
novo entre as nações; contudo tu és como um dragão nos mares; pulavas nos teus
rios e os sujavas, turvando com os pés as suas águas.
3 Assim diz o Senhor Deus:
Estenderei sobre ti a minha rede por meio duma companhia de muitos povos, e
eles te alçarão na minha rede.
4 Então te deixarei em terra;
sobre a face do campo te lançarei, e farei pousar sobre ti todas as aves do
céu, e fartarei de ti os animais de toda a terra.
5 E porei as tuas carnes
sobre os montes, e encherei os vales da tua altura.
6 Também com o teu sangue regarei
a terra onde nadas, até os montes; e as correntes se encherão de ti.
7 E, apagando-te eu, cobrirei
o céu, e enegrecerei as suas estrelas; ao sol encobrirei com uma nuvem, e a lua
não dará a sua luz.
8 Todas as brilhantes luzes
do céu, eu as enegrecerei sobre ti, e trarei trevas sobre a tua terra, diz o
Senhor Deus.
9 E afligirei o coração de
muitos povos, quando eu levar a efeito a tua destruição entre as nações, até as
terras que não conheceste.
10 Demais farei com que
muitos povos fiquem pasmados a teu respeito, e os seus reis serão sobremaneira
amedrontados, quando eu brandir a minha espada diante deles; e estremecerão a
cada momento, cada qual pela sua vida, no dia da tua queda.
11 Pois assim diz o Senhor
Deus: A espada do rei de Babilônia virá sobre ti.
12 Farei cair a tua multidão
pelas espadas dos valentes; terríveis dentre as nações são todos eles;
despojarão a soberba do Egito, e toda a sua multidão será destruída.
13 Exterminarei também todos
os seus animais de junto às muitas águas; não as turvará mais pé de homem, não
as turvarão unhas de animais.
14 Então tornarei claras as
suas águas, e farei correr os seus rios como o azeite, diz o Senhor Deus.
15 Quando eu tornar desolada
a terra do Egito, e ela for despojada da sua plenitude, e quando eu ferir a
todos os que nela habitarem, então saberão que eu sou o Senhor.
16 Esta é a lamentação que se
fará; que as filhas das nações farão sobre o Egito e sobre toda a sua multidão,
diz o Senhor Deus.
17 Também sucedeu que, no ano
duodécimo, aos quinze do mês, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
18 Filho do homem, pranteia
sobre a multidão do Egito, e faze-a descer, a ela e às filhas das nações
majestosas, até as partes inferiores da terra, juntamente com os que descem à
cova.
19 A quem sobrepujas tu em
beleza? Desce, e deita-te com os incircuncisos.
20 No meio daqueles que foram
mortos à espada eles cairão; à espada ela está entregue; arrastai-a e a toda a
sua multidão.
21 Os poderosos entre os
valentes lhe falarão desde o meio do Seol, com os que o socorrem; já desceram,
jazem quietos os incircuncisos, mortos a espada.
22 Ali está Assur com toda a
sua companhia. Em redor dele estão os seus sepulcros; todos eles foram mortos,
caíram à espada.
23 Os seus sepulcros foram
postos no mais interior da cova, e a sua companhia está em redor do seu
sepulcro; foram mortos, caíram à espada todos esses que tinham causado espanto
na terra dos viventes.
24 Ali está Elão com toda a
sua multidão em redor do seu sepulcro; foram mortos, cairam a espada, e
desceram incircuncisos às partes inferiores da terra, todos esses que causaram
terror na terra dos viventes; e levaram a sua vergonha juntamente com os que
descem à cova.
25 No meio dos mortos lhe
puseram a cama entre toda a sua multidão; ao redor dele estão os seus sepulcros;
todos esses incircuncisos foram mortos à espada; porque causaram terror na
terra dos viventes; e levaram a sua vergonha com os que descem à cova. Está
posto no meio dos mortos.
26 Ali estão Meseque, Tubal e
toda a sua multidão; ao redor deles estão os seus sepulcros; todos esses
incircuncisos foram mortos à espada; porque causaram terror na terra dos
viventes.
27 E não jazem com os
valentes que dentre os incircuncisos caíram, os quais desceram ao Seol com as
suas armas de guerra e puseram as suas espadas debaixo das suas cabeças, tendo
os seus escudos sobre os seus ossos; porque eram o terror dos poderosos na
terra dos viventes.
28 Mas tu serás quebrado no
meio dos incircuncisos, e jazerás com os que foram mortos a espada.
29 Ali está Edom, os seus reis
e todos os seus príncipes, que no seu poder foram postos com os que foram
mortos à espada; estes jazerão com os incircuncisos e com os que descem a cova.
30 Ali estão os príncipes do
norte, todos eles, e todos os sidônios, que desceram com os mortos; envergonhados
são pelo terror causado pelo seu poder; jazem incircuncisos com os que foram
mortos à espada, e levam a sua vergonha com os que descem à cova.
31 Faraó os verá, e se
consolará sobre toda a sua multidão; sim, o próprio Faraó, e todo o seu exército,
traspassados à espada, diz o Senhor Deus.
32 Pois também eu pus o
terror dele na terra dos viventes; pelo que jazerá no meio dos incircuncisos,
com os mortos à espada, o próprio Faraó e toda a sua multidão, diz o Senhor
Deus.
»EZEQUIEL [33]
1 Ainda veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, fala aos
filhos do teu povo, e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra, e
o povo da terra tomar um dos seus, e o constituir por seu atalaia;
3 se, quando ele vir que a
espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo;
4 então todo aquele que ouvir
o som da trombeta, e não se der por avisado, e vier a espada, e o levar, o seu
sangue será sobre a sua cabeça.
5 Ele ouviu o som da
trombeta, e não se deu por avisado; o seu sangue será sobre ele. Se, porém, se
desse por avisado, salvaria a sua vida.
6 Mas se, quando o atalaia
vir que vem a espada, não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e vier a
espada e levar alguma pessoa dentre eles, este tal foi levado na sua
iniqüidade, mas o seu sangue eu o requererei da mão do atalaia.
7 Quanto a ti, pois, ó filho
do homem, eu te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; portanto ouve da
minha boca a palavra, e da minha parte dá-lhes aviso.
8 Se eu disser ao ímpio: O
ímpio, certamente morrerás; e tu não falares para dissuadir o ímpio do seu
caminho, morrerá esse ímpio na sua iniqüidade, mas o seu sangue eu o requererei
da tua mão.
9 Todavia se advertires o
ímpio do seu caminho, para que ele se converta, e ele não se converter do seu
caminho, morrerá ele na sua iniqüidade; tu, porém, terás livrado a tua alma.
10 Tu, pois, filho do homem,
dize à casa de Israel: Assim falais vós, dizendo: Visto que as nossas
transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e nós definhamos neles, como
viveremos então?
11 Dize-lhes: Vivo eu, diz o
Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim em que o ímpio se
converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus
caminhos; pois, por que morrereis, ó casa de Israel?
12 Portanto tu, filho do
homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da
sua transgressão; e, quanto à impiedade do ímpio, por ela não cairá ele no dia
em que se converter da sua impiedade; nem o justo pela justiça poderá viver no
dia em que pecar.
13 Quando eu disser ao justo
que certamente viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar iniqüidade,
nenhuma das suas obras de justiça será lembrada; mas na sua iniqüidade, que
praticou, nessa morrerá.
14 Demais, quando eu também
disser ao ímpio: Certamente morrerás; se ele se converter do seu pecado, e
praticar a retidão
15 se esse ímpio, restituir o
penhor, devolver o que ele tinha furtado, e andar nos estatutos da vida, não
praticando a iniqüidade, certamente viverá, não morrerá.
16 Nenhum de todos os seus
pecados que cometeu será lembrado contra ele; praticou a retidão e a justiça,
certamente viverá.
17 Todavia, os filhos do teu
povo dizem: Não é reto o caminho do Senhor; mas o próprio caminho deles é que
não é reto.
18 Quando o justo se apartar
da sua justiça, praticando a iniqüidade, morrerá nela;
19 e, quando o ímpio se
converter da sua impiedade, e praticar a retidão e a justiça, por estas viverá.
20 Todavia, vós dizeis: Não é
reto o caminho do Senhor. Julgar-vos-ei a cada um conforme os seus caminhos, ó
casa de Israel.
21 No ano duodécimo do nosso
cativeiro, no décimo mês, aos cinco dias do mês, veio a mim um que tinha
escapado de Jerusalém, dizendo: Caída está a cidade.
22 Ora a mão do Senhor
estivera sobre mim pela tarde, antes que viesse o que tinha escapado; e ele
abrirá a minha boca antes que esse homem viesse ter comigo pela manhã; assim se
abriu a minha boca, e não fiquei mais em silêncio.
23 Então veio a mim a palavra
do Senhor, dizendo:
24 Filho do homem, os moradores
destes lugares desertos da terra de Israel costumam dizer: Abraão era um só,
contudo possuiu a terra; mas nós somos muitos; certamente nos é dada a terra
por herança.
25 Dize-lhes portanto: Assim
diz o Senhor Deus: Comeis a carne com o seu sangue, e levantais vossos olhos
para os vossos ídolos, e derramais sangue! porventura haveis de possuir a
terra?
26 Vós vos estribais sobre a
vossa espada; cometeis abominações, e cada um contamina a mulher do seu
próximo! e haveis de possuir a terra?
27 Assim lhes dirás: Assim
disse o Senhor Deus: Vivo eu, que os que estiverem em lugares desertos cairão à
espada, e o que estiver no campo aberto eu o entregarei às feras para ser
devorado, e os que estiverem em lugares fortes e em cavernas morrerão de peste.
28 E tornarei a terra em
desolação e espanto, e cessará a soberba do seu poder; e os montes de Israel
ficarão tão desolados que ninguém passará por eles.
29 Então saberão que eu sou o
Senhor, quando eu tornar a terra em desolação e espanto, por causa de todas as
abominações que cometeram.
30 Quanto a ti, ó filho do
homem, os filhos do teu povo falam de ti junto às paredes e nas portas das
casas; e fala um com o outro, cada qual a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos,
e ouvi qual seja a palavra que procede do Senhor.
31 E eles vêm a ti, como o
povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas
palavras, mas não as põem por obra; pois com a sua boca professam muito amor,
mas o seu coração vai após o lucro.
32 E eis que tu és para eles
como uma canção de amores, canção de quem tem voz suave, e que bem tange;
porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra.
33 Quando suceder isso (e há
de suceder), saberão que houve no meio deles um profeta.
»EZEQUIEL [34]
1 Veio a mim a palavra do Senhor,
dizendo:
2 Filho do homem, profetiza
contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o
Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem
os pastores apascentar as ovelhas?
3 Comeis a gordura, e vos
vestis da lã; matais o cevado; mas não apascentais as ovelhas.
4 A fraca não fortalecestes,
a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a
trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.
5 Assim se espalharam, por
não haver pastor; e tornaram-se pasto a todas as feras do campo, porquanto se
espalharam.
6 As minhas ovelhas andaram
desgarradas por todos os montes, e por todo alto outeiro; sim, as minhas
ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as
procurasse, ou as buscasse.
7 Portanto, ó pastores, ouvi
a palavra do Senhor:
8 Vivo eu, diz o Senhor Deus,
que porquanto as minhas ovelhas foram entregues à rapina, e as minhas ovelhas
vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os
meus pastores não procuraram as minhas ovelhas, pois se apascentaram a si
mesmos, e não apascentaram as minhas ovelhas;
9 portanto, ó pastores, ouvi
a palavra do Senhor:
10 Assim diz o Senhor Deus:
Eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos requererei as minhas
ovelhas, e farei que eles deixem de apascentar as ovelhas, de sorte que não se
apascentarão mais a si mesmos. Livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que
não lhes sirvam mais de pasto.
11 Porque assim diz o Senhor
Deus: Eis que eu, eu mesmo, procurarei as minhas ovelhas, e as buscarei.
12 Como o pastor busca o seu
rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei
as minhas ovelhas. Livrá-las-ei de todos os lugares por onde foram espalhadas,
no dia de nuvens e de escuridão.
13 Sim, tirá-las-ei para fora
dos povos, e as congregarei dos países, e as introduzirei na sua terra, e as
apascentarei sobre os montes de Israel, junto às correntes d'água, e em todos
os lugares habitados da terra.
14 Em bons pastos as
apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu curral; deitar-se-ão ali
num bom curral, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel.
15 Eu mesmo apascentarei as
minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor Deus.
16 A perdida buscarei, e a
desgarrada tornarei a trazer; a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; e a
gorda e a forte vigiarei. Apascentá-las-ei com justiça.
17 Quanto a vós, ó ovelhas
minhas, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu julgarei entre ovelhas e ovelhas,
entre carneiros e bodes.
18 Acaso não vos basta
fartar-vos do bom pasto, senão que pisais o resto de vossos pastos aos vossos
pés? e beber as águas limpas, senão que sujais o resto com os vossos pés?
19 E as minhas ovelhas hão de
comer o que haveis pisado, e beber o que haveis sujado com os vossos pés.
20 Por isso o Senhor Deus
assim lhes diz: Eis que eu, eu mesmo, julgarei entre a ovelha gorda e a ovelha
magra.
21 Porquanto com o lado e com
o ombro dais empurrões, e com as vossas pontas escorneais todas as fracas, até
que as espalhais para fora,
22 portanto salvarei as
minhas ovelhas, e não servirão mais de presa; e julgarei entre ovelhas e
ovelhas.
23 E suscitarei sobre elas um
só pastor para as apascentar, o meu servo Davi. Ele as apascentará, e lhes
servirá de pastor.
24 E eu, o Senhor, serei o
seu Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o Senhor, o
disse.
25 Farei com elas um pacto de
paz; e removerei da terra os animais ruins, de sorte que elas habitarão em
segurança no deserto, e dormirão nos bosques.
26 E delas e dos lugares ao
redor do meu outeiro farei uma bênção; e farei descer a chuva a seu tempo;
chuvas de bênçãos serão.
27 E as árvores do campo
darão o seu fruto, e a terra dará a sua novidade, e estarão seguras na sua
terra; saberão que eu sou o Senhor, quando eu quebrar os canzis do seu jugo e
as livrar da mão dos que se serviam delas.
28 Pois não servirão mais de
presa aos gentios, nem as devorarão mais os animais da terra; mas habitarão
seguramente, e ninguém haverá que as espante.
29 Também lhes levantarei uma
plantação de renome, e nunca mais serão consumidas pela fome na terra, nem mais
levarão sobre si o opróbrio das nações.
30 Saberão, porém, que eu, o
Senhor seu Deus, estou com elas, e que elas são o meu povo, a casa de Israel,
diz o Senhor Deus.
31 Vós, ovelhas minhas,
ovelhas do meu pasto, sois homens, e eu sou o vosso Deus, diz o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [35]
1 Veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dirige o
teu rosto contra o monte Seir, e profetiza contra ele.
3 E dize-lhe: Assim diz o
Senhor Deus: Eis que eu estou contra ti, ó monte Seir, e estenderei a minha mão
contra ti, e te tornarei em desolação e espanto.
4 Farei desertas as tuas
cidades, e tu serás assolado; e saberás que eu sou o Senhor.
5 Pois que guardaste perpétua
inimizade, e entregaste os filhos de Israel ao poder da espada no tempo da sua
calamidade, no tempo do castigo final;
6 por isso vivo eu, diz o
Senhor Deus, que te prepararei para sangue, e o sangue te perseguirá; visto que
não aborreceste o sangue, por isso o sangue te perseguirá.
7 Farei do monte Seir um
espanto e uma desolação, e exterminarei dele o que por ele passar, e o que por
ele voltar;
8 e encherei os seus montes
dos seus mortos; nos teus outeiros, e nos teus vales, e em todas as tuas
correntes d'água cairão os mortos à espada.
9 Em desolações perpétuas te
porei, e não serão habitadas as tuas cidades. Então sabereis que eu sou o
Senhor.
10 Visto como dizes: Estes
dois povos e estas duas terras serão meus, e havemos de possuí-los, sendo que o
Senhor se achava ali;
11 portanto, vivo eu, diz o
Senhor Deus, que procederei conforme a tua ira, e conforme a tua inveja, de que
usaste, no teu ódio contra eles; e me darei a conhecer entre eles, quando eu te
julgar.
12 E saberás que eu, o
Senhor, ouvi todas as tuas blasfêmias, que proferiste contra os montes de
Israel, dizendo: Já estão assolados, a nós nos são entregues por pasto.
13 Vós vos engrandecestes
contra mim com a vossa boca, e multiplicastes as vossas palavras contra mim. Eu
o ouvi.
14 Assim diz o Senhor Deus:
Quando a terra toda se alegrar, a ti te farei uma desolação.
15 Como te alegraste com a
herança da casa de Israel, porque foi assolada, assim eu te farei a ti:
assolado serás, ó monte Seir, e todo o Edom, sim, todo ele; e saberão que eu
sou o Senhor.
»EZEQUIEL [36]
1 Tu, ó filho do homem,
profetiza aos montes de Israel, e dize: Montes de Israel, ouvi a palavra do
Senhor.
2 Assim diz o Senhor Deus:
Pois que disse o inimigo contra vós: Ah! ah! e: As alturas antigas são nossas
para as possuirmos;
3 portanto, profetiza, e
dize: Assim diz o Senhor Deus: Porquanto, sim, porquanto vos assolaram e vos
devoraram de todos os lados, para que ficásseis feitos herança do resto das
nações, e tendes andado em lábios paroleiros, e chegastes a ser a infâmia do
povo;
4 portanto, ouvi, ó montes de
Israel, a palavra do Senhor Deus: Assim diz o Senhor Deus aos montes e aos
outeiros, às correntes d'água e aos vales, aos desertos assolados e às cidades
desamparadas, que se tornaram presa e escárnio para o resto das nações que
estão ao redor delas;
5 portanto, assim diz o
Senhor Deus: Certamente no fogo do meu zelo falei contra o resto das nações, e
contra todo o Edom, que se apropriaram da minha terra, com toda a alegria de
seu coração, e com menosprezo da alma, para a lançarem fora a rapina;
6 portanto, profetiza sobre a
terra de Israel, e dize aos montes e aos outeiros, às correntes d'água e aos
vales: Assim diz o Senhor Deus: Eis que falei no meu zelo e no meu furor, porque
levastes sobre vós o opróbrio das nações.
7 Portanto, assim diz o
Senhor Deus: Eu levantei a minha mão, jurando: Certamente as nações que estão
ao redor de vós levarão o seu opróbrio sobre si mesmas.
8 Mas vós, ó montes de
Israel, vós produzireis os vossos ramos, e dareis o vosso fruto para o meu povo
de Israel, pois já está prestes a vir.
9 pois eis que eu estou
convosco, e eu me voltarei para vós, e sereis lavrados e semeados;
10 e multiplicarei homens
sobre vós, a toda a casa de Israel, a toda ela; e as cidades serão habitadas, e
os lugares devastados serão edificados.
11 Também sobre vós
multiplicarei homens e animais, e eles se multiplicarão, e frutificarão. E
farei que sejais habitados como dantes, e vos tratarei melhor do que nos vossos
princípios. Então sabereis que eu sou o Senhor.
12 E sobre vós farei andar
homens, o meu povo de Israel; eles te possuirão, e tu serás a sua herança, e
nunca mais os desfilharás.
13 Assim diz o Senhor Deus:
Visto como vos dizem: Tu devoras os homens, e tens desfilhado a tua nação;
14 por isso tu não devorarás
mais os homens, nem desfilharás mais a tua nação, diz o Senhor Deus.
15 Não te permitirei ouvir
mais a afronta das nações; e não levaras mais sobre ti o opróbrio dos povos,
nem farás tropeçar mais a tua nação, diz o Senhor Deus.
16 Veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
17 Filho do homem, quando a
casa de Israel habitava na sua terra, então eles a contaminaram com os seus
caminhos e com as suas ações. Como a imundícia de uma mulher em sua separação,
tal era o seu caminho diante de mim.
18 Derramei, pois, o meu
furor sobre eles, por causa do sangue que derramaram sobre a terra, e porque a
contaminaram com os seus ídolos;
19 e os espalhei entre as
nações, e foram dispersos pelas terras; conforme os seus caminhos, e conforme
os seus feitos, eu os julguei.
20 E, chegando às nações para
onde foram, profanaram o meu santo nome, pois se dizia deles: São estes o povo
do Senhor, e tiveram de sair da sua terra.
21 Mas eu os poupei por amor
do meu santo nome, que a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi.
22 Dize portanto à casa de
Israel: Assim diz o Senhor Deus: Não é por amor de vós que eu faço isto, o casa
de Israel; mas em atenção ao meu santo nome, que tendes profanado entre as
nações para onde fostes;
23 e eu santificarei o meu
grande nome, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio
delas; e as nações saberão que eu sou o Senhor, diz o Senhor Deus, quando eu
for santificado aos seus olhos.
24 Pois vos tirarei dentre as
nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra.
25 Então aspergirei água pura
sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os
vossos ídolos, vos purificarei.
26 Também vos darei um
coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne
o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
27 Ainda porei dentro de vós
o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas
ordenanças, e as observeis.
28 E habitareis na terra que
eu dei a vossos pais, e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.
29 Pois eu vos livrarei de
todas as vossas imundícias; e chamarei o trigo, e o multiplicarei, e não trarei
fome sobre vós;
30 mas multiplicarei o fruto
das árvores, e a novidade do campo, para que não mais recebais o opróbrio da
fome entre as nações.
31 Então vos lembrareis dos
vossos maus caminhos, e dos vossos feitos que não foram bons; e tereis nojo em
vós mesmos das vossas iniqüidades e das vossas abominações.
32 Não é por amor de vós que
eu faço isto, diz o Senhor Deus, notório vos seja; envergonhai-vos, e
confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel.
33 Assim diz o Senhor Deus:
No dia em que eu vos purificar de todas as vossas iniqüidades, então farei com
que sejam habitadas as cidades e sejam edificados os lugares devastados.
34 E a terra que estava
assolada será lavrada, em lugar de ser uma desolação aos olhos de todos os que
passavam.
35 E dirão: Esta terra que
estava assolada tem-se tornado como jardim do Eden; e as cidades solitárias, e
assoladas, e destruídas, estão fortalecidas e habitadas.
36 Então as nações que
ficarem de resto em redor de vós saberão que eu, o Senhor, tenho reedificado as
cidades destruídas, e plantado o que estava devastado. Eu, o Senhor, o disse, e
o farei.
37 Assim diz o Senhor Deus:
Ainda por isso serei consultado da parte da casa de Israel, que lho faça;
multiplicá-los-ei como a um rebanho.
38 Como o rebanho para os
sacrifícios, como o rebanho de Jerusalém nas suas solenidades, assim as cidades
desertas se encherão de famílias; e saberão que eu sou o Senhor.
»EZEQUIEL [37]
1 Veio sobre mim a mão do
Senhor; e ele me levou no Espírito do Senhor, e me pôs no meio do vale que
estava cheio de ossos;
2 e me fez andar ao redor
deles. E eis que eram muito numerosos sobre a face do vale; e eis que estavam
sequíssimos.
3 Ele me perguntou: Filho do
homem, poderão viver estes ossos? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes.
4 Então me disse: Profetiza
sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.
5 Assim diz o Senhor Deus a
estes ossos: Eis que vou fazer entrar em vós o fôlego da vida, e vivereis.
6 E porei nervos sobre vós, e
farei crescer carne sobre vós, e sobre vos estenderei pele, e porei em vós o
fôlego da vida, e vivereis. Então sabereis que eu sou o Senhor.
7 Profetizei, pois, como se
me deu ordem. Ora enquanto eu profetizava, houve um ruído; e eis que se fez um
rebuliço, e os ossos se achegaram, osso ao seu osso.
8 E olhei, e eis que vieram
nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima;
mas não havia neles fôlego.
9 Então ele me disse:
Profetiza ao fôlego da vida, profetiza, ó filho do homem, e dize ao fôlego da
vida: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó fôlego da vida, e
assopra sobre estes mortos, para que vivam.
10 Profetizei, pois, como ele
me ordenara; então o fôlego da vida entrou neles e viveram, e se puseram em pé,
um exército grande em extremo.
11 Então me disse: Filho do
homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que eles dizem: Os nossos
ossos secaram-se, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo cortados.
12 Portanto profetiza, e
dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu vos abrirei as vossas
sepulturas, sim, das vossas sepulturas vos farei sair, ó povo meu, e vos trarei
à terra de Israel.
13 E quando eu vos abrir as
sepulturas, e delas vos fizer sair, ó povo meu, sabereis que eu sou o Senhor.
14 E porei em vós o meu
Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o Senhor,
o falei e o cumpri, diz o Senhor.
15 A palavra do Senhor veio a
mim, dizendo:
16 Tu, pois, ó filho do
homem, toma um pau, e escreve nele: Por Judá e pelos filhos de Israel, seus
companheiros. Depois toma outro pau, e escreve nele: Por José, vara de Efraim,
e por toda a casa de Israel, seus companheiros;
17 e ajunta um ao outro, para
que se unam, e se tornem um só na tua mão.
18 E quando te falarem os
filhos do teu povo, dizendo: Porventura não nos declararás o que queres dizer
com estas coisas?
19 Tu lhes dirás: Assim diz o
Senhor Deus: Eis que eu tomarei a vara de José, que esteve na mão de Efraim, e
as das tribos de Israel, suas companheiras, e lhes ajuntarei a vara de Judá, e
farei delas uma só vara, e elas se farão uma só na minha mão.
20 E os paus, sobre que
houveres escrito, estarão na tua mão, perante os olhos deles.
21 Dize-lhes pois: Assim diz
o Senhor Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel dentre as nações para
onde eles foram, e os congregarei de todos os lados, e os introduzirei na sua
terra;
22 e deles farei uma nação na
terra, nos montes de Israel, e um rei será rei de todos eles; e nunca mais
serão duas nações, nem de maneira alguma se dividirão para o futuro em dois
reinos;
23 nem se contaminarão mais
com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com qualquer uma das suas
transgressões; mas eu os livrarei de todas as suas apostasias com que pecaram,
e os purificarei. Assim eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
24 Também meu servo Davi
reinará sobre eles, e todos eles terão um pastor só; andarão nos meus juízos, e
guardarão os meus estatutos, e os observarão.
25 Ainda habitarão na terra
que dei a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; nela habitarão, eles e
seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será
seu príncipe eternamente.
26 Farei com eles um pacto de
paz, que será um pacto perpétuo. E os estabelecerei, e os multiplicarei, e
porei o meu santuário no meio deles para sempre.
27 Meu tabernáculo
permanecerá com eles; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
28 E as nações saberão que eu
sou o Senhor que santifico a Israel, quando estiver o meu santuário no meio
deles para sempre.
»EZEQUIEL [38]
1 Veio a mim a palavra do
Senhor, dizendo:
2 Filho do homem, dirige o
teu rosto para Gogue, terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e Tubal, e
profetiza contra ele,
3 e dize: Assim diz o Senhor
Deus: Eis que eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e Tubal;
4 e te farei voltar, e porei
anzóis nos teus queixos, e te levarei a ti, com todo o teu exército, cavalos e
cavaleiros, todos eles vestidos de armadura completa, uma grande companhia, com
pavês e com escudo, manejando todos a espada;
5 Pérsia, Cuche, e os de Pute
com eles, todos com escudo e capacete;
6 Gomer, e todas as suas
tropas; a casa de Togarma no extremo norte, e todas as suas tropas; sim, muitos
povos contigo.
7 Prepara-te, sim, dispõe-te,
tu e todas as tuas companhias que se reuniram a ti, e serve-lhes tu de guarda.
8 Depois de muitos dias serás
visitado. Nos últimos anos virás à terra que é restaurada da guerra, e onde foi
o povo congregado dentre muitos povos aos montes de Israel, que haviam estado
desertos por longo tempo; mas aquela terra foi tirada dentre os povos, e todos
os seus moradores estão agora seguros.
9 Então subirás, virás como
uma tempestade, far-te-ás como uma nuvem para cobrir a terra, tu e todas as
tuas tropas, e muitos povos contigo.
10 Assim diz o Senhor Deus:
Acontecerá naquele dia que terás altivos projetos no teu coração, e maquinarás
um mau desígnio.
11 E dirás: Subirei contra a
terra das aldeias não muradas; irei contra os que estão em repouso, que habitam
seguros, habitando todos eles sem muro, e sem ferrolho nem portas;
12 a fim de tomares o
despojo, e de arrebatares a presa, e tornares a tua mão contra os lugares
desertos que agora se acham habitados, e contra o povo que foi congregado
dentre as nações, o qual adquiriu gado e bens, e habita no meio da terra.
13 Sabá, e Dedã, e os
mercadores de Társis, com todos os seus leões novos, te dirão: Vens tu para
tomar o despojo? Ajuntaste o teu bando para arrebatar a presa, para levar a
prata e o ouro, para tomar o gado e os bens, para saquear grande despojo?
14 Portanto, profetiza, ó
filho do homem, e dize a Gogue: Assim diz o Senhor Deus: Acaso naquele dia,
quando o meu povo Israel habitar seguro, não o saberás tu?
15 Virás, pois, do teu lugar,
lá do extremo norte, tu e muitos povos contigo, montados todos a cavalo, uma
grande companhia e um exército numeroso;
16 e subirás contra o meu povo
Israel, como uma nuvem, para cobrir a terra. Nos últimos dias hei de trazer-te
contra a minha terra, para que as nações me conheçam a mim, quando eu tiver
vindicado a minha santidade em ti, ó Gogue, diante dos seus olhos.
17 Assim diz o Senhor Deus: Não
és tu aquele de quem eu disse nos dias antigos, por intermédio de meus servos,
os profetas de Israel, os quais naqueles dias profetizaram largos anos, que te
traria contra eles?
18 Naquele dia, porém, quando
vier Gogue contra a terra de Israel, diz o Senhor Deus, a minha indignação
subirá às minhas narinas.
19 Pois no meu zelo, no ardor
da minha ira falei: Certamente naquele dia haverá um grande tremor na terra de
Israel;
20 de tal sorte que tremerão
diante da minha face os peixes do mar, as aves do céu, os animais do campo, e
todos os répteis que se arrastam sobre a terra, bem como todos os homens que
estão sobre a face da terra; e os montes serão deitados abaixo, e os
precipícios se desfarão, e todos os muros desabarão por terra.
21 E chamarei contra ele a
espada sobre todos os meus montes, diz o Senhor Deus; a espada de cada um se
voltará contra seu irmão.
22 Contenderei com ele também
por meio da peste e do sangue; farei chover sobre ele e as suas tropas, e sobre
os muitos povos que estão com ele, uma chuva inundante, grandes pedras de
saraiva, fogo e enxofre.
23 Assim eu me engrandecerei
e me santificarei, e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão
que eu sou o Senhor.
»EZEQUIEL [39]
1 Tu, pois, ó filho do homem,
profetiza contra Gogue, e dize: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu sou contra
ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e Tubal;
2 e te farei virar e,
conduzindo-te, far-te-ei subir do extremo norte, e te trarei aos montes de
Israel.
3 Com um golpe tirarei da tua
mão esquerda o teu arco, e farei cair da tua mão direita as tuas flechas.
4 Nos montes de Israel
cairás, tu e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; e às aves de
rapina de toda espécie e aos animais do campo te darei, para que te devorem.
5 Sobre a face do campo
cairás; porque eu falei, diz o Senhor Deus.
6 E enviarei um fogo sobre
Magogue, e entre os que habitam seguros nas ilhas; e saberão que eu sou o
Senhor.
7 E farei conhecido o meu
santo nome no meio do meu povo Israel, e nunca mais deixarei profanar o meu
santo nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel.
8 Eis que isso vem, e se
cumprirá, diz o Senhor Deus; este é o dia de que tenho falado.
9 E os habitantes das cidades
de Israel sairão, e com as armas acenderão o fogo, e queimarão os escudos e os
paveses, os arcos e as flechas, os bastões de mão e as lanças; acenderão o fogo
com tudo isso por sete anos;
10 e não trarão lenha do
campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas acenderão o fogo; e
roubarão aos que os roubaram, e despojarão aos que os despojaram, diz o Senhor
Deus.
11 Naquele dia, darei a Gogue
como lugar de sepultura em Israel, o vale dos que passam ao oriente do mar, o
qual fará parar os que por ele passarem; e ali sepultarão a Gogue, e a toda a
sua multidão, e lhe chamarão o Vale de Hamom-Gogue.
12 E a casa de Israel levará
sete meses em sepultá-los, para purificar a terra.
13 Sim, todo o povo da terra
os enterrará; e isto lhes servirá de fama, no dia em que eu for glorificado,
diz o Senhor Deus.
14 Separarão, pois, homens
que incessantemente percorrerão a terra, para que sepultem os que tiverem
ficado sobre a face da terra, para a purificarem. Depois de passados sete
meses, farão a busca;
15 e quando percorrerem a
terra, vendo alguém um osso de homem, levantar-lhe-á ao pé um sinal, até que os
enterradores o enterrem no Vale de Hamom-Gogue.
16 E também o nome da cidade
será Hamona. Assim purificarão a terra.
17 Tu, pois, ó filho do
homem, assim diz o Senhor Deus: Dize às aves de toda espécie, e a todos os animais
do campo: Ajuntai-vos e vinde; ajuntai-vos de todos os lados para o meu
sacrifício, que eu sacrifico por vós, sacrifício grande sobre os montes de
Israel, para comerdes carne e beberdes sangue.
18 Comereis as carnes dos
poderosos e bebereis o sangue dos príncipes da terra, dos carneiros e dos
cordeiros, dos bodes e dos novilhos, todos eles cevados em Basã.
19 Comereis da gordura até
vos fartardes, e bebereis do sangue até vos embebedardes, da gordura e do
sangue do sacrifício que vos estou preparando.
20 E à minha mesa vos
fartareis de cavalos e de cavaleiros, de valentes e de todos os homens de
guerra, diz o Senhor Deus.
21 Estabelecerei, pois, a
minha glória entre as nações, e todas as nações verão o meu juízo, que eu tiver
executado, e a minha mão, que sobre elas eu tiver descarregado.
22 E os da casa de Israel
saberão desde aquele dia em diante, que eu sou o Senhor Deus.
23 E as nações saberão que os
da casa de Israel, por causa da sua iniqüidade, foram levados em cativeiro;
porque se houveram traiçoeiramente para comigo, e eu escondi deles o meu rosto;
por isso os entreguei nas mãos de seus adversários, e todos caíram à espada.
24 Conforme a sua imundícia e
conforme as suas transgressões me houve com eles, e escondi deles o meu rosto.
25 Portanto assim diz o
Senhor Deus: Agora tornarei a trazer Jacó, e me compadecerei de toda a casa de
Israel; terei zelo pelo meu santo nome.
26 E eles se esquecerão tanto
do seu opróbrio, como de todas as suas infidelidades pelas quais transgrediram
contra mim, quando eles habitarem seguros na sua terra, sem haver quem os
amedronte;
27 quando eu os tornar a
trazer de entre os povos, e os houver ajuntado das terras de seus inimigos, e
for santificado neles aos olhos de muitas nações.
28 Então saberão que eu sou o
Senhor seu Deus, vendo que eu os fiz ir em cativeiro entre as nações, e os
tornei a ajuntar para a sua terra. Não deixarei lá nenhum deles;
29 nem lhes esconderei mais o
meu rosto; pois derramei o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor
Deus.
»EZEQUIEL [40]
1 No ano vinte e cinco do
nosso cativeiro, no princípio do ano, no décimo dia do mês, no ano catorze
depois que a cidade foi conquistada, naquele mesmo dia veio sobre mim a mão do
Senhor,
2 e em visões de Deus me
levou à terra de Israel, e me pôs sobre um monte muito alto, sobre o qual havia
como que um edifício de cidade para a banda do sul.
3 Levou-me, pois, para lá; e
eis um homem cuja aparência era como a do bronze, tendo na mão um cordel de
linho e uma cana de medir; e ele estava em pé na porta.
4 E disse-me o homem: Filho
do homem, vê com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos, e põe no teu
coração tudo quanto eu te fizer ver; porque, para to mostrar foste tu aqui
trazido. Anuncia pois à casa de Israel tudo quanto vires.
5 E havia um muro ao redor da
casa do lado de fora, e na mão do homem uma cana de medir de seis côvados de
comprimento, tendo cada côvado um palmo a mais; e ele mediu a largura do
edifício, era uma cana; e a altura, uma cana.
6 Então veio à porta que
olhava para o oriente, e subiu pelos seus degraus; mediu o limiar da porta, era
uma cana de largo, e o outro limiar, uma cana de largo.
7 E cada câmara tinha uma
cana de comprido, e uma cana de largo; e o espaço entre as câmaras era de cinco
côvados; e o limiar da porta, ao pé do vestíbulo da porta, em direção da casa,
tinha uma cana.
8 Também mediu o vestíbulo da
porta em direção da casa, uma cana.
9 Então mediu o vestíbulo da
porta, e tinha oito côvados; e os seus pilares, dois côvados; e o vestíbulo da
porta olha para a casa.
10 E as câmaras da porta para
o lado do oriente eram três dum lado, e três do outro; a mesma medida era a das
três; também os umbrais dum lado e do outro tinham a mesma medida.
11 Mediu mais a largura da
entrada da porta, que era de dez côvados; e o comprimento da porta, treze
côvados.
12 E a margem em frente das
câmaras dum lado era de um côvado, e de um côvado a margem do outro lado; e
cada câmara tinha seis côvados de um lado, e seis côvados do outro.
13 Então mediu a porta desde
o telhado de uma câmara até o telhado da outra, era vinte e cinco côvados de
largo, estando porta defronte de porta.
14 Mediu também o vestíbulo,
vinte côvados; e em torno do vestíbulo da porta estava o átrio.
15 E, desde a dianteira da
porta da entrada até a dianteira do vestíbulo da porta interior, havia
cinqüenta côvados.
16 Havia também janelas de
fechar nas câmaras e nos seus umbrais, dentro da porta ao redor, e da mesma
sorte nos vestíbulos; e as janelas estavam à roda pela parte de dentro; e nos
umbrais havia palmeiras.
17 Então ele me levou ao
átrio exterior; e eis que havia câmaras e um pavimento feitos para o átrio em
redor; trinta câmaras havia naquele pavimento.
18 E o pavimento, isto é, o
pavimento inferior, corria junto às portas segundo o comprimento das portas.
19 A seguir ele mediu a
largura desde a dianteira da porta inferior até a dianteira do átrio interior,
por fora, cem côvados, tanto do oriente como do norte.
20 E, quanto à porta que
olhava para o norte, no átrio exterior, ele mediu o seu comprimento e a sua
largura.
21 As suas câmaras eram três
dum lado, e três do outro; e os seus umbrais e os seus vestíbulos eram da
medida da primeira porta: de cinqüenta côvados era o seu comprimento, e a
largura de vinte e cinco côvados.
22 As suas janelas, e o seu
vestíbulo, e as suas palmeiras eram da medida da porta que olhava para o
oriente; e subia-se para ela por sete degraus; e o seu vestíbulo estava diante
dela.
23 Havia uma porta do átrio
interior defronte da outra porta tanto do norte como do oriente; e mediu de
porta a porta cem côvados.
24 Então ele me levou ao
caminho do sul; e eis que havia ali uma porta que olhava para o sul; e mediu os
seus umbrais e o seu vestíbulo conforme estas medidas.
25 E havia também janelas em
redor do seu vestíbulo, como as outras janelas; cinqüenta côvados era o
comprimento, e a largura vinte e cinco côvados.
26 Subia-se a ela por sete
degraus, e o seu vestíbulo era diante deles; e tinha palmeiras, uma de uma
banda e outra da outra, nos seus umbrais.
27 Também havia uma porta
para o átrio interior que olha para o sul; e mediu de porta a porta, para o
sul, cem côvados.
28 Então me levou ao átrio
interior pela porta do sul; e mediu a porta do sul conforme estas medidas.
29 E as suas câmaras, e os
seus umbrais, e o seu vestíbulo eram conforme estas medidas; e nele havia
janelas e no seu vestíbulo ao redor; o comprimento era de cinqüenta côvados, e
a largura de vinte e cinco côvados.
30 Havia um vestíbulo em
redor; o comprimento era de vinte e cinco côvados e a largura de cinco côvados.
31 O seu vestíbulo olhava
para o átrio exterior; e havia palmeiras nos seus umbrais; e subia-se a ele por
oito degraus.
32 Depois me levou ao átrio
interior, que olha para o oriente; e mediu a porta conforme estas medidas;
33 e também as suas câmaras,
e os seus umbrais, e o seu vestíbulo, conforme estas medidas; também nele havia
janelas e no seu vestíbulo ao redor; o comprimento era de cinqüenta côvados, e
a largura era de vinte e cinco côvados.
34 E o seu vestíbulo olhava
para o átrio exterior; também havia palmeiras nos seus umbrais de uma e de
outra banda; e subia-se a ele por oito degraus.
35 Então me levou à porta do
norte; e mediu-a conforme estas medidas.
36 As suas câmaras, os seus
umbrais, e o seu vestíbulo; também tinha janelas em redor; o comprimento era de
cinqüenta côvados, e a largura de vinte e cinco côvados.
37 E os seus umbrais olhavam
para o átrio exterior; também havia palmeiras nos seus umbrais de uma e de
outra banda; e subia-se a ela por oito degraus.
38 Havia uma câmara com a sua
entrada junto aos umbrais perto das portas; aí se lavava o holocausto.
39 E no vestíbulo da porta
havia duas mesas de uma banda, e duas da outra, em que se haviam de imolar o
holocausto e a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa.
40 Também duma banda, do lado
de fora, junto da subida para a entrada da porta que olha para o norte, havia
duas mesas; e da outra banda do vestíbulo da porta, havia duas mesas.
41 Havia quatro mesas de uma,
e quatro mesas da outra banda, junto à porta; oito mesas, sobre as quais
imolavam os sacrifícios.
42 E havia para o holocausto
quatro mesas de pedras lavradas, sendo o comprimento de um côvado e meio, a
largura de um côvado e meio, e a altura de um côvado; e sobre elas se punham os
instrumentos com que imolavam o holocausto e o sacrifício.
43 E ganchos, de um palmo de
comprido, estavam fixos por dentro ao redor; e sobre as mesas estava a carne da
oferta.
44 Fora da porta interior
estavam as câmaras para os cantores, no átrio interior, que estava ao lado da
porta do norte; e elas olhavam para o sul; uma estava ao lado da porta do
oriente, e olhava para o norte.
45 E ele me disse: Esta
câmara que olha para o sul é para os sacerdotes que têm a guarda do templo.
46 Mas a câmara que olha para
o norte é para os sacerdotes que têm a guarda do altar, a saber, os filhos de
Zadoque, os quais dentre os filhos de Levi se chegam ao Senhor para o servirem.
47 E mediu o átrio; o
comprimento era de cem côvados e a largura de cem côvados, um quadrado; e o
altar estava diante do templo.
48 Então me levou ao
vestíbulo do templo, e mediu cada umbral do vestíbulo, cinco côvados de um lado
e cinco côvados do outro; e a largura da porta era de três côvados de um lado,
e de três côvados do outro.
49 O comprimento do vestíbulo
era de vinte côvados, e a largura de doze côvados; e era por dez degraus que se
subia a ele; e havia colunas junto aos umbrais, uma de um lado e outra do
outro.
»EZEQUIEL [41]
1 Então me levou ao templo, e
mediu as umbreiras, seis côvados de largura de uma banda, e seis côvados de
largura da outra, que era a largura do tabernáculo.
2 E a largura da entrada era
de dez côvados; e os lados da entrada, cinco côvados de uma banda e cinco
côvados da outra; também mediu o seu comprimento, de quarenta côvados, e a
largura, de vinte côvados.
3 E entrou dentro, e mediu
cada umbral da entrada, dois côvados; e a entrada, seis côvados; e a largura da
entrada, sete côvados.
4 Também mediu o seu
comprimento, vinte côvados, e a largura, vinte côvados, diante do templo; e
disse-me: Este é o lugar santíssimo.
5 Então mediu a parede do
templo, seis côvados, e a largura de cada câmara lateral, quatro côvados, por
todo o redor do templo.
6 E as câmaras laterais eram
de três andares, câmara sobre câmara, e trinta em cada andar; e elas entravam
na parede que tocava no templo para essas câmaras laterais em redor, para se
susterem nela, porque não travavam da parede do templo.
7 Também as câmaras laterais
aumentavam de largura de andar em andar, ao passo que se aprofundava a
reentrância da parede de andar em andar em volta do templo; e havia ao lado do
templo uma escadaria pela qual se subia do primeiro ao terceiro andar mediante
o segundo.
8 Vi também que havia ao
redor do templo um pavimento elevado; os fundamentos das câmaras laterais eram
da medida de uma cana inteira, seis côvados grandes.
9 A grossura da parede
exterior das câmaras laterais era de cinco côvados; e o que sobrava do
pavimento fora das câmaras laterais, que estavam junto ao templo, também era de
cinco côvados.
10 E por fora das câmaras
havia um espaço livre de vinte côvados de largura em toda a volta do templo.
11 E as entradas das câmaras
laterais estavam voltadas para a parte do pavimento que sobrava, uma entrada
para o lado do norte, e outra entrada para o do sul; e a largura desta parte do
pavimento era de cinco côvados em redor.
12 Era também o edifício que
estava diante do lugar separado, ao lado que olha para o ocidente, da largura
de setenta côvados; e a parede do edifício era de cinco côvados de largura em
redor, e o seu comprimento de noventa côvados.
13 Assim mediu o templo, do
comprimento de cem côvados, como também o lugar separado, e o edifício, e as
suas paredes, cem côvados de comprimento.
14 E a largura da dianteira
do templo, e do lugar separado que olha para o oriente, cem côvados.
15 Também mediu o comprimento
do edifício, diante do lugar separado, que estava por detrás, e as suas
galerias de um e de outro lado, cem côvados. A nave do templo, a câmara
interior, e o vestíbulo do átrio eram forrados;
16 e os três tinham janelas
gradeadas. As galerias em redor nos três andares, defronte do limiar, eram
forradas de madeira em redor, e isto desde o chão até as janelas (ora as
janelas estavam cobertas),
17 até o espaço em cima da
porta para a câmara interior, por dentro e por fora. E em todas as paredes em
redor, por dentro e por fora, tudo por medida.
18 havia querubins e
palmeiras de entalhe; e havia uma palmeira entre querubim e querubim; e cada
querubim tinha dois rostos,
19 de modo que o rosto de
homem olhava para a palmeira de um lado, e o rosto de leão novo para a palmeira
do outro lado; assim era pela casa toda em redor.
20 Desde o chão até acima da
entrada estavam entalhados querubins e palmeiras, como também pela parede do
templo.
21 As ombreiras das portas do
templo eram quadradas; e diante do santuário havia uma coisa semelhante
22 a um altar de madeira, de
três côvados de altura, e o seu comprimento era de dois côvados; os seus
cantos, o seu fundamento e as suas paredes eram de madeira; e disse-me: Esta é
a mesa que está perante a face do Senhor.
23 Ora, a nave e o santuário
ambos tinham portas duplas.
24 As portas tinham cada uma
duas folhas que viravam, duas para uma porta, e duas para a outra.
25 E havia nas portas da nave
querubins e palmeiras de entalhe, como os que estavam nas paredes; e havia um
grande toldo de madeira diante do vestíbulo por fora.
26 Também havia janelas
fechadas e palmeiras, de uma e de outra banda, pelos lados do vestíbulo.
»EZEQUIEL [42]
1 Depois disto fez-me sair
para fora, ao átrio exterior, que dá para o norte; e me levou às câmaras que
estavam defronte do largo vazio, e que estavam defronte do edifício, do lado do
norte.
2 Do comprimento de cem
côvados era esse edifício, e da largura de cinqüenta côvados.
3 Em frente dos vinte
côvados, que tinha o átrio interior, e em frente do pavimento que tinha o átrio
exterior, havia galeria contra galeria em três andares.
4 E diante das câmaras havia
um passeio que dava para o átrio interior, e que tinha dez côvados de largura e
cem côvados de comprimento; e as suas portas davam para o norte.
5 Ora, as câmaras superiores
eram mais estreitas; porque as galerias tomavam destas mais espaço do que das
de baixo e das do meio do edifício.
6 Porque elas eram de três
andares e não tinham colunas como as colunas dos átrios; por isso desde o chão
se iam estreitando mais do que as de baixo e as do meio.
7 No lado de fora, em
paralelo às câmaras e defronte delas no caminho do átrio exterior, havia um
muro que tinha cinqüenta côvados de comprimento.
8 Pois o comprimento da série
de câmaras que estavam no átrio exterior era de cinqüenta côvados, enquanto o
da série que estava defronte do templo era de cem côvados.
9 Por debaixo destas câmaras
estava a entrada do lado do oriente, para quem entra nelas do átrio exterior.
10 Na grossura do muro do
átrio que dava para o oriente, diante do lugar separado, e diante do edifício,
havia também câmaras,
11 com um caminho diante
delas, que eram da mesma feição das câmaras que davam para o norte, sendo do
mesmo comprimento, e da mesma largura, com as mesmas saídas, disposições e
portas.
12 E conforme eram as portas
das câmaras que davam para o sul, era também a porta no topo do caminho, isto
é, do caminho bem em frente do muro à direita para quem entra.
13 Então me disse: As câmaras
do norte, e as câmaras do sul, que estão diante do lugar separado, são câmaras
santas, em que os sacerdotes que se chegam ao Senhor comerão as coisas
santíssimas. Ali porão as coisas santíssimas, as ofertas de cereais, as ofertas
pelo pecado, e as ofertas pela culpa; porque o lugar é santo.
14 Quando os sacerdotes
entrarem, não sairão do santuário para o átrio exterior, mas porão ali as suas
vestiduras em que ministram, porque elas são santas; e vestir-se-ão doutras
vestiduras, e assim se aproximarão do lugar pertencente ao povo.
15 Tendo ele acabado de medir
o templo interior, fez-me sair pelo caminho da porta oriental; e o mediu em
redor.
16 Mediu o lado oriental com
a cana de medir, quinhentas canas de largura.
17 Mediu o lado do norte,
quinhentas canas, com a cana de medir.
18 Mediu também o lado do
sul, quinhentas canas, com a cana de medir.
19 Deu uma volta para o lado
do ocidente, e mediu quinhentas canas, com a cana de medir.
20 Mediu-o pelos quatro
lados. Havia um muro em redor, de quinhentas canas de comprimento, e quinhentas
de largura, para fazer separação entre o santo e o profano.
»EZEQUIEL [43]
1 Então me levou à porta, à
porta que dá para o oriente.
2 E eis que a glória do Deus
de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas
águas, e a terra resplandecia com a glória dele.
3 E a aparência da visão que
tive era como a da visão que eu tivera quando ele veio destruir a cidade; eram
as visões como a que tive junto ao rio Quebar; e caí com o rosto em terra.
4 E a glória do Senhor entrou
no templo pelo caminho da porta oriental.
5 E levantou-me o Espírito, e
me levou ao átrio interior; e eis que a glória do Senhor encheu o templo.
6 Então ouvi uma voz que me
foi direita de dentro do templo; e um homem se achava de pé junto de mim.
7 E disse-me: Filho do homem,
este é o lugar do meu trono, e o lugar das plantas dos meus pés, onde habitarei
no meio dos filhos de Israel para sempre; e os da casa de Israel não
contaminarão mais o meu nome santo, nem eles nem os seus reis, com as suas
prostituições e com os cadáveres dos seus reis, nos seus altos,
8 pondo o seu limiar ao pé do
meu limiar, e os seus umbrais junto aos meus umbrais, e havendo apenas um muro
entre mim e eles. Contaminaram o meu santo nome com as abominações que têm
cometido; por isso eu os consumi na minha ira.
9 Agora lancem eles para
longe de mim a sua prostituição e os cadáveres dos seus reis; e habitarei no
meio deles para sempre.
10 Tu pois, ó filho do homem,
mostra aos da casa de Israel o templo, para que se envergonhem das suas
iniqüidades; e meçam o modelo.
11 E se eles se envergonharem
de tudo quanto têm feito, faze-lhes saber a forma desta casa, a sua figura, as
suas saídas e as suas entradas, e todas as suas formas; todas as suas
ordenanças e todas as suas leis; escreve isto à vista deles, para que guardem
toda a sua forma, e todas as suas ordenanças e as cumpram.
12 Esta é a lei do templo:
Sobre o cume do monte todo o seu contorno em redor será santíssimo. Eis que
essa é a lei do templo.
13 São estas as medidas do
altar em côvados (o côvado é um côvado e um palmo): a parte inferior será de um
côvado de altura e um côvado de largura, e a sua borda, junto a sua extremidade
ao redor, de um palmo; e esta será a base do altar.
14 E do fundo, desde o chão
até a saliência de baixo, será de dois côvados, e de largura um côvado; e desde
a pequena saliência até a saliência grande será de quatro côvados, e a largura
de um côvado.
15 E o altar superior será de
quatro côvados; e da lareira do altar para cima se levantarão quatro pontas.
16 E a lareira do altar terá
doze côvados de comprimento, e doze de largura, quadrado nos quatro lados.
17 E a saliência terá catorze
côvados de comprimento e catorze de largura, nos seus quatro lados; e a borda,
ao redor dela, será de meio côvado; e o fundo dela será de um côvado, ao redor;
e os seus degraus darão para o oriente.
18 E disse-me: Filho do
homem, assim diz o Senhor Deus: São estas as ordenanças para o altar, no dia em
que o fizerem, para oferecerem sobre ele holocausto e para espargirem sobre ele
sangue.
19 Aos sacerdotes levitas que
são da linhagem de Zadoque, os quais se chegam a mim para me servirem, diz o
Senhor Deus, darás um bezerro para oferta pelo pecado.
20 E tomarás do seu sangue, e
o porás sobre as quatro pontas do altar, sobre os quatro cantos da saliência e
sobre a borda ao redor; assim o purificarás e os expiarás.
21 Então tomarás o novilho da
oferta pelo pecado, o qual será queimado no lugar da casa para isso ordenado,
fora do santuário.
22 E no segundo dia
oferecerás um bode, sem mancha, para oferta pelo pecado; e purificarão o altar,
como o purificaram com o novilho.
23 Quando acabares de o
purificar, oferecerás um bezerro, sem mancha, e um carneiro do rebanho, sem
mancha.
24 Trá-los-ás, pois, perante
o Senhor; e os sacerdotes deitarão sal sobre eles, e os oferecerão em
holocausto ao Senhor.
25 Durante sete dias
prepararás cada dia um bode como oferta pelo pecado; também prepararão eles um
bezerro, e um carneiro do rebanho, sem mancha.
26 Por sete dias expiarão o
altar, e o purificarão; assim o consagrarão.
27 E, cumprindo eles estes
dias, será que, ao oitavo dia, e dali em diante, os sacerdotes oferecerão sobre
o altar os vossos holocaustos e as vossas ofertas pacíficas; e vos aceitarei,
diz o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [44]
1 Então me fez voltar para o
caminho da porta exterior do santuário, a qual olha para o oriente; e ela
estava fechada.
2 E disse-me o Senhor: Esta
porta ficará fechada, não se abrirá, nem entrará por ela homem algum; porque o
Senhor Deus de Israel entrou por ela; por isso ficará fechada.
3 Somente o príncipe se
assentará ali, para comer pão diante do Senhor; pelo caminho do vestíbulo da
porta entrará, e por esse mesmo caminho saíra,
4 Então me levou pelo caminho
da porta do norte, diante do templo; e olhei, e eis que a glória do Senhor
encheu o templo do Senhor; pelo que caí com o rosto em terra.
5 Então me disse o Senhor:
Filho do homem, nota bem, vê com os teus olhos, e ouve com os teus ouvidos,
tudo quanto eu te disser a respeito de todas as ordenanças do templo do Senhor,
e de todas as suas leis; e considera no teu coração a entrada do templo, com
todas as saídas do santuário.
6 E dirás aos rebeldes, à
casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Bastem-vos todas as vossas
abominações, ó casa de Israel!
7 Porquanto introduzistes
estrangeiros, incircuncisos de coração e incircuncisos de carne, para estarem
no meu santuário, para o profanarem, quando ofereceis o meu pão, a gordura, e o
sangue; e vós quebrastes o meu pacto, além de todas as vossas abominações.
8 E não guardastes a
ordenança a respeito das minhas coisas sagradas; antes constituístes, ao vosso
prazer, guardas da minha ordenança no tocante ao meu santuário.
9 Assim diz o Senhor Deus:
Nenhum estrangeiro, incircunciso de coração e carne, de todos os estrangeiros
que se acharem no meio dos filhos de Israel, entrará no meu santuário.
10 Mas os levitas que se
apartaram para longe de mim, desviando-se de mim após os seus ídolos, quando
Israel andava errado, levarão sobre si a sua punição.
11 Contudo serão ministros no
meu santuário, tendo ao seu cargo a guarda das portas do templo, e ministrando
no templo. Eles imolarão o holocausto, e o sacrifício para o povo, e estarão
perante ele, para o servir.
12 Porque lhes ministraram
diante dos seus ídolos, e serviram à casa de Israel de tropeço de iniqüidade;
por isso eu levantei a minha mão contra eles, diz o Senhor Deus, e eles levarão
sobre si a sua punição.
13 E não se chegarão a mim,
para me servirem no sacerdócio, nem se chegarão a nenhuma de todas as minhas
coisas sagradas, às coisas que são santíssimas; mas levarão sobre si a sua
vergonha e as suas abominações que cometeram.
14 Contudo, eu os
constituirei guardas da ordenança no tocante ao templo, em todo o serviço dele,
e em tudo o que nele se fizer.
15 Mas os sacerdotes
levíticos, os filhos de Zadoque, que guardaram a ordenança a respeito do meu
santuário, quando os filhos de Israel se extraviaram de mim, eles se chegarão a
mim, para me servirem; e estarão diante de mim, para me oferecerem a gordura e
o sangue, diz o Senhor Deus;
16 eles entrarão no meu
santuário, e se chegarão à minha mesa, para me servirem, e guardarão a minha
ordenança.
17 Quando entrarem pelas
portas do átrio interior, estarão vestidos de vestes de linho; e não se porá lã
sobre eles, quando servirem nas portas do átrio interior, e dentro da casa.
18 Coifas de linho terão
sobre as suas cabeças, e calções de linho sobre os seus lombos; não se cingirão
de coisa alguma que produza suor.
19 E quando saírem ao átrio
exterior, a ter com o povo, despirão as suas vestes em que houverem ministrado,
pô-las-ão nas santas câmaras, e se vestirão de outras vestes, para que com as
suas vestes não transmitam a santidade ao povo.
20 Não raparão a cabeça, nem
deixarão crescer o cabelo; tão somente tosquiarão as cabeças.
21 Nenhum sacerdote beberá
vinho quando entrar no átrio interior.
22 Não se casarão nem com
viúva, nem com repudiada; mas tomarão virgens da linhagem da casa de Israel, ou
viúva que for viúva de sacerdote.
23 E a meu povo ensinarão a
distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o
puro.
24 No caso de uma
controvérsia, assistirão a ela para a julgarem; pelos meus juízos a julgarão. E
observarão as minhas leis e os meus estatutos em todas as minhas festas fixas,
e santificarão os meus sábados.
25 Eles não se contaminarão,
aproximando-se de um morto; todavia por pai ou mãe, por filho ou filha, por
irmão, ou por irmã que não tiver marido, se poderão contaminar.
26 Depois de ser ele
purificado, contar-se-lhe-ão sete dias.
27 E, no dia em que ele
entrar no lugar santo, no átrio interior, para ministrar no lugar santo,
oferecerá a sua oferta pelo pecado, diz o Senhor Deus.
28 Eles terão uma herança; eu
serei a sua herança. Não lhes dareis, portanto, possessão em Israel; eu sou a
sua possessão.
29 Eles comerão a oferta de
cereais a oferta pelo pecado, e a oferta pela culpa; e toda coisa consagrada em
Israel será deles.
30 Igualmente as primícias de
todos os primeiros frutos de tudo, e toda oblação de tudo, de todas as vossas
oblações, serão para os sacerdotes; também as primeiras das vossas massas
dareis ao sacerdote, para fazer repousar uma bênção sobre a vossa casa.
31 Os sacerdotes não comerão
de coisa alguma que tenha morrido de si mesma ou que tenha sido despedaçada,
seja de aves, seja de animais.
»EZEQUIEL [45]
1 Demais, quando repartirdes
a terra por sortes em herança, separareis uma oferta para o Senhor, uma santa
porção da terra; o seu comprimento será de vinte e cinco mil canas, e a largura
de dez mil. Esta será santa em todo o seu termo ao redor.
2 Desta porção o santuário
ocupará quinhentas canas de comprimento, e quinhentas de largura, em quadrado,
e terá em redor um espaço vazio de cinqüenta côvados.
3 Desta área santa medirás um
comprimento de vinte e cinco mil côvados, e uma largura de dez mil; e ali será
o santuário, que é santíssimo.
4 É ela uma porção santa da
terra; será para os sacerdotes, ministros do santuário, que se aproximam do
Senhor para o servir; e lhes servirá de lugar para suas casas, e de lugar santo
para o santuário.
5 Também os levitas,
ministros da casa, terão vinte e cinco mil canas de comprimento, e dez mil de
largura, para possessão sua, para vinte câmaras.
6 E para possessão da cidade,
de largura dareis cinco mil canas, e de comprimento vinte e cinco mil, ao lado
da área santa; o que será para toda a casa de Israel.
7 O príncipe, porém, terá a
sua parte deste lado e do outro da área santa e da possessão da cidade,
defronte da área santa e defronte da possessão da cidade, tanto ao lado
ocidental, como ao lado oriental; e de comprimento corresponderá a uma das
porções, desde o termo ocidental até o termo oriental.
8 E esta terra será a sua
possessão em Israel; e os meus príncipes não oprimirão mais o meu povo; mas
distribuirão a terra pela casa de Israel, conforme as suas tribos.
9 Assim diz o Senhor Deus:
Baste-vos, ó príncipes de Israel; afastai a violência e a opressão e praticai a
retidão e a justiça; aliviai o meu povo das vossas exações, diz o Senhor Deus.
10 Tereis balanças justas,
efa justa, e bato justo.
11 A efa e o bato serão duma
mesma medida, de maneira que o bato contenha a décima parte do hômer, e a efa a
décima parte do hômer; o hômer será a medida padrão.
12 E o siclo será de vinte
jeiras; cinco siclos serão cinco siclos, e dez siclos serão dez; a vossa mina
será de cinqüenta siclos.
13 Esta será a oferta que
haveis de fazer: a sexta parte duma efa de cada hômer de trigo; também dareis a
sexta parte duma efa de cada hômer de cevada;
14 quanto à porção fixa do
azeite, de cada bato de azeite oferecereis a décima parte do bato tirado dum
coro, que é dez batos, a saber, um hômer; pois dez batos fazem um hômer;
15 e um cordeiro do rebanho,
de cada duzentos, de todas as famílias de Israel, para oferta de cereais, e
para holocausto, e para oferta pacífica, para que façam expiação por eles, diz
o Senhor Deus.
16 Todo o povo da terra fará
esta contribuição ao príncipe de Israel.
17 Tocará ao príncipe dar os
holocaustos, as ofertas de cereais e as libações, nas festas, nas luas novas e
nos sábados, em todas as festas fixas da casa de Israel. Ele proverá a oferta
pelo pecado, a oferta de cereais, o holocausto e as ofertas pacíficas, para
fazer expiação pela casa de Israel.
18 Assim diz o Senhor Deus:
No primeiro mês, no primeiro dia do mês, tomarás um bezerro sem mancha, e
purificarás o santuário.
19 O sacerdote tomará do
sangue da oferta pelo pecado, e pô-lo-á nas ombreiras da casa, e nos quatro
cantos da saliência do altar e nas ombreiras da porta do átrio interior.
20 Assim também farás no
sétimo dia do mês, pelos errados e pelos insensatos; assim fareis expiação pelo
templo.
21 No primeiro mês, no dia
catorze de mês, tereis a páscoa, uma festa de sete dias; pão ázimo se comerá.
22 E no mesmo dia o príncipe
proverá, por si e por todo o povo da terra, um novilho como oferta pelo pecado.
23 E nos sete dias da festa
proverá um holocausto ao Senhor, de sete novilhos e sete carneiros sem mancha,
cada dia durante os sete dias; e um bode cada dia como oferta pelo pecado.
24 Também proverá uma oferta
de cereais, uma efa para cada novilho, e uma efa para cada carneiro, e um e him
de azeite para cada efa.
25 No sétimo mês, no dia
quinze do mês, na festa, fará o mesmo por sete dias, segundo a oferta pelo
pecado, segundo o holocausto, segundo a oferta de cereais, e segundo o azeite.
»EZEQUIEL [46]
1 Assim diz o Senhor Deus: A
porta do átrio interior, que dá para o oriente, estará fechada durante os seis
dias que são de trabalho; mas no dia de sábado ela se abrirá; também no dia da
lua nova se abrirá.
2 E o príncipe entrará pelo
caminho do vestíbulo da porta, por fora, e ficará parado junto da ombreira da
porta, enquanto os sacerdotes ofereçam o holocausto e as ofertas pacíficas
dele; e ele adorará junto ao limiar da porta. Então sairá; mas a porta não se
fechará até a tarde.
3 E o povo da terra adorará à
entrada da mesma porta, nos sábados e nas luas novas, diante do Senhor.
4 E o holocausto que o
príncipe oferecer ao Senhor será, no dia de sábado, seis cordeiros sem mancha e
um carneiro sem mancha;
5 e a oferta de cereais será
uma efa para o carneiro; e para o cordeiro, a oferta de cereais será o que
puder dar, com um him de azeite para cada efa.
6 Mas no dia da lua nova será
um bezerro sem mancha, e seis cordeiros e um carneiro; eles serão sem mancha.
7 Também ele proverá, por
oferta de cereais, uma efa para o novilho e uma efa para o carneiro, e para os
cordeiros o que puder, com um him de azeite para cada efa.
8 Quando entrar o príncipe,
entrará pelo caminho do vestíbulo da porta, e sairá pelo mesmo caminho.
9 Mas, quando vier o povo da
terra perante o Senhor nas festas fixas, aquele que entrar pelo caminho da
porta do norte, para adorar, sairá pelo caminho da porta do sul; e aquele que
entrar pelo caminho da porta do sul, sairá pelo caminho da porta do norte. Não
tornará pelo caminho da porta pela qual entrou, mas sairá seguindo para a sua
frente.
10 Ao entrarem eles, o
príncipe entrará no meio deles; e, saindo eles, sairão juntos.
11 Nas solenidades, inclusive
nas festas fixas, a oferta de cereais será uma efa para um novilho, e uma efa
para um carneiro, mas para os cordeiros será o que se puder dar; e de azeite um
him para cada efa.
12 Quando o príncipe prover
uma oferta voluntária, holocausto, ou ofertas pacíficas, como uma oferta
voluntária ao Senhor, abrir-se-lhe-á a porta que dá para o oriente, e oferecerá
o seu holocausto e as suas ofertas pacíficas, como houver feito no dia de
sábado. Então sairá e, depois de ele ter saído, fechar-se-á a porta.
13 Proverá ele um cordeiro de
um ano, sem mancha, em holocausto ao Senhor cada dia; de manhã em manhã o
proverá.
14 Juntamente com ele proverá
de manhã em manhã uma oferta de cereais, a sexta parte duma efa de flor de
farinha, com a terça parte de um him de azeite para umedecê-la, por oferta de
cereais ao Senhor, continuamente, por estatuto perpétuo.
15 Assim se proverão o
cordeiro, a oferta de cereais, e o azeite, de manhã em manhã, em holocausto
contínuo.
16 Assim diz o Senhor Deus:
Se o príncipe der um presente a algum de seus filhos, é herança deste, pertencerá
a seus filhos; será possessão deles por herança.
17 Se, porém, der um presente
da sua herança a algum dos seus servos, será deste até o ano da liberdade;
então tornará para o príncipe; pois quanto à herança, será ela para seus
filhos.
18 O príncipe não tomará nada
da herança do povo para o esbulhar da sua possessão; da sua própria possessão
deixará herança a seus filhos, para que o meu povo não seja espalhado, cada um
da sua possessão.
19 Então me introduziu pela
entrada que estava ao lado da porta nas câmaras santas para os sacerdotes, que
olhavam para o norte; e eis que ali havia um lugar por detrás, para a banda do
ocidente.
20 E ele me disse: Este é o
lugar onde os sacerdotes cozerão a oferta pela culpa, e a oferta pelo pecado, e
onde assarão a oferta de cereais, para que não as tragam ao átrio exterior, e
assim transmitam a santidade ao povo.
21 Então me levou para fora,
para o átrio exterior, e me fez passar pelos quatro cantos do átrio; e eis que
em cada canto do átrio havia um átrio.
22 Nos quatro cantos do átrio
havia átrios fechados, de quarenta côvados de comprimento e de trinta de
largura; estes quatro cantos tinham a mesma medida.
23 E neles havia por dentro
uma série de projeções ao redor; e havia lugares para cozer, construídos por
baixo delas ao redor.
24 Então me disse: Estas são
as cozinhas, onde os ministros da casa cozerão o sacrifício do povo.
»EZEQUIEL [47]
1 Depois disso me fez voltar
à entrada do templo; e eis que saíam umas águas por debaixo do limiar do
templo, para o oriente; pois a frente do templo dava para o oriente; e as águas
desciam pelo lado meridional do templo ao sul do altar.
2 Então me levou para fora
pelo caminho da porta do norte, e me fez dar uma volta pelo caminho de fora até
a porta exterior, pelo caminho da porta oriental; e eis que corriam umas águas
pelo lado meridional.
3 Saindo o homem para o
oriente, tendo na mão um cordel de medir, mediu mil côvados, e me fez passar
pelas águas, águas que me davam pelos artelhos.
4 De novo mediu mil, e me fez
passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; outra vez mediu mil, e me
fez passar pelas águas, águas que me davam pelos lombos.
5 Ainda mediu mais mil, e era
um rio, que eu não podia atravessar; pois as águas tinham crescido, águas para
nelas nadar, um rio pelo qual não se podia passar a vau.
6 E me perguntou: Viste,
filho do homem? Então me levou, e me fez voltar à margem do rio.
7 Tendo eu voltado, eis que à
margem do rio havia árvores em grande número, de uma e de outra banda.
8 Então me disse: Estas águas
saem para a região oriental e, descendo pela Arabá, entrarão no Mar Morto, e ao
entrarem nas águas salgadas, estas se tornarão saudáveis.
9 E por onde quer que entrar
o rio viverá todo ser vivente que vive em enxames, e haverá muitíssimo peixe;
porque lá chegarão estas águas, para que as águas do mar se tornem doces, e
viverá tudo por onde quer que entrar este rio.
10 Os pescadores estarão
junto dele; desde En-Gedi até En-Eglaim, haverá lugar para estender as redes; o
seu peixe será, segundo a sua espécie, como o peixe do Mar Grande, em multidão
excessiva.
11 Mas os seus charcos e os
seus pântanos não sararão; serão deixados para sal.
12 E junto do rio, à sua
margem, de uma e de outra banda, nascerá toda sorte de árvore que dá fruto para
se comer. Não murchará a sua folha, nem faltará o seu fruto. Nos seus meses
produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário. O seu fruto
servirá de alimento e a sua folha de remédio.
13 Assim diz o Senhor Deus:
Este será o termo conforme o qual repartireis a terra em herança, segundo as
doze tribos de Israel. José terá duas partes.
14 E vós a herdareis, tanto
um como o outro; pois sobre ela levantei a minha mão, jurando que a daria a
vossos pais; assim esta terra vos cairá a vós em herança.
15 E este será o termo da
terra: da banda do norte, desde o Mar Grande, pelo caminho de Hetlom, até a
entrada de Zedade;
16 Hamate, Berota, Sibraim,
que está entre o termo de Damasco e o termo de Hamate; Hazer-Haticom, que está
junto ao termo de Haurã.
17 O termo irá do mar até Hazar-Enom,
junto ao termo setentrional de Damasco, tendo ao norte o termo de Hamate. Essa
será a fronteira do norte.
18 E a fronteira do oriente,
entre Haurã, e Damasco, e Gileade, e a terra de Israel, será o Jordão; desde o
termo do norte até o mar do oriente medireis. Essa será a fronteira do oriente.
19 E a fronteira meridional
será desde Tamar até as águas de Meribote-Cades, ao longo do Ribeiro do Egito
até o Mar Grande. Essa será a fronteira meridional.
20 E a fronteira do ocidente
será o Mar Grande, desde o termo do sul até a entrada de Hamate. Essa será a
fronteira do ocidente.
21 Repartireis, pois, esta
terra entre vós, segundo as tribos de Israel.
22 Reparti-la-eis em herança
por sortes entre vós e entre os estrangeiros que habitam no meio de vós e que
têm gerado filhos no meio de vós; e vós os tereis como naturais entre os filhos
de Israel; convosco terão herança, no meio das tribos de Israel.
23 E será que na tribo em que
peregrinar o estrangeiro, ali lhe dareis a sua herança, diz o Senhor Deus.
»EZEQUIEL [48]
1 São estes os nomes das
tribos: desde o extremo norte, ao longo do caminho de Hetlom, até a entrada de
Hamate, até Hazar-Enom, junto ao termo setentrional de Damasco, defronte de
Hamate, com as suas fronteiras estendendo-se do oriente ao ocidente, Dã terá
uma porção.
2 Junto ao termo de Dã, desde
a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Aser terá uma porção.
3 Junto ao termo de Aser,
desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Naftali terá uma porção.
4 Junto ao termo de Naftali,
desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Manasses terá uma porção.
5 Junto ao termo de Manassés,
desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Efraim terá uma porção.
6 Junto ao termo de Efraim,
desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Rúben terá uma porção.
7 Junto ao termo de Rúben
desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Judá terá uma porção.
8 Junto ao termo de Judá,
desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, será a oferta que haveis
de fazer de vinte e cinco mil canas de largura, e do comprimento de cada uma
das porções, desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental. O santuário
estará no meio dela.
9 A oferta que haveis de
fazer ao Senhor será do comprimento de vinte e cinco mil canas, e da largura de
dez mil.
10 Será para os sacerdotes
uma porção desta santa oferta, medindo para o norte vinte e cinco mil canas de
comprimento, para o ocidente dez mil de largura, para o oriente dez mil de
largura, e para o sul vinte e cinco mil de comprimento; e o santuário do Senhor
estará no meio dela.
11 Sim, será para os
sacerdotes consagrados dentre os filhos de Zadoque, que guardaram a minha
ordenança, e não se desviaram quando os filhos de Israel se extraviaram, como
se extraviaram os outros levitas.
12 E o oferecido ser-lhes-á
repartido da santa oferta da terra, coisa santíssima, junto ao termo dos
levitas.
13 Também os levitas terão,
consoante o termo dos sacerdotes, vinte e cinco mil canas de comprimento, e de
largura dez mil; todo o comprimento será vinte e cinco mil, e a largura dez
mil.
14 E não venderão nada disto
nem o trocarão, nem transferirão as primícias da terra, porque é santo ao
Senhor.
15 Mas as cinco mil, as que
restam da largura, defronte das vinte e cinco mil, ficarão para uso comum, para
a cidade, para habitação e para arrabaldes; e a cidade estará no meio.
16 E estas serão as suas
medidas: a fronteira setentrional terá quatro mil e quinhentas canas, e a
fronteira do sul quatro mil e quinhentas, e a fronteira oriental quatro mil e
quinhentas, e a fronteira ocidental quatro mil e quinhentas.
17 Os arrabaldes, que a
cidade terá, serão para o norte de duzentas e cinqüenta canas, e para o sul de
duzentas e cinqüenta, e para o oriente de duzentas e cinqüenta, e para o
ocidente de duzentas e cinqüenta.
18 E, quanto ao que ficou do
resto no comprimento, de conformidade com a santa oferta, será de dez mil para
o oriente e dez mil para o ocidente; e corresponderá à santa oferta; e a sua
novidade será para sustento daqueles que servem a cidade.
19 E os que servem a cidade,
dentre todas as tribos de Israel, cultivá-lo-ão.
20 A oferta inteira será de
vinte e cinco mil canas por vinte e cinco mil; em quadrado a oferecereis como
porção santa, incluindo o que possui a cidade.
21 O que restar será para o
príncipe; desta e da outra banda da santa oferta, e da possessão da cidade;
defronte das vinte e cinco mil canas da oferta, na direção do termo oriental, e
para o ocidente, defronte das vinte e cinco mil, na direção do termo ocidental,
correspondente às porções, isso será a parte do príncipe; e a oferta santa e o
santuário do templo estarão no meio.
22 A possessão dos levitas, e
a possessão da cidade estarão no meio do que pertencer ao príncipe. Entre o
termo de Judá e o termo de Benjamim será a porção do príncipe.
23 Ora quanto ao resto das
tribos: desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Benjamim terá uma
porção.
24 Junto ao termo de
Benjamim, desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Simeão terá uma
porção.
25 Junto ao termo de Simeão,
desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Issacar terá uma porção.
26 Junto ao termo de Issacar,
desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Zebulom terá uma porção.
27 Junto ao termo de Zebulom,
desde a fronteira oriental até a fronteira ocidental, Gade terá uma porção.
28 Junto ao termo de Gade, na
fronteira sul, para o sul, o termo será desde Tamar até as águas de
Meribate-Cades, até o Ribeiro do Egito, e até o Mar Grande.
29 Esta é a terra que
sorteareis em herança para as tribos de Israel, e são estas as suas respectivas
porções, diz o Senhor Deus.
30 E estas são as saídas da
cidade: da banda do norte quatro mil e quinhentos côvados por medida;
31 e as portas da cidade
serão conforme os nomes das tribos de Israel; três portas para o norte; a porta
de Rúben a porta de Judá, e a porta de Levi.
32 Da banda do oriente quatro
mil e quinhentos côvados, e três portas, a saber: a porta de José, a porta de
Benjamim, e a porta de Dã.
33 Da banda do sul quatro mil
e quinhentos côvados, e três portas: a porta de Simeão, a porta de Issacar, e a
porta de Zebulom.
34 Da banda do ocidente
quatro mil e quinhentos côvados, e as suas três portas: a porta de Gade, a
porta de Aser, e a porta de Naftali.
35 Dezoito mil côvados terá ao redor; e o nome da cidade
desde aquele dia será Jeová-Samá.
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